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O poder cinematográfico de Steve McQueen no ótimo "As Viúvas"

Há quem defenda que não existe separação entre o chamado cinema de arte e cinema comercial, apenas uma linha tênue. O cineasta Steve McQueen talvez seja esse ponto tênue entre visões cinematográficas hoje, no cinema norte-americano.
De artista visual com obras até no londrino museu Tate Modern até o oscarizável e contundente 12 Anos de Escravidão, McQueen construiu uma carreira que imprime um experimentalismo visual e um diálogo constante com espectador. Ao mesmo tempo com variações decrescentes de radicalidade. Esse repertório foi de suma importância para o êxito de seu novo e, digamos, mais comercial, longa: As Viúvas.
Com roteiro do próprio diretor com a escritora Gillian Flynn, que ganhou o mundo com seu best-seller Garota Exemplar, a trama gira ao redor de um assalto planejado por Harry Rawlings (Liam Neeson) e seu bando formado por Florek Gunner (Jon Bernthal),Carlos Perelli (Manuel Garcia-Rulfo) e Jimmy Nunn (Coburn Goss), que acaba não dando certo, resultado numa emboscada em que todos são mortos.
Até que suas viúvas – Veronica Rawlings (Viola Davis), Linda Perelli (Michelle Rodriguez), Alice Gunner (Elizabeth Debicki) e Amanda Nunn (Carrie Coon) acabam tendo que realizar o último assalto planejado por Harry, numa intriga que envolve a política local de Chicago, a própria polícia e suas coligações obscuras com o submundo.
O poder cinematográfico de Steve McQueen no ótimo "As Viúvas" | Ambrosia | Revista Ambrosia
A priori, trata-se de uma trama simples e até recorrente, mas o grande poder desse filme está na direção sempre inventiva e densa de McQueen. Ele costuma tratar seus personagens com um aprofundamento mais complexo que a superfície que os cerca. Por isso cada uma dessas mulheres têm um peso dramático cuidadoso, sobretudo Viola, cujo prazer em vê-la atuar é impressionante. Tanto que como trama narrativa o roteiro é protocolar, mas como desenvolvimento de personagens ele cresce de maneira potencial.
Corroborado pela bela fotografia de Sean Bobbitt, McQueen engrandece a natureza ordinária de sua história com o capricho visual de quem fez seu nome nas artes visuais e enxerga o cinema para além do que se espera dele. Ele se vale de metáforas imagéticas interessantes de se observar (repare no plano-sequência em que Colin Farrell conversa com sua assessora no carro, onde só ouvimos o áudio, e a imagem é apenas do veículo em movimento). Tanto que As Viúvas se apossa do gênero thriller sem sacrificar a humanidade de sua perspectiva. É a linha tênue que constrói a carreira de Steve McQueen. Por isso seus filmes são tão marcantes. E ótimos!
Obs: repare na música inédita da cantora Sade nos créditos finais
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Publicado por Renan de Andrade

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