Em 5 de novembro de 1896, a primeira sessão de cinema de Porto Alegre foi realizada em um salão na Rua dos Andradas, no centro da cidade. Exatamente 130 anos depois, a pioneira projeção será reeditada com alguns dos filmes exibidos na época. São curtas-metragens produzidos com as precursoras imagens em movimento captadas no mundo. Entre os destaques, estão o icônico título francês Dança Serpentina, que registra a célebre coreografia criada pela dançarina Loie Fuller, e A Chegada de um Trem na Estação, dos irmãos Lumière, além de curtas do pioneiro Georges Méliès. A exibição vai acontecer no dia 5 de novembro, às 19h, na Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico), que promove a programação especial juntamente com a Coordenação de Cinema e Audiovisual da Secretaria Municipal de Cultura da capital. Na mesma noite, o público irá assistir ao longa Sonho sem Fim (1986), de Lauro Escorel, sobre o pioneiro do cinema Eduardo Abelim (1900-1984), que foi rodado em Pelotas. Os ingressos gratuitos serão distribuídos a partir das 18h. O evento vai marcar a abertura da mostra A Invenção do Cinema, totalmente com entrada franca, que vai apresentar, até o dia 13 do mesmo mês, produções históricas nacionais e estrangeiras.
O projeto também deixará marcas na cidade para recuperar a história do circuito cinematográfico que a região central de Porto Alegre já teve. Nos endereços que abrigaram 20 cinemas de rua, serão fixadas placas permanentes com informações sobre cada sala, além de um QR Code para acessar fotos e outros dados. A pesquisa e produção de conteúdo são da historiadora Alice Dubina Trusz (autora dos livros Entre Lanternas Mágicas e Cinematógrafos e Verdes Anos) e do jornalista e pesquisador Cristiano Zanella (autor da obra The End – Cinemas de Calçada em Porto Alegre 1990/2005). Nos dias 7 e 21 de novembro, às 9h, a dupla irá conduzir visitas guiadas no percurso mapeado com saída a partir da Cinemateca Capitólio.
— É uma memória que permanece muito viva no coração de muitos porto-alegrenses, que ainda hoje guardam histórias, lembranças e relatos afetivos dessas salas. Mas também uma forma de aproximar os mais jovens que desconhecem essa história. É recuperar e valorizar a memória da vida do Centro Histórico por meio das salas de cinema, resgatando os espaços que existiram, os prédios que já não existem e outros que hoje possuem outro fim mais ainda guardam traços dos nossos antigos cinemas — comemora Daniela Mazzilli, titular da Coordenação de Cinema e Audiovisual da Secretaria Municipal de Cultura e diretora da Cinemateca Capitólio.
>> DESTAQUES DA MOSTRA A INVENÇÃO DO CINEMA
Em 1896, Francisco de Paola e Dewison apresentaram aos porto-alegrenses as primeiras imagens em movimento produzidas no mundo. O público ficou perplexo ao assistir às “fotografias animadas” reproduzindo “cenas da vida”. A primeira sessão de cinema da capital gaúcha ocorreu apenas 11 meses após a projeção inaugural do cinematógrafo dos irmãos Auguste e Louis Lumière em Paris, no dia 28 de dezembro de 1895.
— A sessão em Porto Alegre foi formada por vários curtas-metragens. Nos primeiros anos do cinema, as sessões eram sempre de curtas, não existiam longas ainda. O primeiro longa-metragem da história do cinema só seria lançado em 1906, mais de uma década após a sessão inaugural dos irmãos Lumière. A mostra também irá apresentar filmes marcantes dos primeiros anos do cinema, realizados nas duas primeiras décadas do século 20 — filmes silenciosos, sem diálogos, como eram os filmes na época — e ainda produções que têm como tema esse período inicial do cinema, como A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, e No Mundo do Cinema, de Peter Bogdanovich — explica Marcus Mello, crítico de cinema e programador da Cinemateca Capitólio.
Há muito tempo sem ser exibido na capital, o longa-metragem Sonho sem Fim (1986), de Lauro Escorel, é protagonizado por Carlos Alberto Riccelli e Débora Bloch e também conta com vários atores gaúchos no elenco, como Mirna Spritzer, João Carlos Castanha, Pedro Santos, Zeca Kiechaloski, Nora Prado, Marta Biavaschi e Xala Felippi, entre outros.
>> O CIRCUITO CINE-AFETIVO
O projeto apresenta um extenso levantamento biográfico das salas de calçada da região central da cidade, celebrando a história, a memória e os tempos de glória dos cinemas que marcaram época em Porto Alegre e que, mesmo fisicamente ausentes, permanecem vivos no imaginário dos cinéfilos locais.
Por meio das placas instaladas nesses endereços, será possível acessar informações históricas e técnicas sobre cada sala. Uma novidade que irá traçar um circuito cinematográfico. O roteiro listou verdadeiros “palácios de sonhos”, como o monumental Cacique, o familiar Victoria, o popular Carlos Gomes, o Imperial, o Guarani, o Capitólio, o São João, o Rex, o Palermo e o velho Marabá. Além desses espaços conhecidos e consagrados, o projeto incluiu salas pioneiras do início do século, como o Recreio Ideal (primeiro cinema da capital), o Íris, o Smart Salão, o Avenida e o Central, entre outras.
A inspiração veio da capital pernambucana.
— Em março, estive em Recife acompanhando a secretária Liliana Cardoso e pude conhecer de perto um movimento muito forte de valorização e preservação da memória das antigas salas de cinema da cidade. Ao retornar a Porto Alegre, e pensando na própria relação da Cinemateca Capitólio com a história das antigas salas de calçada, surgiu a ideia de identificar a história do Centro Histórico a partir dos inúmeros cinemas que fizeram parte de sua paisagem e de sua vida cultural de toda cidade — conta Daniela Mazzilli.
>> SESSÃO INAUGURAL DA MOSTRA
QUANDO: 05/11, quinta-feira, às 19h.
ONDE: Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre)
QUANTO: Gratuito com distribuição de senhas a partir das 18h.
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: Livre













