Resenha: God of War III

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Plataforma: Playstation 3
Gênero: Ação
Selo: Sony Computer Entertainment
Desenvolvedora: Santa Monica
Lançamento: 16 de Março de 2010

Como alguém que gostou bastante dos dois jogos anteriores eu possuía altas expectativas para o último (eu espero) jogo da trilogia desenvolvida pelo Studio Santa Monica. Em novembro do ano passado, com a aquisição do God of War Collection, já havia tido a oportunidade de baixar o demo do game, e ainda que o achasse lindo e possuísse uma jogabilidade muito divertida e intuitiva, era um pouco mais do mesmo. Não que isso diminuísse minha vontade de joga-lo, é aquele velho ditado “if ain’t broken, don’t fix it” (se não está quebrado, não tente consertar).

Tudo isso mudou quando em fevereiro um site alemão de games revelou os primeiros 10 minutos de jogo. Iniciando exatamente onde o segundo jogo terminou Kratos escala o Monte Olimpo ao lado dos Titãs para alcançar sua vingança contra seu pai Zeus. A primeira fase se passa inteiramente no imenso corpo de Gaia, onde depois de enfrentar hordas de inimigos nos encontramos com Poseidon. A luta com o deus dos mares em cima de um titã a escalar o Olimpo é certamente uma das coisas mais fantásticas que eu já vi visualmente e me fez querer ter o jogo imediatamente (vale dizer que depois, jogando a cena em Full HD em uma tela grande a coisa fica ainda melhor).

Gráficos e aspectos técnicos

Não demorou muito e o mundo finalmente encontrou um rival a altura de Uncharted 2 neste quesito, os dois obviamente bem recentes e exclusivos da Sony, mantêm o título de jogo mais avançado visualmente produzido até hoje (eu ia usar o termo mais bonito, mas existem coisas que você não bate somente com avanços gráficos, como a obra-prima da Capcom Okami, ou mesmo Super Mario Galaxy).

Sejamos francos nenhum jogo possui uma abertura tão apoteótica quanto a de God of War III.

A câmera mais uma vez não pode ser controlada, e nesse jogo isso não incomodou nem um pouco. Os produtores do jogo, já acostumados a esse estilo desde o primeiro título da série (que realmente apresentava alguns problemas devido a câmera fixa), parecem ter superado qualquer tipo de desafio que isto poderia impor a jogabilidade. Basicamente sempre temos chance de enxergar tudo pelo ângulo mais belo e mais grandioso, todas as “tomadas” parecem ter sido escolhidas a dedo e despertam interesse e deslumbre no jogador.

O som e as trilhas também são impecáveis dando os tons certos para o épico grego. As vozes são outro destaque a parte. Me diverti muito com a escolha de Kevin Sorbo para interpretar o irmão de Kratos, Hércules, papel pelo qual já havia ficado famoso (um dos melhores “chefões” do jogo).

Vale mencionar também que tirando algumas belíssimas seqüências em desenho animado, todos os momentos de animação/história são feitas com a própria engine do jogo, mostrando o absoluto poder gráfico que a Santa Monica conseguiu atingir.

Dificilmente é possível arranjar algo para se reclamar dentro deste lado técnico, podemos dizer inclusive que em termos de apresentação o jogo é praticamente perfeito.

História

Eu particularmente gosto da história da série como um todo (mesmo tendo seus imensos furos mitológicos), mesmo não gostando tanto do personagem principal, pois acredito que Kratos é sempre retratado de forma muito unilateral. Até aqui, seu objetivo é sempre o mesmo: Vingança. E que se dane qualquer um que entrar no seu caminho. O objeto da vingança é menos importante que o sentimento em si, pois não importa a posição em que ele está seu foco é sempre neste revanchismo sanguinário.

Por mais que a história de vida dele fosse interessante e até bastante capaz de nos trazer certa simpatia, ele era um personagem meio raso por conta dessa obsessão por sangue e vingança que nunca parecia ir muito além disso. No entanto este jogo ainda que tenha um final óbvio, Kratos mata tudo que se mexe, ele consegue colocar finalmente mais profundidade na vida do espartano. De fato o final em si, em termos de realização emocional é bastante inesperado e consegue fechar a série de forma brilhante. Então mesmo aqueles que desgostavam do homem de uma frase só (i will have my revenge, bem ao estilo Darth Maul), podem ficar tranqüilos que o jogo trará adições extremamente relevantes.

E talvez o mais importante em algo que se vende um encerramento, o final é realmente um final, para o mal e para o bem. Eu não vejo nenhuma necessidade de se fazer um quarto jogo. Não só os três jogos tem uma história contínua que funciona de forma excelente, como o terceiro efetivamente coloca um ponto final muito bem desenvolvido e que não deixa arestas soltas.

Jogabilidade e conclusões finais

A jogabilidade é a mesma dos antigos jogos da série. Misturando uma combinação de combos ágeis e responsivos com killing moves baseados em seqüências de botões. Efetivamente pouca coisa mudou e todos os golpes clássicos continuam lá, assim como algumas adições.

A principal diferença repousa agora no uso de armas, ao contrário de seus antecessores onde nenhuma arma se comparava com as lâminas acorrentadas de Kratos (que sempre ganha um nome novo) neste temos efetivamente armas tão boas quanto elas, e que podem ser facilmente trocadas pressionando o botão analógico. Os poderes também passaram a estar vinculados as novas armas e fora isso existe uma nova subcategoria de itens, com uma nova barra de poder. A coisa toda funciona de forma fluida e natural, e me parece um acerto em relação aos primeiros jogos. Para falar a verdade, este novo sistema é tão bom que até sentimos pena que eles não tenham o implementado quando atualizaram os jogos para sua versão em HD.

Até agora eu só falamos bem do jogo. É muito difícil criticar algo tão bem acabado, que passou tantos anos em produção. De fato, dada a intenção de ser um game de ação desenfreada em terceira pessoa, ele pode até mesmo pegar para si o título de melhor jogo dessa categoria. Vale dizer no entanto que por causa das minhas preferências como gamer, God of War III não me empolgou tanto quanto coisas como Dragon Age, Demon’s Souls, Batman: Arkham Asylum, Uncharted 2 etc… Simplesmente por que estes jogos são tão bem feitos quanto a saga de Kratos, mas se parecem melhor adaptados ao meu gosto pessoal.

Ainda sim existe uma crítica fácil de ser feita. O jogo é muito curto, eu mesmo, que não o joguei com pressa, pois examinei cada parede e dobradiça em busca de itens escondidos levei somente oito horas para zera-lo, e tudo isso tendo conseguido sem qualquer walktrough todos os itens secretos do jogo e XP o suficiente para evoluir todos os poderes. Ou seja, praticamente o terminei por inteiro em oito horas. A coisa é um pouco broxante, mas por um lado tudo é tão bem amarrado e divertido que tranquilamente é possível se jogar mais de uma vez.

Concluindo, God of War III é certamente um dos melhores jogos do ano, e todos aqueles que gostam pelo menos um pouco de jogos de ação deveriam tentar sua sorte com ele, pois sem dúvida a Santa Monica conseguiu reunir neste título o melhor que o gênero tem a oferecer.

Apresentação: 4.5/5
Enredo: 3/5
Jogabilidade: 4.5/5
Fator Replay: 4/5
[xrr rating=3.8/5]

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2 thoughts on “Resenha: God of War III

  1. Sem dúvidas é um dos jogos que mais aguardo poder desfrutar!

  2. Eu e o monstro terminamos em 17 horas nos divertindo muito, cara que jogo animal! As armas sao todas fodas e os Deuses e Titas sao impecáveis, vou jogar de novo no modo difícil!