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Personalidades do cinema: Jeffrey Jones

Quem assistia frequentemente à Sessão da Tarde lá pela primeira metade dos anos 90 certamente lembra-se de uma figura alta, de olhos claros que fez participações em alguns filmes constantemente reprisados na época, e que poderia passar despercebida em meio a uma multidão de WASPs nos Estados Unidos, isso, é claro, se não estivesse atuando, momento em que sua aparência comum dava lugar a um individuo de carisma sui generis. Jeffrey Jones nunca fez um protagonista em sua carreira cinematográfica, mas deixou um legado de coadjuvantes que, devido a seu talento nas artes dramáticas, literalmente roubaram a cena.

Nascido Jeffrey Duncan Jones, em 28 de setembro de 1946, na cidade de Buffalo, Estado de Nova Iorque, foi incentivado pela mãe, Ruth desde cedo a  enveredar pelas nas artes cênicas. Seu pai, Douglas Bennett Jones, morrera quando Jeffrey ainda era criança. No colegial, chamou a atenção por sua atuação em uma montagem de Hamlet e quando concluiu o ensino médio em Putney, Vermont, decidiu-se definitivamente pela carreira de ator, abandonando a idéia inicial de cursar medicina. Após uma breve passagem pela Sylvia Herpolscheimer Academy of the Performing Arts, Jeffrey ingressou na Lawrence University onde fez parte da fraternidade Beta Theta Pi. Em 1967, sua atuação em uma montagem na universidade da peça Papai é Do Contra de Harold Brighouse chamou a atenção de Tyrone Guthrie, que o convidou para ingressar no conceituado Guthrie Theater em Minnesota.

Com desiderato de expandir os horizontes, Jeffrey se mudou para Londres dois anos depois para cursar a London Academy of Music and Dramatic Art onde permaneceu por quatro anos e logo após ingressou o Stratford Theater em Ontário no Canadá por três anos.

Debutou no cinema em 1970 no filme The Revolutionary, de Paul Williams e estrelado por Jon Voight no qual fez uma pequena participação creditado como Jeff Jones. Passado um período de pequenas aparições em filmes, telefilmes e episódios de seriados de TV nos anos 70, o ator teve seu primeiro papel de destaque na comédia Easy Money, no ano seguinte interpretou o Imperador José II no vencedor do Oscar, Amadeus.

O papel que marcaria sua carreira veio dois anos depois na comédia adolescente (hoje um Cult incontestável) Curtindo A Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off). Na trama dirigida e escrita pelo Midas dos filmes adolescentes John Hughes, Matthew Broderick interpreta o garotão boa vida Ferris Bueller que se vale de todo o tipo de artimanhas para enganar os pais e matar aula no colégio. Todos, inclusive os pais acreditam na saúde frágil de Ferris, menos sua irmã (interpretada por Jennifer Grey) e o diretor Ed Rooney magistralmente interpretado por Jeffrey. Rooney é o nêmesis de Ferris e não poupa esforços para desmascará-lo em um jogo de gato e rato que em muito lembra os desenhos de Tom e Jerry, Papa Léguas e Pica Pau em que o perseguidor passa por maus bocados sem que a vítima mova uma palha.

Jovens no mundo inteiro se realizaram imaginando seus respectivos diretores e inspetores na mesma situação. As expressões faciais típicas de um psicótico com o tema de Bob McFerrin ao fundo fizeram de Rooney um dos personagens coadjuvantes mais marcantes do cinema.

Ainda em 1986, atuaria em Howard, O Super Herói, adaptação dos quadrinhos da Marvel em que um pato alienígena cai na Terra e conta com a ajuda da bela roqueira Beverly (o pitéu Lea Thompson) e do Dr. Jennings interpretado por Jeffrey que acaba sofrendo uma “possessão alienígena”. O filme não agradou à crítica e também não entusiasmou o público, originalmente uma série em quadrinhos voltada para o público adulto seguindo uma linha similar a Fritz, The Cat de Crumb, Howard foi transportado para o celulóide de maneira infantil, sem conseguir atrair esse público.

Jeffrey ainda realizaria uma profícua colaboração com o diretor Tim Burton participando de Os Fantasmas se Divertem, da obra prima Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e no momento empresta a voz a Mr. Chambers em Frankenweenie, versão longa metragem do cultuado curta do diretor.

Em 2003 foi preso em flagrante por posse de pornografia infantil. O ator pedira para um menino de 14 anos posar nu em fotos sensuais. Não contestou e foi condenado a ter seu nome incluído no rol dos criminosos sexuais e a receber aconselhamento profissional. Em 2004 voltou a ser preso por não comunicar sua mudança de endereço e novamente em 2010 por não atualizar seu registro na policia como criminoso sexual e em 28 de setembro foi condenado a 250 horas de serviço comunitário. Apesar do escândalo, tal fato não eclipsou o seu mosaico de personagens coadjuvantes que arrancaram risos de toda uma geração de cinéfilos para os quais Jeffrey será eternamente lembrado não como um pervertido sexual, mas como o diretor caçador de gazeteiros Ed Rooney.

2 opinaram!

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  1. Para mim a lembrança mais notória é do filme do Howard, porque me lembro dele nas sessões da tarde da rede Globo. Ele é um ator muito bom mesmo, é uma pena que nunca o aproveitaram para um protagonista, mas como vilão e, por vezes, alguns papéis de comédia que fez, foram muito bem executados.

    Muito bom o texto.

    Poderia fazer de outros atores e atrizes. É um bom lembrol (HP1)!!

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Maestria

Publicado por Cesar Monteiro

VerificadoEscritorVideocastCinéfiloMusicólogoRepórterSuper-fãs

Estreia: Falling Skies

GLEE continua sendo bem bonitinha mas muito ordinária