em

Tropa de Elite 2: uma falha chamada segurança pública

Existem inúmeras resenhas já publicadas sobre “Tropa de Elite 2: O Inimigo agora é outro “ cujo foco é tão somente uma análise deste filme a partir da sua própria linguagem, isto é, cinematográfica. Este não é o propósito deste artigo. Acredito que ainda mais do que o primeiro filme, a continuação deste blockbuster nacional tem como foco o debate político e por isso ele deve ser refletido juntamente com as ”polêmicas” que levanta.

Quando o autor de Elite da Tropa 2, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, publicou o seu livro (no qual o roteiro do novo filme se baseia) ele certamente alargou a discussão sobre as Milícias e sua atividade na cidade do Rio de Janeiro. O filme, que segue com bastante precisão as palavras de Luiz Eduardo, tem o seu início nos dias de hoje, o que apresenta um problema para o espectador de alguma memória. Afinal, as situações narradas na película em sua maioria, datam dos anos de 2007 e 2008. Nada que estrague este grande feito do diretor José Padilha, mas dado que não houve problemas de se estabelecer datas claras no primeiro filme, ficamos sem entender o porquê desta omissão das datas oficiais na continuação.

Na tentativa de organizar um pouco os acontecimentos do filme com o que foi noticiado pela imprensa na época (fique atento aos links deste artigo, todos eles são notícias de época sobre os acontecimentos debatidos), falaremos aqui dos principais pontos levantados por Tropa de Elite 2 e seus correspondentes “reais”, dando um foco para a discussão que estes acontecimentos podem gerar. Desta forma, é importante avisar que, por mais que este artigo não cite o desenrolar de tramas pessoais e de toda ficção que aparece nas telas, vários eventos descritos aqui serão cruciais a trama por ele apresentada, portanto para o leitor de pouca memória (já que tudo o que falarei aqui foi fruto de intenso debate político nos últimos anos) ou que deseja ser surpreendido é melhor esperar até que se assista ao filme para retomar este artigo.

Beira Mar no dia seguinte da rebelião

Em Tropa de Elite 2, logo no início do filme somos levados para um evento que ocorreu no dia 11 de Setembro de 2002, isto é, a rebelião de Bangu 1, quando Fernandinho Beira-Mar e os membros de sua facção, o Comando Vermelho, fizeram 8 reféns e tomaram uma parte do presídio. O objetivo? A execução de , assim como de todos os líderes do Terceiro Comando, a facção rival. Na época, a governadora em poder, Benedita da Silva (relegada ao cargo depois que Anthony Garotinho resolveu tentar ser presidente) teria pedido a invasão do presídio, mas felizmente a polícia conseguiu negociar e evitar um novo Carandiru.

No filme, as coisas acontecem de forma um pouco diferente e que não vem exatamente ao caso aqui. O que importa dizer é que o fracasso da segurança pública carioca já havia sido percebido algumas dezenas de anos antes da rebelião de Bangu 1, que se tornou particularmente mais sucateada durante a terrível administração da família Garotinho, o que não impediu que sua esposa, Rosinha fosse eleita governadora poucos meses depois mesmo sem possuir qualquer tipo de experiência política.

Aqui faço um parêntese: Anthony Garotinho tinha um plano de segurança que parecia coerente quando ele assumiu o Governo do Estado, mas durante oito anos de seu mandato sem nenhuma queda evidente de índices de criminalidade é bastante claro que seu plano pode ser considerado um fracasso.

Voltando a questão baseada no filme, o que efetivamente a rebelião de Fernandinho Beira-Mar mudou no cenário da segurança pública do Rio?

Aparentemente não muito, por mais que a rebelião de Beira Mar, e a percepção nacional de que o tráfico era regularmente controlado a partir das prisões tivesse atingido a grande mídia, este fato não pareceu impactar muito a opinião pública. A bolha estourou sob o Governo provisório de Benedita da Silva, ainda que esta não possa ser inteiramente responsabilizada por ela, já que ficou menos de nove meses no cargo e o problema estourou bem no meio deste período. Importante dizer, Benedita não pareceu competente para lidar com o problema. Se os relatos sobre o dia são verdadeiros, ela teria se desesperado e ligado para o seu padrinho José Dirceu, presidente do Partido dos Trabalhadores, procurando instruções sobre o que fazer.

Benedita nega que tenha mandado o BOPE e as demais forças policiais invadirem o presídio, ainda que isto tenha sido reportado por algumas testemunhas. A verdade nesta questão se encontra para sempre perdida, já que nenhum dos lados tem provas contundentes sobre que ação a governadora teria tomado. O importante é que a negociação foi realizada e o massacre de presos foi evitado. Para mérito da Benedita, ela foi responsável por colocar o competente Zaqueu Texeira como Chefe da Polícia Civil, alguém que mais tarde, junto com Tarso Genro, Ministro de Lula, desenvolveria um eficiente projeto de segurança pública, o PRONASCI, de onde saiu a ordem para realizar as primeiras UPPs, que são apenas uma parte pequena deste programa, que em teoria deveria unir segurança com cidadania.

É importante mencionar, Rodrigo Pimentel, co-autor do primeiro livro e tido por muitos como a principal inspiração do Capitão Nascimento (interpretado magistralmente por Wagner Moura) já havia deixado o BOPE nesse período, ou seja, ele não tem nenhuma ligação direta com a rebelião de Bangu 1.

No mês seguinte, o principal responsável pelo sucateamento do estado fluminense durante este período, o radialista Garotinho, falhava em alcançar a presidência (amargando um distante terceiro lugar, depois de Lula ser eleito com a maior quantidade de votos em uma eleição brasileira) mas se provou capaz de manter o poder sobre o estado, através da candidatura de sua esposa, Rosinha Garotinho.

O ex-chefe da Polícia Civil e deputado, Álvaro Lins.

O ex-governador seria nomeado como secretário de segurança do Rio de Janeiro, uma piada de mau gosto para o estado, já que seu governo não obteve nenhum destaque na segurança pública. Não demorou muito para Garotinho levar a chefia da polícia civil o bandido Álvaro Lins, no filme representado de forma bastante livre pela figura do secretário de segurança e depois deputado Guaracy (que não é o chefe da polícia civil em Tropa de Elite 2), cuja a eleição foi financiada por criminosos (vale dizer existem paralelos sobre este problema no longa) e marcada pelo abuso de poder. Rocha, o PM corrupto que lidera as milícias também tem muitas características comuns com Álvaro Lins. No ano de 2008, já eleito como deputado estadual, a polícia federal foi capaz de prender Álvaro Lins em flagrante, que teve seu mandato caçado pela ALERJ. Um dos resultados desta investigação teria apontado Antony Garotinho como facilitador das operações da quadrilha, o que seria o início de sua decadência política no Rio. Do ano 2008 para cá, dezenas de processos criminais diferentes acabaram por atingir Garotinho e sua esposa Rosinha, entre eles coisas como: corrupção, formação de quadrilha, abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação e etc, processos estes que renderam os dois como inelegíveis em 2010. Mesmo sem poder concorrer ao Governo do Estado, Garotinho se elegeu candidato a deputado pelo PR e foi o segundo candidato mais votado no Brasil, perdendo apenas para o Tiririca, também do PR.

O filme obviamente não é tão direto em suas acusações, mas é fácil perceber as relações entre os personagens fictícios e suas contra-partes que os inspiraram. Terminada esta saga e breve passagem que foi Bangu 1, temos o assunto principal do longa metragem: as milícias.

Para aqueles que desconhecem, as milícias são grupos paramilitares, geralmente organizadas por policiais ativos e inativos, bombeiros, agentes penitenciários e até traficantes de drogas. Elas costumam cobrar uma mensalidade dos moradores das comunidades onde atuam para fornecer uma suposta segurança além de uma série de outros serviços. As milícias são verdadeiras máfias e são mais organizadas que o tráfico de varejo, que não tem capacidade de articulação. A milícia se infiltra na política e no poder público e os usa para seu próprio benefício, a revelia daqueles que moram nas áreas de sua atuação.

O novo filme do Capitão Nascimento mostra as milícias e a política de segurança pública como os principais adversários a um Rio de Janeiro mais seguro. Ele mostra também a luta de duas pessoas de pontos de vista quase opostos contra este mesmo problema. Uma destas pessoas é bem real, no caso, o deputado Fraga (Irandhir Santos) no filme, ou Marcelo Freitas no livro, claramente inspirado em Marcelo Freixo, deputado estadual do PSOL (re-eleito em 2010) que foi o responsável por trazer à luz os problemas das milícias, e por liderar a CPI das Milícias onde cerca de 226 políticos foram acusados de manter relações com estas organizações.

Em 2006, este fenômeno potencialmente desestabilizador cresceu assustadoramente no Rio de Janeiro. As milícias existem na cidade desde os anos 70, controlando algumas das favelas. Porém, num período de seis meses, esses grupos começaram a competir pelas áreas controladas pelas facções do tráfico. Em dezembro de 2006, segundo relatos, as milícias controlavam 92 das mais de 500 favelas da cidade.

Mapa das Milícias no Rio de janeiro

Os primeiros relatórios sobre essa expansão recente e repentina descreviam as milícias como uma forma de segurança alternativa, que oferecia às comunidades a oportunidade de se livrar da dominação das facções do tráfico, garantindo sua segurança. No início, algumas pessoas das comunidades, comentaristas dos meios de comunicação, políticos e até o prefeito da cidade, Cesar Maia do DEM, deram seu apoio aos grupos de milícias. Mas não tardou para que emergissem histórias nas comunidades que contradiziam essa imagem. As milícias tomavam conta dos lugares com violência e depois sustentavam sua presença através da exigência de pagamentos semanais dos moradores para manter a segurança. Eles relataram que as milícias, como as facções do tráfico, impunham toques de recolher e regras rígidas nas comunidades, sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento. As milícias controlavam o fornecimento de muitos serviços aos moradores, incluindo a venda de gás, eletricidade e outros sistemas de transporte privado.

Nadinho irritado durante a CPI.

Vale mencionar, até mesmo os menores acontecimentos do filme possuem uma base real, como o assalto realizado em uma delegacia de Seropédica pelos milicianos. Onde estes adquiriram armas para sustentar o poder paralelo.

O despertar lento que a política pública teve para o fenômeno das milícias até hoje parece resultar em um grande atraso para que estes grupos sejam devidamente detidos. Por mais que o crime organizado esteja sendo expurgado de diversas favelas da zona sul do Rio, as milícias continuam controlando a zona oeste sem maiores problemas.

Talvez o único avanço nesta questão tenha sido mesmo realizado por Freixo (PSOL) e seus aliados, como o relator da CPI Gilberto Palmares (PT), ao conseguir reunir provas suficientes para caçar os mandatos e impugnar os políticos envolvidos com a Milícia.

O mais notório nesta CPI foi perceber que um dos primeiros nomes a transparecer no documento foi o de Álvaro Lins, o mesmo que foi transformado em Chefe da Polícia Civil pelo Garotinho e que a partir de seu poder coercitivo, foi eleito deputado pelo PMDB (na época o partido de Garotinho). Na verdade, o governo de Rosinha Garotinho transpareceu ter uma base forte e sólida de apoiadores das Milícias, ainda que não existam evidências concretas que ligariam a governadora a estes grupos de forma tão direta quanto aquela retratada no filme. De toda forma, é importante ressaltar que havia sim uma cúpula importante envolta do governo do estado que era patrocinado por ações milicianas. Além do Chefe de Polícia de Garotinho, outros envolvidos notórios eram: o deputado Natalino Guimarães (DEM); o irmão dele, o vereador Jerônimo Guimarães (DEM) e o deputado Nadinho da Favela Rio das Pedras (DEM). Também foram citados na denúncia os vereadores eleitos em 2008 Carminha Guimarães (PT do B) e Cristiano Girão (PPS), da favela Gardênia Azul. Uma parcela considerável dos políticos denunciados já está presa. Vale mencionar também que Fortunato (interepretado por André Mattos) é um personagem que parece fazer alusão a duas figuras distintas: primeiramente ao deputado Nadinho, e em segunda instância ao Wagner Montes (que não tem uma relação confirmada com os milicianos).

E o Rio de Janeiro hoje, passados dois anos dos eventos retratados ao final do filme?

Poucas coisas são mais comentadas do que as UPPs, que de fato tem funcionado bem e até mesmo passaram a ser vistas como um modelo para o plano nacional de segurança pública. Acredito que existam alguns problemas com este modelo adotado no Rio, como a legitimização de comunidades que se encontram em áreas de risco ou de proteção ambiental, de toda maneira, o debate sobre a validade das UPPs e mesmo se elas são passíveis de serem aplicadas em outras regiões do país não cabem neste pequeno artigo.

A CPI das Milícias é entregue a Anistia Internacional

O péssimo sistema carcerário continua funcionando, e nas palavras do Deputado Fraga: “O Estado gasta uma miséria com escola. Para manter uma criança no colégio, depende oito vezes menos que para manter um preso. O sistema carcerário, além de caro, é inoperante. Pior: opera em sentido contrário. Quem rouba um celular sai dele formado em crimes piores. E a população carcerária não para de crescer – dobra a cada oito anos, enquanto a população brasileira dobra a cada meio século.” Acredito que este pequeno trecho pronunciado pelo personagem do filme é um bom resumo de nossa ainda atual situação neste quesito.

Já as milícias se parecem quase imunes ao plano de pacificação do estado, tendo em vista que estas continuam intocáveis na zona oeste da cidade. Vale dizer, os responsáveis pela CPI das milícias até hoje são impossibilitados de fazer campanha nesta região do Rio e continuam a ser alvo de ameaças deste grupo.

Tropa de Elite 2 é verdadeiramente uma evolução clara do primeiro filme, tanto em termos cinematográficos quanto em termos de discussão política. Se o primeiro foi acusado de ser uma visão da direita (segundo o diretor, o filme foi mal compreendido), é possível que este seja cunhado como uma visão mais afinada para a esquerda, até mesmo por ter um candidato do PSOL como um dos personagens principais do filme.

Não acredito que um Tropa de Elite 3 seja produzido, pelo menos não parece haver uma necessidade direta com o término deste segundo filme, no entanto, se mais uma seqüência vier, podemos ter certeza que será ainda melhor se mantiver a mesma forma. Por fim, acho que é válido colocar aqui um pequeno vídeo gravado alguns minutos depois da grande estréia do filme onde Freixo, único político envolvido de forma esclarecida pelo diretor, dá sua opinião sobre o tema central deste longa.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=01I5iBtfqHQ&feature=player_embedded#![/youtube]

Nota do autor: Muitas pessoas tem me perguntado o porquê deste filme ter sido lançado depois das eleições. Alguns tentam dizer que houve conspiração (seja de Sérgio Cabral por não ter resolvido o problema, ou seja do Garotinho para se eleger deputado), mas me parece que o principal responsável por isso foi justamente o Freixo. Pelo que eu entendi houve sim um esforço do Padilha em lançá-lo uma semana antes das eleições. Entretanto, o Marcelo Freixo, como disse antes, foi reconhecido tanto pelo Padilha quanto pelo autor do livro Luiz Soares como o  Deputado Fraga (ele até aparece em uma cena do filme), algo que poderia influenciar o rumo das eleições. E como ele era candidato a deputado estadual isso poderia ser considerado como uso indevido de propaganda pelo TRE, mesmo crime que ajudou a caçar o mandato da Rosinha e Garotinho que usaram sua estação de rádio para a campanha. Desta forma, lançar o filme antes da eleição colocaria em risco a carreira do único político honesto que aparece no próprio filme.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

49 Comentários

  1. Ainda não vi Tropa 2 e estava um tanto desanimado por pensar em desacordo com o primeiro filme, mas este artigo me fez mudar de idéia. Preciso ir no cinema!

    De qualquer modo o filme parece abrir mais discussões que o primeiro, o que é fantástico e um grande mérito dos realizadores que poderiam ter muito bem ido pelo caminho mais fácil. Vou assistir o filme e volto a comentar aqui.

    Parabéns 😀

  2. Felipe, o que você tem a me dizer sobre o por que da estréia do filme sair depois das eleições? Sendo esse que poderia ser muito influenciador para o povo brasileiro em geral!
    Só vejo pelofato de o Marcelo Freixo poder ser beneficiado.
    Mas de qualquer forma ele foi eleito e o mais votado do RJ!

    Obs: Parabéns pelo artigo, muito rico em informações e esclarecedor.

    Aguardo sua resposta.

    • Olá Leonardo.
      Pelo que eu entendi houve sim um esforço do Padilha em lança-lo uma semana antes das eleições. Mas parece que o próprio Freixo pode ter sido o problema, já que uma vez que tanto o Padilha quanto o autor do livro Luiz Soares disseram que o personagem do Deputado Fraga era realmente o Freixo isso poderia influenciar no rumo das eleições. E como ele era candidato a deputado federal isso poderia ser considerado como uso indevido de propaganda pelo TRE, mesmo crime que ajudou a caçar o mandato da Rosinha e Garotinho que usaram sua estação de rádio para a sua campanha. Desta forma, lançar o filme antes da eleição colocaria em risco a carreira do único político honesto que aparece no próprio filme. 🙂

      Felizmente mesmo sem essa propaganda o Marcelo foi eleito a deputado com a segunda maior quantidade de votos do estado. Em contra-partida, o grande vilão do filme, que na minha opinião representa a família Garotinho (já que ela ajudou a subida ao poder de Milicianos como Álvaro Lins e Geninho) teve a maior quantidade de votos do estado. Triste que esse bandido continue a se re-eleger, vamos torcer que seu mandato realmente seja caçado pelo tribunal federal agora (já que ele foi condenado aqui no estado e recorreu).

  3. Artigo totalmente parcial. Ficou evidente que o autor é pró-Cabral, pois além de endeusar as UPPs, em nenhum momento citou a relação do governador com as milícias. Cabral foi cabo eleitoral de seu colega de partido, Alvaro Lins, além de subir no palanque junto com Natalino e sua turma de bandidos. Não é boato, basta procurar no youtube por "Cabral milícia".

  4. Admito ser completamente anti-Garotinho, mas longe de ser pró-Cabral, meu candidato ao governo do estado foi o Jeferson. Endeusar as UPPS, eu acredito sim que elas tenham muitas coisas positivas, mas vale dizer elas não são obra do Cabral, ainda que tenham sido implementadas no Governo dele, as UPPs vêm de um projeto do governo federal, pelo Deputado do PT Zaqueu Texeira.

    Dada a timeline do filme, isto é, a rebelião de bangu 1 e a crise das milícias ocorrerem quatro anos depois, o filme apresenta claramente uma perspectiva do governo de Rosinha Garotinho.

  5. Admito ser completamente anti-Garotinho, mas longe de ser pró-Cabral, meu candidato ao governo do estado foi o Jeferson. Endeusar as UPPS? Onde isso? eu acredito sim que elas tenham muitas coisas positivas, mas vale dizer elas não são obra do Cabral, ainda que tenham sido implementadas no Governo dele, as UPPs vêm de um projeto do governo federal, pelo Deputado do PT Zaqueu Texeira.

    Dada a timeline do filme, isto é, a rebelião de bangu 1 e a crise das milícias ocorrerem quatro anos depois, o filme apresenta claramente uma perspectiva do governo de Rosinha Garotinho.

  6. Mais duas coisas: não existe imparcialidade nem na academia (sou historiador) e nem na imprensa, tudo que é percebido pelos seus sentidos é interpretado por voce, pelo seu ponto de vista…

    Segundo: as críticas nesse artigo tem um embasamento em algumas coisas que em tese podem ser verificadas facilmente pela internet, é só entrar no site da ALERJ e baixar o relatório da CPI… Não posso dizer o mesmo do vídeo do youtube que você está oferecendo.

  7. Após ter visto o filme procurei entender melhor o envolvimento da família de Anthony Garotinho e quais eram os deputados envovidos no esquema da milicia. Esse artigo viabiliza a leitura da ficção com a realidade. Pena que nem todas as pessoas podem ter acesso a essas informações, como também percebo a tamanha responsabilidade da população na hora de escolher o voto. o filme só acontece após as eleições… tamanha é a nossa responsabilidade na hora de decidir quem irá nos representar, mas ainda existem aqueles que dizem que não se importam com a politica e votam em qualquer um.

  8. de Fato que as Comissões Parlamentares de Inquérito não detém o poder objetivo no que tange prisão imediata, repressão, destarte é preciso acioná-las, investigar o sistema político corrupto, sujo, usado de má fé, que ao invés de servir a população investem em políticas sujas, projetos inexistentes, campanhas eleitorais totalmente forjadas para enganar o eleitor do que acontece na realidade.
    Aqui em Minas a corrupção e o Marketing pol[itico funcionou mais uma vez. Os candidatos a reeleição ganharam, e de sobra fizeram “dobradinha” no senado.
    E assim caminha o Brasil!

    Ah Felipe_Velloso
    Parabéns pelo Artigo.

  9. Eu gostaria de dar os parabéns ao ambrosia por este belo artigo e também para o site como um todo, que se mostra muito mais maduro e corajoso dos que seus concorrentes que se limitaram a analisar o filme como formato estético. O ambrosia realmente parece estar crescendo! Mais artigos de cunho político por favor, isso é realmente um diferencial.

  10. O difícil de entender que as pessoas precisam assistir um filme pra mudar seu voto. Daí entra a discussão se o filme era pra ser lançado antes ou depois das eleições, é triste isso. Preferia que a sociedade como um todo ao invés de votar no Tirica como protesto, que vote em branco neste segundo, isso é protesto! E o engraçado é que no caso da family Garotinho, tudo isso, não tem muito tempo que ocorreu, pô foi outro dia. Sei que o ser humano tem memória curta, mas se tratando de um assunto tão obvio, é descaso de informação que impregna a sociedade. Muito bom o texto Felipe Velloso, parabéns!

  11. http://odia.terra.com.br/blog/blogdaseguranca/200

    "…Poucos sabem, mas há um PM no caso de Vigário Geral que acabou se tornando vitima. Trata-se de Sérgio Cerqueira Borges, conhecido como Borjão.
    Borjão foi um dos presos que em 1995 já eram vistos como inocentes, colocados no meio apenas por ser do 9º´BPM. A inocência de Borjão no caso era tão patente que ele inclusive foi o depositário de um equipamento de escuta pelo qual o Ministério Público pôde esclarecer diversos pontos em dúvida.
    Borjão foi expulso da PM antes mesmo de ser julgado pela chacina. Era preso disciplinar por "não atualizar endereço"…"

  12. Aqui no Rio nós temos as UPPs, que apesar de apresentarem alguns problemas, tem se mostrado uma resolução válida para a chegada do Estado nestes locais. O importante agora é garantir que este acesso resulte efetivamente em uma melhora na condição de vida de seus moradores, mesmo que isso signifique em alguns casos a remoção dos mesmos (já que muitas destas comunidades se encontram em locais de risco). As UPPs são apenas um meio e nunca um fim, elas não são a solução mas parecem ser uma alternativa válida para se criar uma solução.

    O problema é que a Zona Oeste do Rio, dominada pelas milícias, continua praticamente intocada. Uma negligência preocupante do atual governador, senhor Sérgio Cabral.

  13. Resenha um tanto informativa, pena que nâo é imparcial, mas quando o assunto toca em política acho que fica dificil mesmo, ainda mais por um colega de História.
    Não vejo problema em o primeiro filme ter sido considerado de direita, ele revela a hiprocrisia de uma classe que defende direitos humanos só para exibir um discurso politicamente correto. O filme fala o que muitas pessoas tem medo de falar pra não ser mal-vista pela sociedade hipocrita "bandido bom é bandido morto" e é óbvio que isso inclui Policiais e Politicos(inclusive muitos de esquerda e intelectuaizinhos maconheiros) corruptos.
    É claro que o investimento em educação em nosso país é risível, mas desde que o mundo é mundo as pessoas tem carater e personalidades diferentes, então sempre haverão vagabundos. Minha familia é de educadores, e trabalharam mais de 30 anos em uma das comunidades mais pobres do Rio e é vivendo isso no seu dia a dia que você vê que o que forma um bandido ou uma pessoa honesta é o seu carater, sua natureza e não majoritariamente seu meio social.
    Não estou aqui para defender policiais ou milicias, mas é bom que um filme faça a população refletir, ver que muitos querem sim fazer uma diferença e acabar com essa palhaçada de sempre colocar o policial na berlinda. Isso é absurdo, depois vão lá os maconheirozinhos em passeata pela paz no Rio, quando a maconha deles é um dos vários canais que abastecem o poder paralelo.
    E um pequeno comentário sobre UPPs, a idéia é boa, mas execução falha… eles só estão movendo os traficantes e milicianos de lugar, não é a toa que começaram pela zona sul. A baixada está cada vez mais um inferno. Eu ACREDITO na eficiência do BOPE muito antes de filmes, e acho que as invasões deveriam ser surpresa sim, para prender/matar os bandidos e não apenas faze-los fugir.

  14. Parabens Felipe!!!

    Você falou tudo e corretamente, seu artigo esta perfeito e completo, dá vergonha saber dessa tramoia que o Rio ficou submetido, mais nosso dever agora é informar ao máximo de pessoas possível e fazê-las entender como funciona este tipo de golpe, você foi muito esclarecedor, não baixe a guarda, acredite e faça sua parte, só assim mudaremos alguma coisa. Mais uma vez, Parabéns.

  15. Rodrigo, bom dia, Quando você se refere ao fato do ser humano ter memória curta e não lembra tudo que ocorreu pouco tempo atrás, está errado, com todo respeito a sua posição sobre o assunto, vou te dizer algo que talvez você deve ter esquecido, as pessoas são egoístas, são desonestas na maioria das vezes e só pensam em se dar bem, contudo esquecem o que passou por conveniência e porque só estão pensando momentaneamente, esses falsos ditos, como " Orgulho de ser Brasileiro" ou "Sou Brasileiro e não desisto nunca" é tudo balela, é só pra vender demagogia, é pura ficção, faça uma pesquisa onde você mora, não precisa ir muito longe para saber que as pessoas já desistiram e é aí que se instala a corrupção, na descrença das pessoas em tentar resolver o assunto, que também é de nossa responsabilidade…continua…

  16. …somos nós quem elegemos eles, até quando somos obrigados a não votar(Meu caso), nós erramos porque queremos, nós podemos mudar e temos força pra isso, é só não se deixar influenciar pela Globo ou por falsas informações, temos pessoas esclarecidas disponíveis para tirar quaisquer dúvidas sobre quaisquer assuntos, é só procurá-las, enfim, somos culpados por desistir!!! vai a dica, Sou Brasileiro, Patriota, Tenho vontade de chorar ao escutar nosso hino do Brasil, tenho muita fé e procuro fazer a diferença, porque "Sou Brasileiro e não desisto de mim nunca"!!! Um Forte abraço meu amigo e conto com você para iniciarmos uma corrente do bem.

  17. Oi Felipe, sou estudante do quarto ano de jornalismo da PUC – SP e estou produzindo uma matéria de rádio sobre o Tropa de Elite 2. Na hora pensei no seu artigo que já tinha lido. Gostaria de saber se você poderia me dar uma entrevista para o programa. Seria por telefone mesmo. Posso te explicar melhor, meu e-mail é [email protected].
    Abs, Laura.

  18. Felipe meu caro. O filme mostra 4 anos atrás e dias de hoje. Mostra fatos do fim da gestão rosinha, mas o governador que aperece no Filme é o Cabral. Até ficicamente são parecidos. No início do filme ha um galhardete com o numero 15. O filme mostra a reeleição do governador. Que governador que se candidatou a reeleição ? ( CABRAL) A CPI das milicias ocorreu no governo de quem ? (CABRAL). Quanto ao video do youtube, voce pode achar que nao serve pra nada, mas seria apenas concidência com as imagens do filme ? O governador ao lado dos milicianos , quem seria ? ( Cabral).
    Há um vídeo também em que o MArcelo freixo desmascara o CABRAL, só não me recordo o link agora
    Concordo que há muita coisa suja por debaixo do tapete do clã GAROTINHO, mas excluir CABRAL e achar que ele não é mencionado no filme é muito inocência ou estupidez.
    Pra finalizar, resumindo essa história : Garotinho, Rosinha, Cabral entre outros são tudo farinha do mesmo saco.
    Como disse o bom e velho MARX ” A emancipação da classe trabalhadora será fruto da própria classe trabalhadora”. “trabalhadores do mundo uni-vos”.
    Abraço
    Matheus pereira

  19. Felipe, assisti ontem ao filme e, navegando na internet hoje, achei seu artigo.
    O que você diz aqui é EXATAMENTE o que falei para minha esposa logo que estávamos saindo do filme, principalmente sobre essa questão de o filme ser lançado após as eleições, pois muitas pessoas que não conhecem política iriam associar à imagem do Sérgio Cabral, o que seria uma injustiça estrondosa!
    Fiz inclusive uma comparação do nome do governador (não lembro agora…) que começa com "G", de quê… de GAROTINHO!!
    EXCELENTE TEXTO!!!
    Meus parabéns pela elaboração (conteúdo, links… fantástico!!) e muito obrigado por essa contribuição!!

  20. Felipe, excelente texto!
    Jones, valeu pelo link do documento!

    Mas, meu Deus, a leitura desses documentos jurídicos é intragável! Queria muito entender por que eles são feitos desse jeito. Seria "reserva de mercado"?

    Já li documentos jurídicos em inglês, que não é minha língua nativa, e a fluidez de leitura foi *muito* maior, dava pra entender claramente o que estava escrito, sem necessidade nenhuma de precisar usar alguma linguagem arqueológica rebuscada.

    Enfim, isso é só mais um retrato do Brasil.

  21. Tropa de Elite 2 foi o melhor filme que já assisti.
    Sério, honesto, corajoso, real, é, antes de tudo, um documentário sôbre a triste realidade da vida política deste país; da lamentável segurança pública dos Estados e do crime organizado (que é aquele que se infiltrou nos 3 poderes).
    Fica, no final, uma reflexão:urge uma reforma política, reforma na segurança publica, na extinção das corporações militares de polícia, etc..
    O Estado precisa acabar com o "estado pararelo" e seus tentáculos.
    O Estado precisa reformar-se e livrar-se dos corruptos que se encontram no poder.

  22. Uma das minhas dificuldades é entender porque tantos políticos são con denados pela Imprensa e pela Mídia audiovisual e nunca são definitivamente condenados nos tribunais. Não é engraçado e triste ao mesmo tempo?!
    Como o historiadore e o sociólogo explicam isto? Será que é só incompetência de toda uma estrutura policial e judiciária que falha sempre contra determinados grupos ou, na realidade, são jogos de poder de grupos ideologicamente opostos que querem usar os meios de comunicação, inclusive a INTERNET, prá conseguir conquistar adeptos? Hoje quando alguém me diz: " Fulano é ladrão e corrupto…!", eu pergunto: Já foi condenado e está preso? Não!!! Como é que pode? Então volte a me informar quando isso acontecer. Aí, então, acreditarei na informação. É isso que o povo brasileiro faz e diz quando vota: "Não acredito que um ladrão e corrupto possa estar se candidatando e assumindo os cargos e ninguém fazer nada. Então, deve ser inocente e tudo não passa de jogo de cena." E assim o povo vota e eu também voto. Usem corretamente as Instituições prá resolver o problema da corrupção e da criminalidade, e não a Mídia.

  23. O que mostra que a politicagem funcionou, o que não quer dizer que o trabalho foi bem executado. Grande parte a aprovação e dos votos da reeleição vem de Campos, cidade carioca de onde ele veio e onde era exaltado pela midia local como bom político, o que ele provou não ser e inclusive sofreu grandes processos com as Ms que fez. Na política, Estatística é uma coisa, resultado é outra !

  24. Ler esse artigo me ensinou muito. Sinceramente, eu aprendi até sobre politica… não sabia que o filme era assim tao coerente com fatos reais. Além de ser um filme fantástico, ainda tem esse roteiro tão bem amarrado…

    Muito obrigada pela sua pesquisa, pela sua seriedade e pela sua responsabilidade. Parabens! a Internet precisa de pessoas assim como você…