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“Negra Palavra Poesia do Samba” volta aos palcos

Negra Palavra Poesia do Samba por THAYSA LOTA

Cantados há mais de um século em terreiros, rodas, escolas de samba, ruas e avenidas, os sambas acompanham o cotidiano brasileiro, traduzindo não apenas a resistência da população negra, como também uma forma nacional de festejar, amar e estar no mundo. Em “Poesia do Samba” o Complexo Negra Palavra joga luz sobre uma certeza: todo samba é, antes de tudo, um poema vivo. Ao deslocar as letras do canto para a palavra falada, o espetáculo evidencia a sofisticação literária do gênero e reafirma o samba como uma das mais importantes expressões da poesia popular brasileira. A montagem fica em cartaz até dia 08 de fevereiro no Teatro Firjan Sesi Centro.

Dirigida por Muato e Renato Farias, a peça surge a partir do desejo de homenagear outro poeta negro, logo após o sucesso de “Negra Palavra Solano Trindade”.  O escolhido foi Nei Lopes. Ao perceber que as letras de samba têm a mesma força poética dos poemas escritos, os diretores decidiram ampliar o projeto: em vez de focar em um único autor, o grupo resolveu celebrar o vasto e potente conjunto de poetas-sambistas brasileiros.

A dramaturgia foi costurada em coletivo e guiada por uma pesquisa desenvolvida por Renato Farias há mais de 20 anos, que consiste em transformar poemas em narrativa cênica: “Poema-em-cena é uma dramaturgia composta por poesias selecionadas a partir de uma série de critérios que revelam quais poemas desejam mais a cena, ou seja, aqueles que não se realizam só quando são escritos, eles se realizam também quando são ouvidos”, explica.

Muato acrescenta que essa dramaturgia vai além do texto “mais do que as letras, dos poemas, a poesia do samba está na forma do sambista estar no mundo. A poesia é também como seu corpo se comporta e se relaciona. O samba é uma cultura que está em todos os poros do sambista e que se manifesta na sua existência de uma forma completa”.

Compreendendo que o samba nasce no feminino, nas casas que primeiro o acolheram, o Complexo Negra Palavra convida a atriz Olivia Araújo, única mulher em cena, para contribuir com sua experiência profissional e vivência pessoal diretamente ligada ao samba. Para o grupo, receber a atriz é reconhecer que as mulheres matriarcas do samba foram fundamentais para a sua criação, carregando um legado de consciência política, social e cultural.

“O elenco é inteiramente formado por homens negros. São corpos amorosos, poéticos e elegantes.  Neste trabalho, os protagonistas recebem o coroamento que é estar com Olívia Araújo, uma estrela, das grandes atrizes desse país. É o momento que esses homens recebem uma rainha, é o encontro desses atores com essa atriz, pessoas que amam o samba profundamente”, comenta.

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