Eis que quase sempre surge um filme polemizante, que irá dividir lados e trazer uma velha discussão de volta a tona. “Reparação” é um documentário de Daniel Moreno e que irá cumprir este papel no ano de 2010.
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A idéia original deste longa-metragem era mostrar as histórias de violência dos 2 lados: da repressão militar e do “terrorismo” de extrema esquerda. Ainda que pelo trailer, a impressão que temos é que o filme parece apenas fazer uma crítica a esquerda que lutou contra a ditadura.
O personagem principal do documentário é Orlando Lovecchio, vítima de um atentado a bomba praticado pelo VPR que lutava contra a Ditadura militar brasileira, em 1968. Orlando perdeu a perna no célebre atentado ao Consulado dos EUA em São Paulo. A principal questão colocada pelo diretor é a respeito de uma suposta injustiça: como não é considerado uma vítima da ditadura militar, a aposentadoria que recebe é menor que a do autor do atentado que o vitimou.
Em cima deste caso, o filme irá tentar provocar uma reflexão a respeito do período militar, invariavelmente na forma de uma crítica pouco velada em cima dos grupos de esquerda. Entre os depoimentos do filme, se encontram o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (que vale mencionar foi quem criou a indenização às vítimas e combatentes da ditadura), do “historiador” Marco Antonio Villa (que realmente não tem nenhum prestígio ou destaque entre seus pares, apesar de seus 20 livros publicados), entre outros.
Para mim (e enfatizo o para mim, pois como autor único deste artigo não represento a opinião coletiva do Ambrosia), o grande problema do filme é a suposta injustiça que são tratados as vítimas da esquerda no Brasil, certamente elas são uma grave e pertubadora fatalidade, mas não devem ser colocadas em contexto de igualdade à aqueles que foram perseguidos e torturados pela máquina estatal. Existe uma diferença muito grande entre uma pessoa que foi pega acidentalmente numa explosão, e um homem que foi torturado durante anos por um Estado soberano e consciente de seus atos. Não há falta de justiça na minha opinião entre as vítimas da ditadura e as vítimas da esquerda, principalmente se colocarmos na cabeça que nem todos estes “guerrilheiros” realmente queriam transformar o Brasil numa outra ditadura, muitos, e tive o prazer de conhecer vários, lutavam apenas pela restituição dos direitos democráticos. Reivindicações que sabemos que não eram cumpridas pela Ditadura.
Muitas pessoas, principalmente aqueles que se afirmam de peito aberto, como pertencentes a direita, estão aplaudindo ao filme, recebendo-o como a primeira verdadeira resposta do cinema nacional ao maniqueísmo da esquerda. Eu acho que existe um exagero dos dois lados (isto é, da esquerda e da direita) no que diz respeito a visão dominante sobre o período na sociedade. Ao mesmo tempo que a maioria percebe criticamente os atos dos militares como de natureza criminosa e opressiva, estes mesmo cidadãos não se mexem para fazer com que os culpados realmente sejam indiciados. Vivemos hoje na dura realidade de ser o único grande país latino americano que ainda não prendeu ou levou a julgamento seus generais pertencentes a Ditadura, algo que veio a acontecer recentemente na Argentina (e já havia ocorrido no Chile há mais tempo ainda) e que me irrita profundamente não ocorrer aqui também.
A justiça, a verdadeira reparação é a punição dos culpados, e acho que nesse campo sim podemos igualar a todos. Se a vítima da explosão perdeu uma perna, ela deveria e tem todo o direito de indiciar o líder do VPR pelas consequências de sua bomba. Da mesma forma devemos abarrotar nossas cadeias com os agora velhos militares, que com o seu “regime” trouxeram a existência tais grupos extremistas.









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