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Subestimada, “Din e o Dragão Genial” merece sua atenção

Seguindo outras produções, a Netflix traz mais uma animação agora com a temática sobre o valor da amizade, Din e o Dragão Genial, produção da Sony Pictures Animation, que cativa muito pelo envolvimento de seu diretor, Chris Appelhans, um ilustrador que trabalhou no departamento de arte em produções como Coraline e o Mundo Secreto, A Princesa e o Sapo, e  A Origem dos Guardiões, entre outras.

A história é bem simples e lembra muito o conto de Aladim que conhecemos. Narrando a jornada de Din (dublado por Jimmy Wong) e Li Na (Constance Wu), que quando crianças fizeram a promessa de nunca esquecerem de ser sempre amigos.

Dez ano depois, Li Na viverá uma vida cheia de luxo e requinte longe da cidade onde os dois cresceram e viveram mil aventuras e o jovem Din fazendo bicos de entregador para conseguir reencontrar sua amiga. Um dia ele encontra uma lâmpada mágica, ou melhor, um bule mágico do qual sai não um Gênio … mas um dragão que lhe concede 3 desejos.

Obviamente, é difícil não ver o filme como uma versão moderna de Aladdin, desta vez na caótica e moderna Xangai, centrada na amizade e nas origens, com a mensagem comum de que riqueza não traz felicidade.

Din e o Dragão Genial, no original, Wish Dragon. tem um enredo que soa familiar ao conto de Aladdin ou as versões da Disney, mas é só base referencial da animação, pois há uma diferença fundamental entre os dois, e é o dragão que dá o título a produção animada da Netflix. Não só por ser fisicamente diferente, visto que o Gênio é o que todos nos lembramos do filme da Disney.  Uma entidade mágica toda azul e aqui temos um dragão rosa que não é um gênio, mas porque é um personagem inesperadamente complexo.

Durante o filme vemos como ele começa como um personagem irritante, mas aos poucos se torna um dos personagens mais charmosos do filme com suas próprias motivações, o que cria uma relação entre Din e Long completamente diferente do que vemos entre Aladdin e o Gênio. Se dermos uma chance ao filme e continuarmos, perderemos como essa história se desenrola.

Outra coisa surpreendente sobre O Dragão dos Desejos é como sua história transforma o clássico “menino quer menina” em outra narrativa; contra todas as probabilidades, Din admite que não quer que Lina se apaixone por ele, ele apenas a quer de novo sua melhor amiga, algo que não é mais visto nesses tipos de histórias, ou pelo menos nesses tempos, e dá outro toque ao filme porque o romance não é o objetivo final dos desejos como era em Aladim.

O conflito social de fundo


Atravessando os telhados e becos dos subúrbios de Xangai, a aventura se passa ao longo de dez anos de crescimento econômico e conflito social na China que conhecemos. O Dragão do Bule representa a sabedoria milenar da cultura local ancestral e torna-se uma maneira de Din subir na escada social, algo que não conseguiu graças aos seus estudos.

É claro que há muitas referências a Aladdin, mas também temos um toque de Peter Pan, já que Din parece ignorar que, quando crescemos, inevitavelmente teremos que se adaptar ao ambiente social. A magia do dragão é apenas o empurrão que este adolescente precisava para voltar a acreditar em si mesmo e descobrir a vida como ela é, tanto a nível familiar como social, e aprender a importância do esforço e do apoio de quem o ama.

A parábola moral no centro da trama, bem como o previsível triunfo dos sentimentos sobre as diferenças de classe, são introduzidos nesta China em que a modernidade coexiste em desordem com a tradição e em que as classes sociais estão mais separadas do que nunca. Apesar de ser um filme para um público jovem, agradecemos que apresentem todos estes valores que com certeza irão penetrar nos mais pequenos.

Um filme muito asiático sem ser isso


A nível visual, a animação é onde se destaca, com um design de personagem marcante e uma animação fluida e detalhada, mas que ganha destaque ao explorar a cultura asiática. Tendo lugar na China, mesmo como uma animação, a estética do país é perfeitamente capturada graças à arquitetura, comida e roupas, e até mesmo nas poucas mas rápidas cenas de ação em que vemos lutas corpo a corpo, percebendo a sombra de Jackie Chan (produtor) por trás do projeto.

E embora nem o roteirista nem o diretor sejam asiáticos, e nenhum dos personagens fale mandarim, pelo menos todo o elenco de vozes é asiático e isso ajuda a amplificar a sensação de assistir a uma produção chinesa. Na verdade, não é uma produção feita para os asiáticos, mas um filme sobre a cultura asiática feito para todos, trazendo o Extremo Oriente para as nossas telas.

Din e o Dragão Genial não nos traz nada de novo, nem é uma nova história, mas claramente nos diverte com suas cenas de ação e nos empolga pelo tema que envolve família e amor, deixando uma mensagem para a mudança pela qual passou a China nos últimos anos, principalmente no crescente fosso entre as classes sociais.

Nota: Ótimo – 3.5 de 5 estrelas

Subestimada, “Din e o Dragão Genial” merece sua atenção
3.5 / 5 Crítico
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