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O Lado Falso da Vida

[Atenção Spoilers]

A sensação ao sair do cinema após assistir “O Lado Bom da Vida” (Silver Linings Playbook, 2012) é que eu e todos na sala fomos muito enganados. O filme talvez tenha um dos roteiros mais cheios de clichês do ano, copiando situações de um emaranhado de filmes e tentando sintetizar tudo em um longa só.

Antes de começar a analisar o filme em si, uma rápida síntese da história: Pat Jr. (Bradley Cooper) está internado em um hospital para tratamento psiquiátrico após pegar sua esposa com outro, espancar o cara e ter um surto psicótico. Sua mãe consegue uma ordem judicial para o retirar do hospital e dar continuidade ao seu tratamento em casa.

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Ao tentar retomar sua vida, inclusive com a ajuda de um amigo, ele conhece a cunhada deste amigo, Tiffany (Jennifer Lawrence) e os dois acabam por começar uma estranha amizade de pessoas com problemas de cunho psicológico e familiar.

O que começa como um filme atraente, analisando diversos espectros da mente humana e o que leva uma pessoa comum a ter um surto psicótico acaba por se tornar um filme bobo no melhor estilo sessão da tarde, com direito aquela típica situação “você esteve ao meu lado quando eu tava atrás de outra mulher e eu descobri que te amo”.

O maior problema que se pode criar com esse filme é que ele não ultrapassa os limites. Ele não vai além, ele se impoem uma barreira de não colocar os personagens principais de forma realista, muito pelo contrário, toda vez que pensamos que vamos ver algum tipo de prova realista, o diretor praticamente joga tudo para os ares e faz as coisas de forma caricata.

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Até mesmo quando vemos os surtos de Pat e Tiffany, logo em seguida tudo está bem e é como se nada tivesse ocorrido. O filme parece que sofre do mesmo problema que os protagonistas. Em um momento, a narrativa é agradável e concisa, de repente, nos vemos em meio a um turbilhão de emoções excessivas e situações exageradas. Não me levem a mal, esse tipo de coisa faz falta ao cinema atual, mas não da forma que é feito no filme. A cena da dança, com as variações nos tipos de música, com a idéia de demonstrar que os personagens são bipolares é totalmente abafada pelo desespero dos dois para ganhar uma nota 5 e sairem comemorando. Parece uma mistura de Dirty Dancing e Rain Man.

A falsidade que o diretor e roteiristas nos passam só não são piores que o que vemos em relação aos atores coadjuvantes. Robert De Niro no começo não tem qualquer presença no filme, estando tudo sobre Jacki Weaver, respectivamente pai e mão de Pat. O filme revira tudo e de repente, aquela figura materna magnífica do começo do filme desaparece para se tornar uma mulher subserviente a família e marido.

Somando-se a isso, usar a desculpa do futebol americano para colocar os personagens do amigo e do psicólogo de Pat juntos nos minutos finais do filme, como um grande aglomerado de elenco não só é um clichê como é o tipo de recurso que cineastas fazem para dizer ao empresário dos atores que eles tiveram todo tempo que seus contratos mandam.

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O diretor David O. Russell só tem um filme bom em sua carreira que é “Três Reis”, e só é bom porque em diversos momentos ele copia a Spike Jonze, que trabalha como ator nesse filme. Coincidentemente o estilo de Jonze da atualidade se assemelha muito ao de Russell daquela época. Claramente vemos que quem dirigiu aquele filme foi Jonze e não Russell.

Um diretor fraco, que não sabe escolher locações, ângulos e a edição é uma mistura que dói a qualquer um com um pouco de bom senso.

Havia muito tempo que eu não saia tão desgoso de um cinema e saber que Jennifer Lawrence ganhou o Oscar de Melhor Atriz só comprova a tese que os melhores não ganham o Oscar. Não que sua atuação fosse ruim, mas nem de perto foi a melhor do ano. Não recomendo este filme nem para os fãs da sessão da tarde. Dramalhão mexicano e comédia não se misturam bem.

[xrr rating= 0.5/5]

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Publicado por J.R. Dib

GamerCinéfiloMusicólogo

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