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O doentio Dr. Heiter e sua Centopéia Humana

Antes de começar a falar sobre o filme quero preveni-lo de que você está para ler uma resenha sobre um filme doentio e bizarro, espere pelos comentários e detalhes mais apavorantes e nojentos.

Ainda por aqui? Então siga por sua conta e risco.

Tem um bom tempo que não vejo um filme de terror causar tanto burburinho e falatório quanto A Centopéia Humana (The Human Centipede, no original), as bizarrices e o ar doentio que rondam o filme causam um certo interesse nas pessoas que acabam assistindo por pura curiosidade e depois são obrigadas a passar pelo desconforto do filme.

Com uma premissa que beira o esdrúxulo, A Centopéia Humana conta a história de duas garotas americanas, Lindsay (Ashley C. Williams) e Jenny (Ashlynn Yennie), em uma viagem pela Europa. Quando elas estão de passagem pela Alemanha acabam sozinhas com seu carro quebrado, numa noite escura no bosque. Previsivelmente as jovens encontram uma casa isolada onde mora o renomado cirurgião alemão Dr. Heiter (o mórbido Dieter Laser) especializado em separar irmãos siameses.

As moças, cujos diálogos são sofríveis e suas performances medíocres, aceitam a ajuda do Dr. Heiter ignorando sua cara de psicopata e a afirmação de que odeia seres humanos. Resultado? Acordam no dia seguinte amarradas em um hospital improvisado no porão junto com um japonês. Os três pacientes serão unidos em uma horrível cirurgia pelo sistema gástrico (ou seja, unir pessoas ligando cirurgicamente suas bocas ao ânus para formar uma única criatura), realizando assim a fantasia de sua vida: a tal centopéia humana que dá nome ao filme.

Após uma sucessão de eventos antagônicos e que servem para comprovar a estupidez das protagonistas, o insano Dr. Heiter alcança seu tão sonhado objetivo e a partir daí decide treinar seu novo animal de estimação. Falar mais seria entregar o destino dos personagens e não quero estragar a surpresa no final do filme, mas para os que pretendem se arriscar em vê-lo, prepararem-se para cenas inusitadas e nojentas.

Num papo com outras pessoas que assistiram o filme, foi unânime a afirmação de que A Centopéia Humana é um filme tão trash que acaba se tornando engraçado, tudo bem que abusa de clichês mas talvez esteja aí a graça do filme pois num primeiro momento passa a impressão de assistir a um filme de terror dos anos 80.

As atrizes que interpretam Lindsay e Jenny conseguem ser piores que os atores de Malhação, tão ruins que confesso ter torcido pelo sofrimento de ambas, péssimas desde o início do filme. A atuação do canastrão Dieter Laser só ajuda a platéia a rir dos trejeitos de seu personagem, que tem uma maneira peculiar (e óbvia) de camuflar um rifle com seu casaco e não dispensa os óculos escuros na hora de perseguir suas vítimas. Porém não ouso elevar o Dr. Heiter a um panteão de vilões como Leatherface, Freddy Krueger e Jigsaw.

Avaliando o filme de forma geral posso qualificá-lo como bizarro, ridículo, esdrúxulo, doentio, completamente sem noção e extremamente perturbador, pois tudo o que envolve nossas extremidades gástricas causam essa sensação.

Mas verdade seja dita, em um momento em que a indústria cinematográfica está desgastada com remakes de filmes de terror clássico e sem conseguir emplacar um filme de qualidade, A Centopéia Humana chama a atenção pelo seu roteiro extremamente original, que prova a capacidade de inovar num segmento já saturado.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Wacflk6uelE[/youtube]

Mas para os que acham que a criação do Dr. Heiter está completa, enganam-se pois A Centopéia Humana II (Sequência Completa) já tem estreia prevista para 2011 e, de acordo com o diretor Tom Six, deve contar com uma centopéia formada por 20 pessoas e fazer o primeiro filme parecer a animação Meu Querido Pônei.

Pelo menos os vômitos e gargalhadas já estão garantidos para o ano que vem.

5 opinaram!

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  1. Eu achei o filme um lixo, mas tenho que admitir que ela tem alguns detalhes bem elaborados e interessantes. A última morte, apesar de não mostrar NADA, foi uma das cenas mais nojentas que já vi. E eu gostei do Dieter (na foto ali em cima ele parece Hitler + Mao), certamente torci pra ele durante todo o filme!

  2. Sim, meu sentimento de repulsa a esse filme foi grande, mas Dieter consegue fazer um vilão canastrão e bizarro que acabamos torcendo por ele.

    A burrice dos personagens contribui para isso mas o japonês era o único com certa atitutde e nem o nome dele é mencionado rs.

  3. Acho que nem é o caso de "ter que ser" ruim, mas o caso de o diretor e a produção não verem sentido em contratar atores bons e gastar mais dinheiro do que o necessário com pessoas que passarão o filme inteiro gritando E que passe pelas situações de um filme desses. Hahaha imaginem os testes de elenco do filme, devem ter sido hilários. Eu gostaria muito de ver isso nos extras do dvd.

  4. Isso é. Mas ainda assim, tem muitos bons atores independentes-indies-hippies que fazem trabalhos com qualquer exigência (incluindo falar um idioma da Himalaia e comer terra como Mylene Jampanoi em Valley of Flowers ou emagrecer 40kg como Christian Bale em The Maquinist) por uma grana ínfima, que com certeza não pegariam uma bomba dessas. =P

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