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Resenha: Donkey Kong Country Returns

Plataforma: Nintendo Wii
Gênero: Plataforma
Selo: Nintendo
Desenvolvedora: Retro Studios
Lançamento: 21 de Novembro de 2010

Não importa o quanto alguns gamers gostam de bater e reclamar do Wii, a Nintendo é sinônimo de vídeo-game graças a qualidade do seu trabalho. Depois de um ano excelente,  ouso dizer o melhor do console (começando com Super Mario Galaxy 2 e terminando aqui em DKCR), o Retro Studios (responsável por uma das obras primas da geração passada: Metroid Prime) foi encarregado de ressuscitar para as novas gerações a magnífica série do Super Nintendo: Donkey Kong Country. São 14 anos desde que Dixie e Kiddy derrotaram K. Rool pela última vez (quer dizer teve Donkey Kong 64, que apesar de excelente não tinha muitas semelhanças com a série Country). Afinal, será que a nova aventura dos Kongs faz jus as suas peripécias do passado?

Donkey Kong Country Returns é um incrível jogo de plataforma 2D, mostrando que o gênero realmente voltou para ficar.

Enredo

Na nova aventura do primeiro personagem da Nintendo, a tribo dos Tiki Tak hipnotiza a fauna da selva para que ela roube o depósito de bananas de Donkey Kong. O macaco que nunca foi um herói muito altruísta, parte em uma jornada para recuperar o seu estoque de volta. Os Tiki Tak são uma tribo que se assemelha ao estereótipo de nativo encontrado na indonésia e aproximações, com gigantescas máscaras de madeira.

Os novos vilões são legais, e particularmente gosto do fato de todos eles na verdade serem instrumentos musicais. Ainda sim, devo dizer que sinto falta de King K. Rool e os Kremlins. Achava a relação entre eles e os Kongs muito legal, e nesse aspecto é quase como fazer um jogo do Mario sem o Bowser.

Entretanto, roteiro é algo completamente irrelevante para esse tipo de jogo, onde o que realmente importa é a diversão de se jogar nas dezenas de fases diferentes. Vale dizer a história é divertida o bastante para as cenas de corte servirem para alguma coisa.

Jogabilidade

O que sempre definiu de forma positiva a série DKC foi justamente seu excelente design de fases aliado a um controle preciso e uma dificuldade bastante acentuada. O novo jogo do gorila segue a risca a maioria dessas regras.

As fases são completamente diferentes entre si e conseguem sempre explorar um elemento novo. Mesmo aquelas que se encontram no mesmo mundo de jogo, optam sempre por mostrar algo inédito dentro da sua lógica ou da forma em que você joga, tornando o game muito pouco repetitivo.

É um jogo de plataforma que se diferencia pelas excelentes escolhas de design que tornam as fases absolutamente únicas e divertidas. Por mais difícil que algumas fases sejam. No geral, os movimentos dos macacos são graciosos e capazes, e o uso de uma premiação por tempo de término incentiva aos jogadores de correr o máximo possível, abusando desta “graciosidade” do gorila.

Como no Donkey Kong Country original você controla o gorilão e o seu parceiro Diddy Kong, só que desta vez o pequeno símio apenas se pendura nas costas do macaco, lhe dando duas vidas extras e a habilidade de planar usando seu Jet Pack. Isso pode ser um pouco frustrante, para aqueles que gostavam da opção de ter dois personagens com estilos distintos onde era possível trocar na hora.

O que nos traz a um grande problema: o modo cooperativo. Por mais legal que seja jogar com Donkey e Diddy sendo controlados por dois jogadores, tudo se torna muito mais difícil, principalmente para quem estiver controlando o gorila, que perde a preciosa habilidade de planar com o Jet Pack. Poucos são os Puzzles que realmente se beneficiam do uso de dois jogadores, e as fases de foguete ou carrinho de mina ficam muito piores, pois não é possível separar os símios e a cada morte você perde duas vidas. Os únicos momentos em que o cooperativo realmente se destaca são contra os chefões e as fases mais tranqüilas, pois quando um jogador morre o outro continua progredindo o que geralmente resulta em um avanço considerável na tarefa.

Outro problema do jogo é o controle, não dá para entender porque raios você tem que usar controle de movimento (sacudindo-o) para uma coisa importante como o rolamento. Fora isso a sacudida de controle tem três funções diferentes: ao sacudir enquanto se está correndo você rola, ao sacudir enquanto está parado você bate no chão e finalmente ao sacudir enquanto você aperta para baixo o gorila assopra…. Diversas vezes que fui bater no chão e acabei rolando para um abismo, e isso é um pouco frustrante, não dá para entender o porquê de o Retro Studios não ter colocado tudo com botões ou ao menos habilitado os controles de Gamecube e o Classic Controller como esquemas alternativos, algo muito comum em boa parte dos jogos de Wii. Este problema não chega a arruinar o jogo, porque o esquema de controles passa a funcionar melhor conforme você vai jogando, e no fim acaba naturalizado, mas seria bom que houvessem mais opções.

Como toda a fauna da ilha está hipnotizada, isso gera uma grande variedade de oponentes que não se limitam apenas aos membros da tribo. As escolhas de design deles são muito legais, incluindo toda a fauna da ilha, mas senti falta daqueles adversários que apenas o DK pode derrotar: gigantescos e que riem na cara do Diddy Kong quando ele bate nele. Mais uma vez, acredito que faltaram incentivos para se jogar com o gorila quando o modo cooperativo é ligado, e inimigos mais fortes poderiam ser uma boa compensação a isso.

Por fim, é importante mencionar: o jogo é muito difícil. Tão difícil quanto os originais, e se você gosta de finalizar completamente um game destravando todos os seus segredos, se prepare para suar as mãos. Mesmo assim algumas vezes apenas passar de fase já é uma tarefa épica por si só, os jogos do Mario, tidos como fáceis a primeira vista, também são brutais quando se quer pegar tudo e jogar fases secretas, mas DKCR consegue ser difícil mesmo durante o andamento regular do jogo. E não é uma dificuldade justa e inteligente, como em Demon’s Souls, aqui temos a velha dificuldade de jogos de plataforma que são pulos impossíveis e repetição de padrões, como nas fases de foguete (as piores) e de mina (que são divertidas mesmo sendo difíceis).

Para aliviar a dificuldade bizarra, se você morrer mais de dez vezes na mesma fase você pode habilitar o Super Guide, onde basicamente o computador te mostra como passar e termina a fase para você sem pegar nenhum item. Eu nãos gosto de usá-lo, mas é uma boa solução para aqueles que têm dificuldades.

Apesar de divertido e bem executado, em alguns momentos a dificuldade gritante, pode gerar certa frustração do jogador.

Apresentação

Como praticamente todos os jogos da Nintendo em seu próprio console, Donkey Kong Country Returns possui uma apresentação impecável. O jogo é visualmente brilhante, um jogo 2d com cenários de verdadeira profundidade, e que com freqüência é explorada. Todos os modelos do jogo são bem animados e sua movimentação é fluida e graciosa, convencendo qualquer um que estamos jogando com um verdadeiro macaco.

A trilha sonora traz de volta boa parte dos clássicos do Super Nintendo, assim como novos sons muito legais. É um banho de boa nostalgia para os fãs da série já que as velhas canções foram completamente refeitas para se adequar as trilhas modernas, isto é, instrumentos reais. Felizmente o Rap do DK, também ficou de fora dessa lista.

Preciso dar destaque as fases onde somente a silhueta dos personagens aparece, elas são muito bem boladas em seu jogo de sombras, e importante dizer, muito bonitas. É o tipo de jogo que nos faz sentir pena das demais desenvolvedoras que esquecem que o Wii é capaz de gerar bons gráficos.

As cutscenes são poucas, mas todas elas também são bem feitas e bem engraçadas, destaque para a animação final quando o último chefe é derrotado. Creio que DKCR é mais uma prova que o Gorila sempre teve um potencial cômico muito maior do que o Mario.

Em suma, neste quesito, praticamente não há o que reclamar do jogo, já que o Retro Studios realmente se preocupou em poli-lo de forma correta.

Conclusão

Donkey Kong Country Returns é uma ode aos clássicos de Super Nintendo, e ele efetivamente consegue viver a altura de seus antecessores, além de trazer muitos elementos novos. Senti falta de algumas coisas, como mais animais (só temos o Rambi e o Squawks neste jogo) e as fases embaixo d’água, que sempre estiveram entre as melhores da série, mas em geral o novo game entrega o que promete, e é um jogo de plataforma maravilhoso por si só…

O jogo também apresenta uma tonelada de motivos para repeti-lo uma vez que esteja zerado, como fases secretas, bônus divertidos e uma porção de destraváveis capazes de entreter o jogador por muito tempo. Certamente uma boa aquisição para qualquer coletânea de games, principalmente se você for fã dos antigos ou gostar de jogos de plataforma.

Como o Retro Studios dedicou três jogos para o seu Metroid, eu gostaria muito que eles repetissem com Donkey Kong, criando uma nova trilogia de jogos para os símios.

Apresentação: 4/5
Design de Fases: 4.5/5
Jogabilidade: 3/5
Fator Replay: 4/5
[xrr rating=3.9/5]

3 opinaram!

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  1. Jogava muito DKC quando criança, perdia sempre mas mesmo assim era muito divertido. Essa idéia de sacudir o controle para (quase) tudo me faz parecer ser muito ruim e pouco prática, numa tentativa mal sucedida de implementar novas tecnologias onde não se faz necessário.

  2. É chato sim, mas como eu disse, uma vez que agente se acostuma dá para levar… e o jogo como um todo é bom demais para deixarmos que isso atrapalhe…

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Publicado por Felipe Velloso

ColecionadorGibizeiroRepórterSuper-fãs

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