O PRIMEIRO DIA DA MINHA VIDA
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O Primeiro Dia da Minha Vida: muito mais que um filme motivacional

Eles, a quem tantos torcem o nariz, já dominaram o mercado da literatura, e estenderam suas garras para o cinema. Estou falando dos livros e filmes de autoajuda ou motivacionais, o termo que você preferir. São obras que fazem o leitor ou espectador repensar a vida, olhar para ela com novas lentes, talvez – tomara! – modificar algumas atitudes. São um filão importante e crescente das artes, logo não podem ser simplesmente ignorados. Por isso voltamos nossa atenção para um filme motivacional aparentemente piegas que acaba de chegar aos cinemas: o italiano “O Primeiro Dia da Minha Vida”.

Um homem misterioso (Tony Servillo) percorre as noites recolhendo suicidas antes de eles darem seus últimos suspiros e lhes oferece uma experiência impactante durante uma semana e depois uma nova chance. Numa noite em particular, ele recolhe quatro pessoas à beira da morte. Eles são a policial Arianna (Margherita Buy), o palestrante motivacional Napoleone (Valerio Mastandrea), a ex-ginasta olímpica Emília (Sara Serraiocco) e o jovem YouTuber Daniele (Gabriele Cristini).

No primeiro dia, eles veem as consequências imediatas de seus suicídios, como a descoberta dos corpos e as primeiras homenagens. No terceiro dia, vão ao cinema assistir a imagens em movimento de pessoas que serão importantes em suas vidas, se eles não decidirem acabar com elas. No quinto dia, ganham uma viagem à praia e o poder de conseguir que qualquer desejo deles se realize. No sétimo dia, precisam tomar a grande decisão.

Todos têm motivos para estar sofrendo. Arianna perdeu a filha adolescente repentinamente, Emília ficou presa a uma cadeira de rodas após uma queda, os pais de Daniele não se importam realmente com o filho. Aparentemente não há problemas na vida de Napoleone, mas ele dorme e acorda sofrendo mesmo assim. A depressão não precisa ter causa transparente e definitivamente não é “falta do que fazer”, como os menos cultos podem apregoar. E ela não distingue entre idade, etnia ou religião: qualquer um pode sofrer de depressão, em qualquer momento da vida.

É uma boa surpresa a maneira como o personagem Daniele é bem construído. Por ser uma criança que sofria bullying, caminhos sinuosos poderiam ter sido tomados com seu desenvolvimento, mas o que vemos na tela é um garoto maduro, que sabe de seu sofrimento – o que fica patente na tocante carta de suicídio que ele deixa – e cujos pais não poderiam ser piores. Daniele tem uma mãe de pouca ação e um pai que se deslumbrou com o sucesso do filho fazendo vídeos para a internet. A mãe não sabe o que fazer, deixa tudo nas mãos do marido, que só pensa nos seguidores e no lucro que o filho traz. Sendo assim, Daniele precisa aprender a se defender não apenas dos bullies, mas também dos próprios pais.

“O Primeiro Dia da Minha Vida” pede que não estejamos passivos frente ao filme. O tema é espinhoso, podendo servir de gatilho para maus pensamentos, mas a película não foge da verdade, que os personagens descobrem aos poucos: somos substituíveis, mas ao mesmo tempo somos únicos. A origem destas histórias de esperança está num romance do próprio diretor Paolo Genovese, que decidiu adaptar sua obra para o cinema após reações positivas de quem leu o livro. Genovese resume assim a importância das duas obras: “Talvez neste momento precisemos de histórias que nos deem coragem, que nos estendam a mão”.

A mensagem que fica, a “moral da história”, não é sobre ser feliz o tempo todo. É sobre experimentar uma felicidade uma vez, e ela ser tão recompensadora que você passa a vida tentando reencontrá-la. Porque a vida é assim: não importa o destino, mas sim a caminhada. Clichê? Talvez. Mas o que seria do cinema – e da literatura – sem os clichês verdadeiros?

O Primeiro Dia da Minha Vida

O Primeiro Dia da Minha Vida
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Nota: 5/10 Regular
Nota: 5/10 Regular
5/10
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