Entre o íntimo e o social para pensar sobre autocuidado e maternidade: conheça os bastidores do novo livro da jornalista Luciane Rodrigues

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Diz o ditado que “Quando nasce um filho ou uma filha, nasce uma mãe”. E o nascimento dessa mãe não está restrito a questões da maternidade. Assim que um bebê vem ao mundo, nasce uma mãe puérpera, uma mãe que fica em casa, uma mãe que trabalha, uma mãe que tem dúvidas. Nascem muitas mães. E é esse processo de transformação que a autora Luciane Rodrigues narra em seu novo livro “Maternidade com autoamor: práticas de autocuidado para mães exaustas“. Lançada pela editora Labrador (112 pág.), a obra conta com o prefácio assinado pela jornalista, escritora e mãe de dois, Ana Holanda.

Embora a autora não classifique seu livro como “autobiográfico”, Luciane narra as passagens mais íntimas da sua vida: um aborto espontâneo, a morte da sua mãe, o nascimento dos dois filhos, o sentimento de abandono no puerpério, suas pesquisas sobre feminismo e maternidade e a importância da escrita durante todos esses acontecimentos. 

Para cuidar da sua saúde, Luciane tirou um período sabático de dois anos. Foi aí que retomou a paixão pela escrita terapêutica e iniciou um blog para falar sobre os desafios que estava enfrentando. Ela também foi colunista no portal “Mães que escrevem”, compartilhando reflexões sobre autocuidado. Foi assim que surgiu o projeto “Mãenuscritos – textos de mãe”, onde compartilha textos sobre maternidade, alimentação, feminismo e autocuidado.

Confira a entrevista completa com a autora:

O que motivou a escrita do livro? Como foi o processo de escrita?

Depois de cinco anos pesquisando e escrevendo sobre as questões sociais da maternidade no Brasil, decidi condensar as minhas ideias num livro. Após ter passado por uma fase turbulenta nos três primeiros anos da maternidade, comecei a estudar sobre feminismo e divisão de tarefas domésticas, autocuidado e saúde mental de mães, alimentação natural e espiritualidade feminina. A escrita terapêutica que passei a praticar nas redes sociais me mostrou que eu não estava sozinha. E que as minhas questões não eram só minhas. Eram de outras mulheres-mães também.    

Se você pudesse resumir os temas centrais do livro, quais seriam?

Escrita terapêutica, autocuidado, feminismo e autoamor.

Por que escolher esses temas?

Quando comecei a pesquisar sobre maternidade, percebi o quanto as mulheres se deixam de lado após a chegada dos filhos. E na maioria dos casos, não por causa das crianças. Mas sim pela falta de apoio do parceiro ou até ausência dele. Falta de colaboração de parentes, amigos, da sociedade com um todo. Todos passam a cobrar felicidade, competência e perfeição da mulher-mãe. E ela pode cair no abismo da anulação se não perceber isso logo. A escrita terapêutica me ajudou a conhecer melhor aquela mulher que renasceu e que não queria abrir mão de si para agradar ao mundo. Eu compreendi que precisava de um olhar de autocuidado e de autoamor para não cair no abismo também.  

Que livros influenciaram diretamente a obra? 

Com o “Manual de Introdução à Ginecologia Natural”, de Pabla Perez, uma parteira e pesquisadora chilena, aprendi sobre a importância de ouvir o corpo, conhecer melhor nossa anatomia feminina e saúde. Ela faz um trabalho incrível que envolve Ginecologia Natural, alimentação consciente e ervas. Com os textos feministas de Audre Lorde compreendi que o autocuidado não é aquele que o neoliberalismo nos mostra. E “Tudo sobre o amor”, da intelectual feminista, bell hooks, me mostrou o que era o autoamor verdadeiro, aquele que vem da nossa prática amorosa cotidiana. 

Quais são as suas principais referências como autora?

bell hooks, Pabla Perez San Martin, Audre Lorde, Carla Madeira, Elena Ferrante, Annie Ernaux e, principalmente, minha querida mentora literária, Ana Holanda. 

Como você definiria seu estilo de escrita?

Minhas leitoras dizem que minha escrita é humana, sincera e sensível. Não escrevo com palavras difíceis para mentes intelectuais. Escrevo para acertar o coração das pessoas. Venho da televisão, sempre escrevi para o grande público. Não me interessa uma escrita excludente.   

Você escreve desde quando? Como começou a escrever?


Escrevo histórias e poesias desde os oito anos de idade. Me formei em jornalismo e escrevi roteiros e reportagens durante vinte anos. Mas foi só há seis anos que retomei a escrita criativa. Comecei um blog de maternidade, depois veio uma coluna num portal de mães escritoras. Quando percebi, a escrita não era mais um hobby. Tinha se transformado no meu ofício.

Como é o seu processo criativo? 

Sento à tarde, na cozinha, de frente para uma vista do céu. E passo a refletir sobre o que o fluxo da minha consciência pede que eu escreva. Também tenho muitas ideias quando medito ou quando estou fazendo alguma tarefa doméstica. 

Você tem algum ritual de preparação para a escrita? Tem alguma meta diária de escrita?

Para as mães escritoras é um dia de cada vez, rs.

Quais são os seus projetos atuais de escrita? O que vem por aí?

Participo há um ano e meio da Comunidade de escrita da Ana Holanda. E treinamos várias formas de textos e exercícios por lá. Me apaixonei por ficção e planejo um livro de contos. Também tenho planos de um livro de crônicas. Dizem que a crônica morreu, mas ela está mais viva do que nunca. É só ler o trabalho das escritoras no Substack e no Médium. 

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