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“O Hobbit: A Desolação de Smaug” subtrai a magia de sua matriz literária em nome do oportunismo

Dois momentos de “O Hobbit: A Desolação de Smaug” são bem interessantes dos ponto de vista dramático: o início, onde nos arremessa desmedidamente ao universo literário de J.R.R. Tolkien, e o fim, abrupto como todo “filme do meio”, mas com a força consequente de seu clímax. O que acontece no meio (e põe meio nisso, afinal são quase três intermináveis horas de filme) é que é o grande problema.

1379992839697_the-hobbit-2-su-tan-pha-cua-smaug-the-hobbit-the-desolation-of-smaug-b772e9Peter Jackson é um diretor de respeito. A trilogia “O Senhor dos Anéis” é irretocável na apropriação épica da fantasia cristã de Tolkien. Entretanto, não dá para entender sua condescendência mercantilista ao oportunismo hollywoodiano de transformar um livro relativamente pequeno e até conciso em três filmes de mais mais duas horas e meia cada. Neste capítulo do meio da trilogia, Bilbo (Martin Freeman), Gandalf (Ian McKellen) e a companhia liderada pelo candidato a rei Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage) continuam sua jornada inesperada rumo a Erebor para enfrentarem o dragão Smaug (na voz sinistra de Benedict Cumberbatch) e recuperarem o reino e o tesouro dos anões.
Logo, Gandalf parte para sua própria demanda paralela, buscando pistas sobre o retorno de um antigo mal na forma do Necromante, deixando seus pequenos amigos sozinhos. Caçados pelos orcs encabeçados pelo monstruoso Azog (Manu Bennett), eles encontram no caminho com o troca-peles Beorn (Mikael Persbrandt), com os elfos da Floresta das Trevas liderados pelo arrogante e obtuso Thranduil (Lee Pace) e com os homens da cidade do lago de Esgaroth, governados pelo corrupto Mestre da Cidade, tendo a ajuda – ou não – do príncipe élfico Legolas (Orlando Bloom), de sua capitã da guarda Tauriel (Evangeline Lily, em polêmica adição ao universo) e do arqueiro humano Bard (Luke Evans).

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Essa segunda parte da trilogia é ligeiramente melhor que a original, o que não quer dizer muita coisa, uma vez que “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” já era chatíssimo e um tanto problemático. Jackson fica preso em sua grandiloquência e para tal, enxerta história onde não tem e a sensação de repetição e inconsistência é uma contante. O tal dragão é realmente um assombro, mas dentro de um filme que delimite seu papel na saga e não o use como um elemento de um esticamento banal. J.R.R. Tolkien tinha uma imaginação sem limites. Só não contava que um dia diluiriam tanto esse seu talento.

[xrr rating=2/5]

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Publicação Renan de Andrade