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Quinto “Duro de Matar” é o mais fraco da série

Já fazem 25 anos desde que John McClane (Bruce Willis) surgiu pela primeira vez para o grande o público de maneira arrebatadora no primeiro (e ainda melhor) “Duro de Matar”. Com uma ótima trama e cenas de ação antológicas, o policial de Nova York enfrentava sozinho, na Califórnia, uma quadrilha de ladrões sofisticada que tomou um prédio durante a noite de Natal. Tudo para salvar sua amada esposa Holly (Bonnie Bedelia) das mãos dos bandidos liderados pelo carismático vilão Hans Gruber (Alan Rickman).

Com o sucesso no mundo todo, não demorou para que “Duro de Matar” tivesse mais três continuações em 1990, 1995 e 2007, com bons resultados. Mas nenhum deles, embora divertidos, chegou aos pés do original.

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Agora, John McClane está de volta em “Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer” (“A Good Day To Die Hard”). Desta vez, ele deixa os Estados Unidos para trás e vai para Rússia, tentar entender porque o seu filho Jack (o pouco conhecido Jai Courtney, que participou de “Jack Reacher – O Último Tiro”), com quem tem um mau relacionamento, foi preso por assassinato em Moscou.

Assim que chega à capital russa, acontece uma grande confusão e John acaba ajudando o filho a escoltar Yuri Komorov (Sebastian Koch), um homem que pode ter um dossiê contra seu ex-parceiro Chagarin (Sergey Kolesnikov), possível candidato à presidência da Rússia. Aos poucos, o tira veterano descobre que o filho, na verdade, é um agente da CIA e os dois acabam se unindo, ainda que a contragosto, para concluir a missão e enfrentar uma quadrilha de criminosos muito bem armados. Mas, como é comum na série, há reviravoltas no caminho dos heróis.

O problema é que, dessa vez, a história não é envolvente, como nos filmes anteriores, e o roteiro (assinado por Skip Woods, de “A Senha: Swordfish”) peca por criar situações muito forçadas na trama, os vilões são pouco interessantes e as partes cômicas não convencem. Um exemplo: o personagem de Willis diz a todo o tempo: “Eu estou de férias!” antes de entrar em ação. Esse tipo de piada era legal nos tempos de “Um Tira da Pesada”. Hoje, soa completamente deslocada e sem graça. Além disso, os diálogos que John e Jack travam para discutir a relação entre pai e filho são absolutos clichês e não fazem o espectador torcer para que os dois façam as pazes. Outro problema também é que as surpresas que aparecem no filme são óbvias demais e que são percebidas bem antes que aconteçam na telona.

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Outro fator que também enfraquece “Duro de Matar: Um Bom Dia Para Morrer” foi a direção pouco inspirada de John Moore (dos fracos “Max Payne” e o remake de “A Profecia”). As cenas de ação são pouco empolgantes e algumas delas mostram que o diretor sonha em fazer um filme da série 007. Uma delas causa a maior destruição pelas ruas de Moscou durante uma perseguição de carros, algo que não era visto desde que Pierce Brosnan pegou um tanque para salvar a mocinha em “007 Contra Goldeneye”. Outra, que até aparece em alguns trailers, mais parece um pastiche do que Marc Forster fez em “007 – Quantum of Solace”.

Além disso, Moore parece ser fã da câmera lenta, usando-a várias vezes na trama. Na maioria das vezes, desnecessariamente, como na cena em que Chagarin fala ao telefone no meio da rua. Se este recurso não tivesse sido usado nesse momento, não faria falta. Assim como a “ponta” que faz Mary Elizabeth Winstead, que repete o papel de Lucy, filha de John McClane, que apareceu pela primeira vez em “Duro de Matar 4.0”. Uma pena, pois a atriz foi desperdiçada no filme.

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Mas o filme se apoia mesmo no carisma de Bruce Willis. Fica claro que, sem ele, não existe “Duro de Matar”, mesmo com a idade avançada. O ator mostra que ainda tem muito gás para fazer outras sequências nos próximos anos. Porém, os produtores e roteiristas precisam de uma história melhor e um diretor mais apropriado se quiserem fazer novas aventuras do cara que está sempre na hora errada no lugar errado. Afinal, é isso que faz John McClane um herói especial no cinema de ação. E sempre é um prazer ouvi-lo gritar “Yipee Ki-Yay, motherfucker!!!”

[xrr rating=2/5]

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Publicado por Célio Silva

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