Literatura

Caso Battisti: Direitos autorais não seriam suficientes para manter italiano no Brasil

Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos, Cesare Battisti sempre justificou em entrevistas que sua fonte de rendimentos no Brasil era originária dos direitos autorais da publicação de livros.
Autor de quinze livros, sendo onze na Europa, por editoras de pouca expressão e baixa divulgação e circulação, e mais quatro no Brasil, suas obras sempre passaram por “contar a história” da sua prisão, a fuga e – mais recentemente – o período no Brasil, ainda sem a passagem da sua saída do país e posterior detenção na Bolívia.
Mesmo quando tentava escrever uma suposta ficção, o autor girava em torno do tema do asilado político, recontando a mesma história repetida vezes.
No Brasil quem acolheu o autor Battisti foi a editora Martins Fontes. Pela casa editorial paulista foram publicados quatro livros desde 2007: Minha fuga sem fim (288.pag)/2007, vendido a preço médio de R$ 51,92 no site da publicadora; Ser Bambu (224.pag)/2010, preço médio de R$ 69,90; Ao pé do muro (304.pag)/2012, à R$ 34,32 e O cargueiro sentimental (180. Pag)/2015, vendido por  R$ 25,52.
Nenhuma das obras de Battisti ganhou destaque. Não se trata de um autor difundido, cujos livros são considerados por sistemas de compras de administrações estaduais e municipais de educação; nunca foi premiado ou teve os direitos adquiridos e adaptados para o cinema ou televisão. Como ficcionista é um embuste na opinião de críticos. Seu nicho de consumidores passa apenas por militantes de esquerda e os frequentadores de alguns eventos que ele participou.
A alegação de que sobreviveu no Brasil de direitos autorais é frágil e questionável. Um simples cálculo fragiliza a versão do italiano. Conforme editores consultados, a maior parte das edições de livros de ficção e não ficção no Brasil têm tiragem de 500 a 5000 exemplares e os autores recebem pelo seu trabalho de 5 a 10% do valor de venda de capa.
Considerando o cenário mais otimista para o italiano, em que suas edições tenham sido publicadas com tiragem inicial de 5000 livros e ele recebesse, por acordo, 10% da capa, teríamos um montante aproximado de R$ 94.300,00 pelos títulos publicados no país. Dividindo esse valor entre 2008 e 2018, Battisti teria conseguido uma renda mensal de aproximadamente R$ 714,00.
Insuficiente para quem viajava com frequência pelo Brasil, chegou a ser detido por evasão de divisas (quais divisas? provenientes do quê?), mantinha carro e pagava a pensão de um filho brasileiro.
Todas as obras de Cesare Battisti no Brasil estão em primeira edição. Não foram esgotadas – pois encontram-se à venda no site da Martins Fontes. Questionada sobre a quantidade de livros vendidos e o repasse ao autor, a editora Martins Fontes não respondeu.
Descartados os direitos autorais caberia avaliar a fonte dos recursos utilizados para a manutenção do condenado em seu período de asilo no Brasil.

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