O Exorcismo é mais um genérico de possessão demoníaca

Após o sucesso de “O Exorcista” nos anos 1970, o tema da possessão demoníaca se tornou um filão no cinema de terror. O novo filme estrelado por Russell Crowe, “O Exorcismo” é um desses exemplos de que, passados mais de 50 anos, o mote ainda está longe de deixar de ser explorado pelos estúdios, embora…


The Exocrism capa

Após o sucesso de “O Exorcista” nos anos 1970, o tema da possessão demoníaca se tornou um filão no cinema de terror. O novo filme estrelado por Russell Crowe, “O Exorcismo” é um desses exemplos de que, passados mais de 50 anos, o mote ainda está longe de deixar de ser explorado pelos estúdios, embora os resultados nem sempre sejam exatamente bons.

A trama gira em torno de Anthony Miller, um ator problemático com um passado conturbado envolvendo drogas, e no momento está determinado a seguir um caminho de sobriedade. Mesmo enfrentando dificuldades para memorizar falas do roteiro, ele assume o papel de protagonista em um filme de terror, seu comportamento estranho e agressivo começa a despertar preocupações em todos ao redor, especialmente em sua filha, que teme uma recaída do pai. No entanto o que está por trás dessas mudanças pode ser algo ainda mais sinistro. Enquanto Anthony começa a questionar sua própria sanidade, sua filha investiga a possibilidade de uma força sobrenatural estar influenciando seu pai.

Fica claro que o filme busca combinar elementos de horror psicológico com um drama intenso sobre a luta pela redenção e a relação complexa entre pai e filha, envolto por uma atmosfera de tensão e mistério para manter o público preso do início ao fim. Ocorre que a inabilidade do roteiro escrito pela mesma dupla que dirige, M.A. Fortin e Joshua John Miller, sabota essa proposta.

Apesar de logo no início deixar bem claro o tom que será abordado, no desenvolvimento deixa a dúvida se realmente se trata de um longa de terror ou apenas um drama familiar. Até chegar o momento em que a história se decide pelo horror, há uma sucessão de jump scares e falsas revelações de perigo que não fazem o menor sentido. Apenas mostram o quão perdidos os cineastas estão.

Pelo título não é preciso fazer muito esforço para adivinhar qual a principal influência do filme. A fotografia, os planos, a edição, tudo remete ao clássico de 1973, porém com um aspecto mofado. Mesmo quando a trama realmente chega no ponto que nos interessa (e demora, viu) isso se dá de uma maneira tão esvaziada e anticlimática que o espectador já não se importa com o que vê e com a resolução.

Russell Crowe parece mesmo ter abraçado esse gênero de confrontos com o demo. “O Exorcismo” chega pouco tempo depois de “O Exorcismo do Papa”. E, claro, os dois filmes não têm nenhuma relação além da presença de Crowe no elenco e da pauta sobrenatural – mas, de fato, até o cartaz é muito semelhante. Assim como Liam Neeson criou para si a franquia do homem de família em busca e vingança, o ex-Gladiador pode estar enveredando pelo sobrenatural para faturar uns trocados a mais, uma vez que não deve voltar a empunhar a espada usando a toga e a sandália. Sua atuação é correta em boa parte e o script não dá margem para nada além do randômico. Samantha Mathis, que interpreta a sua filha, não fica muito distante do trivial.

Por fim, “O Exorcismo” pode até surtir algum interesse naqueles que possuem um interesse específico pela temática, ou pelos que se entusiasmaram pelo absurdo de “O Exorcismo do Papa” e querem conferir como Crowe se saiu em mais um contato com o coisa ruim. Fora isso não há nada que motive o fã de terror a dar um crédito a esse produto genérico.

O Exorcismo

O Exorcismo
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Nota: 5/10 – Regular
Nota: 5/10 – Regular
5/10
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