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Precisamos de um filme (solo) do Han Solo?

Dentre todos os personagens da saga Star Wars, Han Solo é um dos mais amados perdendo, talvez, somente para Darth Vader e Yoda. Desde que a Lucasfilm foi comprada pela Disney, a empresa revitalizou a franquia, criando série animada para a TV, a continuação da saga, com uma nova triologia, e ainda tomou uma decisão mais polêmica, a de criar filmes derivados (spin-offs), inclusive alguns focados em determinados personagens.

Rogue One: Uma História Star Wars, o primeiro dessa linha, está prestes a estrear (chega aos cinemas em 15 de dezembro) e irá trabalhar com uma história que é citada durante a mitologia, mas nunca escrita: o roubo dos planos da Estrela da Morte. O próximo spin-off a ser desenvolvido, e que já está com elenco sendo escalado, é focado no passado do contrabandista Han Solo. Acho que um filme solo que a companhia do Mickey poderia criar primeiro, seria o protagonizado pelo Mestre Yoda, pois poderia trabalhar com a história primitiva dos Cavaleiros Jedis, os mistérios da Força e criar diversos personagens novos que não mexeriam com a cronologia da série.

Alden Ehrenreich, o novo Han Solo
Alden Ehrenreich, o novo Han Solo no vindouro spin-off

Já esse filme do Han Solo tem diversos problemas a serem superados: nós já conhecemos o personagem como um carrancudo mercenário que só liga para si, sua nave e seu companheiro de viagem wookie. Como se desenvolverá esse personagem? Ele precisa passar por uma mudança no curso da trama, senão será uma história sem propósito. Isso causa uma certa preocupação. Começo a imaginar que ele começaria como um personagem nobre, boa praça inocente e que no fim seria modificado. Como?  Por ser traído pelos melhores amigos?(não!) Por uma desilusão amorosa?(nããão!)

Certas histórias ficam melhores só como passagem contada pelos personagens e sendo imaginadas pelos fãs.  Tomemos como exemplo as Guerras Clônicas (sou do tempo da dublagem original, afinal de contas, sou velho). Certamente grande parte do público antigo da saga prefere manter na lembrança a história contada por Obi Wan Kenobi a Luke em “Uma Nova Esperança” no lugar daquela que foi mostrada em “Star Wars: Episódio II – O Ataque dos Clones”.

Importante salientar que as histórias pregressas que conhecemos de Solo fazem parte da graça do personagem. As informações que temos nos bastam. Imagino como pode ser ridículo mostrar uma cena de jogo de azar somente para mostrar como ele ganha a Millenium Falcon de Lando Calrissian, ou criar o momento no qual ele perde a carga de contrabando do Jabba The Hutt. São fatos que estariam no filme apenas para criar o fanservice, mas que podem ser sem propósito para com a história do filme.

E chegamos ao principal problema dessa proposta do filme: grande parte do carisma do personagem está em Harrison Ford. Tente pensar se Han Solo faria o mesmo sucesso se fosse feito pelo Christopher Walken, como foi pensando originalmente. Ou pelo Tom Selleck (e seu bigode), a primeira opção para Indiana Jones. A cena mais lembrada pelos fãs do personagem foi a improvisação do ator em “O Império Contra-Ataca”. Achando que a fala original seria ridícula e não respeitaria a essência de Solo quando prestes a ser congelado na carbonita, Ford mudou seu texto na última hora. Em vez de responder ao “eu te amo” da Princesa Leia com algo como “eu te amo também” simplesmente vira e diz “Eu sei”. Isso simboliza o que o personagem representa e se dependesse apenas do que estava no texto de George Lucas, poderia ser apenas mais um na trilogia Star Wars.

A pergunta de falta, depois de tudo isso é se verei esse filme quando lançar e lhes digo: sim. E no primeiro fim de semana, louco para saber como ficou o resultado. Afinal fã de Star Wars é assim, reclama, mas não consegue largar a franquia do seu coração. Somos cinéfilos e adoramos conferir na telona o que foi feito com o universo que nos é tão caro. E, se for ruim, reclamaremos disso e sentaremos com os amigos para discutir e afogar o amargor da decepção por horas a fio.

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