Um grupo de cinco pessoas viaja para o sul da Itália, quando sofre um acidente e bate com o veículo em uma árvore. Ao buscar ajuda para sair dali, percebem que não estão em um lugar amigável. Agora eles devem encontrar uma maneira de escapar do local enquanto são perseguidos por membros de uma seita.
Análise
Os italianos Roberto De Feo e Paolo Strippoli apresentam Um Clássico Filme de Terror com a premissa de levar o título muito a sério. Desde o início do filme é evidente a influência que os clássicos filmes de terror exercem sobre ele, tanto por referências visuais quanto por menções diretas a alguns desses filmes. O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 1974) com o seu grupo de protagonistas e o trailer veículo de viagem, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite (2019) com o seu estilo cinematográfico, o gore da franquia Pânico na Floresta (Wrong Turn), entre outros.
Mas Um Clássico Filme de Terror está à altura desses filmes e de seu nome? Sim e não. Como o filme exigiu muitas referências, mas não são necessariamente bem utilizadas, não atingindo o nível que se propõe. Seu principal problema é tentar oferecer uma reviravolta tão surpreendente que acaba não funcionando.

Com 1h35min de duração, o filme tem sua primeira metade num trilha promissora, que prende o espectador em seu mistério e constantes referências a outros filmes de terror (muito mais efetivo se você é um fã do gênero).
Da mesma forma que aumenta as expectativas, ele murcha assim que passa o primeiro tempo para um resultado decepcionante.

O aspecto audiovisual salva o filme, as cenas, que parecem ter se inspirado em Midsommar e a iluminação está excelente. O filme apresenta violência e sangue, mas muitos dos momentos mais cruéis acontecem fora da tela, provavelmente limitados pelo orçamento. Claro, e a coragem de apresentar uma cena em que atiravam em um menor sem tentar cobrir nada é uma cena que impacta.
Emanuele Pasquet

A fotografia de Emanuele Pasquet impressiona e consegue iluminar vagamente as cenas mais escuras para acompanharmos a história sem se desconectar. É desesperador quando a ação ocorre na escuridão total, passando essa sensação aos expectadores.
Bem equilibrado, a posição da câmera é cuidadosa, principalmente em momentos de violência explícita. A viagem da câmera pelo set tem sido muito pensada, sempre pensando nas sensações de quem está assistindo.

A Classic Horror Story é um horror com certa originalidade, uma mistura autoconsciente e flagrante de referências e reformulações tiradas de inúmeros filmes. Nos oferece uma tortura-pornografia mais contida do que o esperado e, embora forneça uma interessante crítica sobre o estado da indústria audiovisual na Itália, também lança algumas reflexões sobre o gênero que só serão novas para quem não está tão familiarizado com esse gênero.
A música acaba sendo outro componente importante para o filme. E canções italianas como La Casa de Sergio Endrigo ou Il Cielo In Una Stanza de Gino Paoli se encaixam perfeitamente nos momentos escolhidos. No caso de La Casa, versão italiana da famosa música de Vinicius de Moraes e Toquinho, o canto das vozes das crianças acaba sendo realmente aterrorizante, mudando completamente o significado dela.
Porém, apesar das referências citadas e utilizadas, o filme italiano tem uma escuridão diferente que o permite se destacar. As reviravoltas em seu roteiro que tentam surpreender, mas acabam sendo previsíveis demais. No final, o filme nem acaba de tirar proveito de algum dos lugares comuns que levanta , ficando num exercício de terror ao qual falta muito mais personalidade. Pelo menos o resultado é divertido e não totalmente terrível.
Nota: Regular – 2,5 de 5 estrelas









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