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“O Cavaleiro Solitário” se prejudica com a própria mesquinharia

O sangue de Johnny Depp tem poder? A Disney apostava que sim e está pagando caro por isso. “O Cavaleiro Solitário” foi feito para estender os dólares acachapantes de um certo “pirata do caribe”, mas, como todo projeto oportunista que se vale apenas de lógicas mercantilistas, a ambição resultou num filme irritantemente interminável, com excesso de personagens, cheio de furos de roteiro e narrativa arrastada.

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Adaptado do programa de rádio que, posteriormente, tornou-se um seriado icônico dos Estados Unidos, o roteiro escrito a seis mãos não tarda a apresentar o envelhecido índio Tonto (Depp), uma peça de exposição de museu que, em tempos passados, lutou ao lado de John Reid (Armie Hammer) por justiça em um mundo selvagem e carente de valores.

Enquanto conta sua história através do cansativo recurso de um flashback, retrocedemos a um período de progresso simbolizado pela construção das ferrovias que interligariam os Estados Unidos e cujo preço viria no derramamento de sangue dos nativos Comanches, os legítimos proprietários do território. Detrás desta obra está o empreiteiro Cole (Tom Wilkinson), que prepara uma armadilha para que seus planos capitalistas se sucedam, nem que para isso tenha que se aliar à bandidos da região e matar o destemido irmão de Reid.

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O diretor Gore Verbinski e sua trupe de roteiristas parecem não ter acertado suas múltiplas visões do universo retratado. A trama é caduca na forma e no conceito. Na forma, pela oscilação entre a histeria e uma superficial preocupação histórica em enaltecer a figura nativa norte americana. No conceito, por ficar muito difícil aproveitar os (poucos) bons momentos de humor e as boas sacadas estéticas de Verbinski, uma vez que tudo é muito exagerado, desde a gratuidade de certas cenas como a extirpação de um coração, até as inverossimilhanças das muitas viradas estapafúrdias que o roteiro cria e a direção endossa.

Nota-se que a tríade formada pelo diretor, o astro e o produtor carniceiro Jerry Bruckheimer buscavam mais uma franquia de cartilha e fizeram tudo como mandava o ditame. Só que o chamado filme-blockbuster não tem nada de antropofágico. É uma aritmética difícil de precisar, mas facílima de apontar que receita de bolo é nociva para sua efetivação (que o diga os lamentáveis John Carter e Battleship).

O que isso quer dizer? Para se alienar é preciso seduzir, não se repetir. O drástico fracasso de bilheteria nos EUA é a resposta mais imediata. Não foi dessa vez, Depp…

[xrr rating=2/5]

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