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O Assassino: David Fincher e Michael Fassbender entregam um ótimo thriller para a Netflix

Michael Fassbender interpreta um assassino contratado que sofre alguns contratempos profissionais no novo filme de David Fincher.

David Fincher está entre nossos melhores cronistas de indivíduos moralmente obscuros, como no maravilhoso Clube da Luta (Fight Club) ou em Garota Exemplar (Gone Girl), apresentando personagens atraentes e de certa forma repulsivos que transmitam longe da dicotomia do preto no branco. Como cineasta é também um mestre do thriller, assim não é de se estranhar que os cinéfilos aguardem ansiosamente seu retorno ao gênero.

“O Assassino” apresenta ainda seu reencontro com o roteirista de Se7en, Andrew Kevin Walker, vagamente adaptando a série quadrinhos de mesmo nome de Alexis “Matz” Nolent e Luc Jacamon. No filme o astro Michael Fassbender interpreta um assassino sem nome que se orgulha de sua taxa de sucesso profissional. Acampado em um escritório desocupado da WeWork em Paris, o assassino aguarda em vigilância e, com uma voz imparcial, ele reflete sobre sua ocupação ‘Eu sou o que sou.’

À medida que o sol nasce e se põe sobre a cidade, ele segue sua rotina diária: uma ioga leve; um lanche rápido; um passeio; algumas rodadas de The Smiths em seu iPod. Ele acha mais fácil passar despercebido vestindo-se como um turista alemão: “Ninguém realmente quer interagir com um turista alemão”, diz ele, “Especialmente um parisiense”. A figura anônima se apresenta entre citações, referências à cultura pop, mantras e clichês que apresentam O Assassino ao espectador.

Se a “verdadeira vontade” do protagonista é matar, ele o faz sem qualquer paixão. Obtendo a satisfação que acompanha um trabalho bem executado. Para O Assassino, suas ações são mais parecidas com respirar. Como um bom profissional ele segue um conjunto estrito de regras pré-definidas: seguir o plano; não confiar em ninguém; renunciar à empatia; antecipar, não improvisar; lutar apenas a batalha para a qual foi pago, e estas têm-lhe servido bem.

Felizmente para o espectador seu último trabalho dá errado em uma fração de segundo, ele se torna o novo alvo, e uma mulher de quem ele gosta de repente se torna um dano colateral. Talvez seja hora de quebrar as regras. Como uma engrenagem em uma máquina bem lubrificada, O Assassino era apenas um rosto na multidão, até que de repente ele deixa de ser.

Fassbender entrega um ótima atuação, não somente na apresentação do personagem e da situação, mas após ter azar e tentar repetidamente se livrar de uma nova bagunça, ao mesmo tempo em que ressalta que é um profissional, desapegado de seu trabalho antes de tudo. É fascinante que um homem que fala tanto possa dizer tão pouco, e o olhar frio e indiferente de Fassbender é adequado para trazer o espectador para a trama.

Sem dúvidas a história em quadrinhos de Matz e Jacamon tiveram muito mais espaço para contar uma história de longo alcance, que mostrava um assassino perdendo lentamente a cabeça após uma vida inteira de solidão e derramamento de sangue. Ao comprimir tudo em duas horas, o filme acaba perdendo um pouco da proposta, mostrando O Assassino buscando consertar as amarrar e pontas soltas para poder se aposentar de uma vez por todas. Não é exatamente um enredo ambicioso para um cineasta como David Fincher, mas sua genialidade deixa o filme certamente envolvente, aproveitando-se também do talento de Michael Fassbender em cativar o espectador até os créditos finais.

O Assassino

O Assassino
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Nota: 7/10 Ótimo
Nota: 7/10 Ótimo
7/10
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