LançamentosLiteratura

Dos cabelos afro aos pisantes invocados

Livro mapeia o movimento que solidificou o orgulho negro na periferia carioca

Os gritos dos movimentos estadunidenses, em prol dos direitos civis e antirracistas, ecoavam fortemente nos subúrbios cariocas no decorrer dos anos 1970. Milhares de jovens negros-mestiços, oriundos das periferias da cidade, transformavam seus corpos dançantes em veículo para ressignificar, na prática, sentimentos de pertencimento, uma nova percepção insurgente de sua autoestima e afirmação do orgulho negro.

Este é o tema central de “Black Rio nos Anos 70: A grande África Soul”, de André Diniz, doutor em Geografia Cultural pela UFF, professor de pós-graduação da Uni-Carioca e da FACHA, e que viveu de perto esse fenômeno até hoje tão pouco estudado.

“Frequentei esses bailes aos 16 anos, que eram bailes proibidos, enquanto o samba era permitido… Esse movimento foi importantíssimo, ele é a base de todos os movimentos que vão surgir depois, o funk e o hip-hop”, relembra.

Segundo o autor, a Black Rio ou Black Soul estava vinculada a um movimento transnacional embasado na luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses, e incomodava porque estava fora dos cânones da época. Era criticado pela direita, do regime militar, e também pela esquerda, que valorizava a tradição e a modernidade, no caso a sigla MPB. “O movimento black não tinha referência na história da negritude brasileira, mas na história da negritude mundial, na diáspora mundial. Ele era atacado pelo Gilberto Freyre, o pensador da miscigenação brasileira, e era atacado também pelo Ferreira Gullar!”, pontua.

Para André, o movimento Black Soul, Black Rio, por si só já era político. “Ele colocou na ordem urbana do Rio de Janeiro a identidade do cabelo afro, do pisante, da roupa colorida, o negro passou a se sentir bonito. Era um movimento ideológico? Não, era um movimento político também pela questão estética.”

Diniz relembra que a repressão no tempo da ditadura monitorou e se preocupava com o movimento porque achava que recebia dinheiro de fora para estimular a rebeldia, e até mesmo criar um bairro negro de onde poderia se expandir para outros territórios.

E pontua que era também um movimento ligado ao mercado: “Surgia um mercado de produtos para os negros remediados ou de classe média – discos, roupas, pentes, creme… Ou seja, está ligado à questão da moda, à questão do mercado, à questão da identidade, à questão dos direitos civis.”

PARA ADQUIRIR O LIVRO: https://numaeditora.com/livro/black-rio-nos-anos-70-a-grande-africa-soul/

Deixe um comentário

Sugeridos
Carolina Chalita em Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria - Crédito fotográfico Juliana Chalita
AgendaLiteraturaTeatro

“Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria” chega ao CCPJ

Indicada ao Prêmio APTR, Carolina Chalita faz tour da peça que mergulha...

Wado por Henrique Oliveira Panan Filmes
LançamentosMúsica

Wado lança São Francisco, São João

O cantor, compositor e produtor Wado lança em todas as plataformas de...

Victor Biglione - Foto Nando Chagas
LançamentosMúsica

Victor Biglione relança álbum de show produzido por Quincy Jones

Obra remasterizada por Carlos Mills, “29º Montreux Jazz Festival (Ao Vivo)” chega...

RochelleJordan ThroughTheWall
LançamentosMúsica

Rochelle Jordan lança “TTW (Kaytranada Remix)”

Artista se prepara para se apresentar no ZIG Festival, em São Paulo,...

Screenshot
Lançamentos

Alexys Agosto lança o single “Looping”

Disponível nas plataformas em 25 de setembro, “Looping” apresenta a vontade de...

Conep x Young Miko
LançamentosMúsica

Conep lança nova versão de “After” com Young Miko

O artista porto-riquenho Conep uniu forças à superestrela Young Miko para o...

Berg Menezes por Daniel Calvet
LançamentosMúsica

Berg Menezes lança o álbum Faísca, Fagulha Ou Centelha

Terceiro álbum de estúdio do cearense traz Libras, audiodescrição e poética inclusiva...

Os livros marcantes de Zuenir Ventura
ListasLiteratura

Os livros marcantes de Zuenir Ventura

Ao longo de sua trajetória como jornalista e escritor, Zuenir Ventura (1931–2026)...

Zuenir Ventura
AstrosLiteraturaNotícias

Memória brasileira e a trajetória de Zuenir Ventura

Existe um tipo raro de jornalista que consegue transformar a pressa do...

Screenshot
Lançamentos

Mathias Baddo lança “Lado A: Pés Descalços”

Em 20 de setembro de 2026, com “Lado A: Pés Descalços”, temos...

Ângela Castro por Brunno Martins
LançamentosMúsicaSem categoria

Ângela Castro lança o single “Brigadeiro Cafuné”

Faixa marca a abertura da Mostra Levante, idealizada pela cantora e produtora...