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Nova série literária de Bernard Cornwell narra a Guerra da Secessão dos Estados Unidos

BernardCornwellBernard Cornwell é, na minha opinião, um dos melhore escritores vivos, sua narrativa é espetacular, conseguindo amalgamar ficção e fatos históricos de forma fluida e instigante. Com uma linguagem sem meias palavras, de leitura fácil e descompromissada seus livros são verdadeiras aulas de história, com descrições de batalhas e da pungente sordidez humana. Mesmo que os personagens fictícios tenham um papel mais notório em relação aos grandes personagens reais, a forma sem escrúpulos que trata os grandes acontecimentos em sua literatura.

Trabalhou como professor e jornalista, antes da carreira prolífica que entrou nos anos 1980. Dali em diante, veio As Aventuras de Sharpe, com 24 títulos publicados lá fora, as trilogias As crônicas de Arthur e A busca do Graal, a maravilhosa série As Crônicas Saxônicas e alguns outros títulos como O condenado, Stonehenge, Azincourt e O Forte, todos lançados no Brasil pela editora Record. Completou anos em 2014, e já parte para uma nova série, ambientada na Guerra da Secessão, lá nos Estados Unidos, The Starbuck Chronicles, abordando os momentos que o Norte e o Sul, os “escravagistas” e não “escravagistas” entraram em conflito. A série já tem quatro títulos e o primeiro volume foi publicado no final do ano passado: Rebelde, com tradução de Alves Calado, onde iremos acompanhar a jornada de um jovem nortista em meio aos esforços de Guerra no sul.

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Sinopse

Durante o verão de 1861, os exércitos do norte e do sul dos Estados Unidos se preparam para travar o que entraria para a história como a Guerra de Secessão. Rebelde é a fantástica história de como o jovem nortista Nathaniel Starbuck se rebela e luta a favor dos sulistas. Abandonado pela mulher que julgava amá-lo e afastado da família, Nathaniel chega a Richmond, na Virgínia, capital da Confederação sulista. Lá, depara-se com uma turba acossando nortistas e tenta não se envolver. Porém, quando percebe que seu sobrenome é capaz de gerar uma fúria ainda maior — pois é filho do reverendo Elial Starbuck, grande defensor de ideias antiescravagistas —, é resgatado por Washington Faulconer, um milionário excêntrico que deseja reunir uma companhia de elite para lutar contra os ianques. Como forma de gratidão, Nathaniel se alista na Legião Faulconer, mesmo sabendo que isso significa ter de lutar contra o próprio povo. Outros cidadãos enfrentam dilemas semelhantes, no entanto, em pouco tempo, todos se renderão ao caos e à violência que dividiu a América em duas.

Opinião

079934-fc222A Record trouxe ano passado o primeiro volume dessa saga ambientada a Guerra Civil norte-americana, escrita por Bernard Cornwell; algo que muitos fãs do britânico se indagavam por quê a demora, pois ele tinha anunciado que iria escreve já no início do século XXI.

A ação se dá na Virginia, um estado claramente alinhado ou mesmo alienado com a postura radical da Secessão. O protagonista é um jovem ianque, Nate Sturbuck, que fugindo de seu pai, um fanático pregador abolicionista, acaba envolvido nos distúrbios que ocorrem em alguns lugares do Sul como prólogo da guerra que está por vim. Ao escapar do linchamento, acusado de ser espião nortista, Nate é salvo por Washington Faulconer, pai de melhor amigo e um dos principais nomes sulistas, e acaba entrando ao exército confederado.

A narrativa, a partir daí, relata a criação da Legião Falconer, um batalhão armado que de forma independente foi criado para apoiar a luta contra os estados abolicionistas do Norte, e é onde o autor constrói uma boa leva de personagens, com perfis bem caracterizados e estórias que levam a tramas secundários.

Como toda obra histórica de Cornwell, toda a ação se encaminha irremediavelmente tem direção ao climax bélico de uma grande batalha. Neste caso, o desenlace final será Bull Run, também conhecida como Batalha de Manassas, foi a primeira grande batalha da Guerra Civil. Obviamente, todo os personagens que Cornwell apresentou terá um papel decisivo no confronto, em especial Starbuck, na sua condição de ter nascido no Norte, provoca o dilema que entre a tênue linha do julgamento da guerra poderá custar sua vida. O autor, uma vez mais, mostra sua maestria como narrador de batalhas, com o troar de canhões, as descargas de fuzil, o odor do sangue e os gritos dos feridos caindo em bandos.

Entretanto essa fixação de situar seu protagonista causa um incomodo a historiadores por não corresponder a natureza histórica dos fatos, e é um recurso muito utilizado por Cornwell ao longo de sua carreira.  Em As crônicas de Arthur, um jovem saxão de nascimento, filho bastardo de um dos grandes chefes saxões, luta contra seu povo ao lado de Arthur e os bretões. Na saga As Crônicas Saxônicas, um rapaz também saxão, mas educado deste pequeno entre os dinamarqueses, mas durante a série luta ao lado ou contra eles quando convém. Em todos, o conflito interno é desenvolvido e permite ir em direção de detalhes interessantes do antagonismo e Cornwell consegue constituir brilhantemente nos anteriores, mas nesse começa a dá sinais de cansaço.

O autor dá aos personagens um tom bastante caricatural e em sua maioria arquetípica, como uma dessas novelas que sai na TV aberta.  Em meu ponto de vista, as narrativas mais recente do autor não conseguem transmitir as mesmas sensações que encontramos em seus livros mais antigos como no caso das aventuras de Richard Sharpe.

Apesar desta crítica, mais relacionada aos fãs, posso dizer que gostei da história, me deixou com vontade de ler a série completa.

Aguardarei os próximos títulos. Em suma: uma história que entretém, com ação e para interessados pelos acontecimentos que levaram à Guerra Civil Americana e a trama do conflito em si mesmo. De leitura rápida, com frases e diálogos curtos, Rebelde é, dentro do gênero ficção histórica, indiscutível, mas, a título pessoal, prefiro a ferocidade dos muros de escudos do que batalhas com pólvora. Vale uma leitura!

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