AcervoCríticasFilmes

“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” proporciona boa diversão engessada à fórmula Marvel

“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” já é o segundo filme da fase 4 da Marvel no cinema, e o primeiro seguindo a cronologia – já que “Viúva Negra” se passa entre “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra Infinita”. Mas por enquanto parece que apego à fórmula Marvel permanece forte. Se “Viúva Negra” era acusado de não trazer nenhuma novidade narrativa, “Shang-Chi” também não se arrisca a ousar. No entanto, até pelo fato de trazer um personagem totalmente inédito, é mais relevante para o MCU.

Na trama, Shang-Chi, é um mestre do Kung Fu que se vê é forçado a confrontar seu passado após ter atraído as atenções da organização dos Dez Anéis. Agora ele terá que lidar com um inimigo do qual ele nunca pôde se desvincular.

Shang-Chi foi criado em 1973 pegando carona na onda de artes marciais dos filmes de Bruce Lee e da série Kung Fu estrelada por David Carradine. A Marvel, que já tinha surfado na onda do blaxploitation com Falcão e Luke Cage, tinha Shang-Chi e Punho de Ferro para trazer aos quadrinhos as cenas de pancadaria estilizada das películas made in Hong Kong. Dessa inspiração inicial pouco se vê no filme. A influência maior são os animes (o terço final é puro Dragon Ball), os longas de Jackie Chan dos anos 90 e os wuxia dos anos 2000 como “O Tigre e o Dragão” e “Herói”.

O diretor Destin Daniel Cretton conduz essa estreia de Shang-Chi no cinema de forma competente obedecendo a demanda do estúdio de produzir um bom entretenimento sem arroubos autorais. E, claro, observando as regras básicas da fórmula Marvel. Cretton assina, junto com Dave Callaham (de Mulher-Maravilha 1984) e Adrew Lanham, o roteiro que se mostra eficiente na diversão na mesma proporção de sua simplicidade e falta de ambição.

Simu Liu  encarna o protagonista com galhardia e, quando exigido, humor. Ele apenas sofre pela falta de dimensão de que sofre o personagem. Mas vale ressaltar que, ao contrário do Pantera Negra que teve sua introdução em Guerra Civil e depois um filme solo para poder ser devidamente desenvolvido, Shang-Chi não teve o mesmo tempo disponível. Contudo também devemos recordar que Homem de Ferro, Capitão América, Thor e Capitã Marvel, por mais que haja divergência quanto à qualidade de seus filmes de estreia, foram introduções de personagem bastante satisfatórias.

Tony Leung é de longe o melhor em cena. O ator traz toda a experiência de quem protagonizou verdadeiros tratados como “Amor à Flor da Pele” e “2046”, ambos do cineasta chinês Wong Kar-Wai. Sob a batuta do diretor ele também esteve em outro longa que versa sobre o Kung Fu, O Grande Mestre. Mas aqui, seu vilão é beneficiado por ser o personagem com mais nuances.

Awkwafina repete o papel que já vem se tornando uma constante em sua carreira. E Michelle Yeoh é extremamente subaproveitada. Já Benedict Wong com sua breve participação é um dos trunfos do filme como Wong, personagem do universo de Doutor Estranho.

Por fim, “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis” cumpre seu papel de dar as boas vindas ao novo herói da Marvel, um herói sem super poderes que teria nessa característica um terreno fértil para que o estúdio subvertesse o seu modus operandi narrativo. Mas optou-se pela segurança, contrastando com as séries do MCU, mostrando que provavelmente o cinema será a casa das velhas ideias, deixando a inovação para a TV. A cena pós-créditos aponta para algo bem interessante para o futuro.

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas 

Deixe um comentário

Sugeridos
FilmesGamesTrailersVideos

‘Street Fighter’ Inova ao Lançar Trailer Jogável em Clima de Arcade Anos 90

Prévia interativa no YouTube Playable permite que fãs executem combos e golpes...

AstrosFilmes

Tim Curry (1946–2026): O Sorriso Sombrio que Iluminou a Cultura Pop

De cientista louco de salto alto em Rocky Horror a palhaço demoníaco...

CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

AstrosFilmesListasMúsica

Dolly Parton e Suas Parcerias Mais Inusitadas

De duetos com os Beatles e Sylvester Stallone a participações em comédias...

CríticasTeatro

Excelente montagem de A Gaivota, de Tchekhóv

O Armazém Companhia de Teatro está de volta com uma nova montagem...

CríticasMúsicaShows

Após longo hiato, Flávio Venturini festeja 50 anos de carreira no Rio com show inspirado

Assistir a um show do cantor, compositor e tecladista Flávio Venturini sempre...

CríticasSéries

Segunda temporada de “Treta” fica aquém do brilhantismo da primeira

Você sabe o que é uma série de antologia? É aquela série...