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“Os Vingadores” de Joss Whedon

Até meados do ano de 2007, a Marvel Comics era apenas mais uma editora que havia licenciado uma boa parte dos direitos de filmagem de seus principais personagens para produtoras como Sony e Fox, com resultados espetaculares, medianos e péssimos.

"Os Vingadores" de Joss Whedon | Filmes | Revista Ambrosia

O problema todo é que a empresa não tinha qualquer voz de comando na hora de dar pitacos em roteiros, escalação de elenco e diretores. Isso mudou a partir do momento em que a empresa resolveu seguir e desenvolver ela mesma seus próprios filmes, com a produção e logística da Paramount como apoio.

O acordo com a Paramount incluia o desenvolvimento de diversos filmes da editora que culminariam com o filme dos Vingadores, unindo na mesma película, Homem de Ferro, Thor, Capitão América e Hulk.

Essa idéia começou a ganhar força em cada filme, criando laços e vínculos entre os personagens, dando a entender que todos viviam no mesmo mundo e que tinham ciência dos fatos ocorridos nos filmes distintos. Tal nuance simples, porém eficaz, é que faz com que os Vingadores seja senão o melhor, um dos melhores filmes baseados em histórias em quadrinhos já feito.

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Vingadores começa com uma breve explicação das motivações de Loki (Tom Hiddleston) em se unir a uma raça extraterrestre para invadir a Terra e a dominar. A partir daí, o que se vê são pontas soltas deixadas pelos outros filmes da Marvel sendo perfeitamente unidas pelo sólido roteiro de Joss Whedon.

Usando o Tesseract (ou Cubo Cósmico no cânone da editora), Loki planeja abrir um portal na Terra para a invasão dos Chitauri. Contra isto, Nick Fury (Samuel L. Jackson) e a S.H.I.E.L.D. juntam os heróis que devem, antes de mais nada, resolver seus problemas internos, para poder salvar o planeta.

Sendo Loki o deus da trapaça e da discórdia, manipular os seres humanos é algo banal e as cenas com Tom Hiddleston são um show a parte pois se vê que as motivações de Loki, apesar de não serem megalomaníacas como se imaginaria, ganham ares de rusga e baixeza a partir do momento em que ele quer escravizar a humanidade para atingir seu meio-irmão, Thor (Chris Hemsworth).

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As motivações de Loki aparentam sua própria índole, de discórdia, manipulação e trapaça. Ele age através dos outros e não pessoalmente.

Do outro lado, vemos um Capitão América (Chris Evans) tentando achar seu lugar no mundo e se unindo a Fury para evitar este mal. Juntan-se a ele Viúva Negra (belamente interpretada por Scarlett Johansson) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), ambos assassinos e espiões da S.H.I.E.L.D. que encontram um propósito na trama toda. Com a chegada de Thor, Bruce Banner e Tony Stark respectivamente, o grupo começa a tentar se unir contra o inimigo comum, só que unir seres tão poderosos em um grupo é algo extremamente difícil.

A interação entre os personagens com certeza é o ponto alto do filme. Aqui vemos a luta de egos entre Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo, inigualável), ou melhor, com o grupo todo. Stark se vê como a estrela do grupo e acha que todos os outros, inclusive Thor, devem respeitá-lo como tal.

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O prazer de se assistir um filme como Vingadores, além das fantásticas batalhas, especialmente a que toma conta de todo terceiro ato do filme, é a de assistir de camarote enquanto Loki manipula cada um dos membros do grupo a sua maneira a fim de quebrar o elo entre eles.

Nos quadrinhos, Loki é a razão da união da primeira formação dos Vingadores e aqui não é diferente. Inconscientemente ele acaba por unir todos contra ele e quando se tem o Hulk ao seu lado, dificilmente a coisa toda será bonita de se ver.

Na parte mais tecnica, o 3D do filme, convertido na pós produção tem seus momentos de brilho e seus momentos de extrema artificialidade, com planos sobrepostos e confusos. A trilha sonora de Alan Silvestri, com músicas de Soundgarden, Bush, Evanescence e outros é um show à parte. Não há sobreposição e deslocamento de atenção, muito pelo contrário.

Em uma cena em específico, no museu alemão, a trilha muda de tom e passa a tocar uma música clássica, que eu ainda preciso descobrir qual é e o próprio filme a acompanha, mudando seu ritmo. Foi uma ótima sacada da edição final e que merece nota.

Como vocês perceberam, eu evitei ao máximo colocar algo aqui que pudesse comprometer o prazer de quem ainda não viu o filme que estréia hoje nos cinemas e não era exatamente essa a intenção. Vingadores é um filme que pode ser plenamente apreciado pelos leigos que sequer sabem porque o Capitão América lutou na segunda guerra mundial e está jovem até hoje, quanto pelo fã mais radical que vai ficar até o fim dos créditos para ver a cena extra.

[xrr rating=5/5]

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Publicado por J.R. Dib

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