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Resenha: “Aventuras de Tomé Pires”

Em 1495 o Rei Dom Manuel, o Venturoso, ascendia ao trono de Portugal. Foi ele o primeiro rei a ser nomeado o Senhor do Comércio, da Conquista e da Navegação na Arábia, Pérsia e Índia. Estes fatos aconteceram de verdade, assim como também é real a escolha do boticário Tomé Pires para ser o primeiro Embaixador de Portugal na China, em 1516, e como tal ele tinha a função de relatar ao rei a geografia, a política e também a medicina do local. Esse é o contexto e a gênese do livro “Aventuras de Tomé Pires”, que começa fazendo a descrição das terras chinesas de um dia de 1517.  

Aos fatos reais, a autora Norma Ramos mistura personagens fictícios e, então, constrói suas narrativas que colocam o leitor em contato com a cultura e as paisagens da China. Notem que eu disse ‘narrativas’ – no plural. O livro é um romance e marca a estréia de Norma no gênero, mas poderia perfeitamente ser uma compilação de contos. Tomé Pires e seu sobrinho Estácio de Souza, um dos personagens fictícios da história, se aventuram pela China e, apesar de haver uma seqüência na trama – o grupo de portugueses viajando de Cathay à capital do norte, Pekim, negociar relações comerciais com o Imperador, o Filho do Céu, como dizem os chineses –, ela poderia ser desmembrada em várias pequenas peripécias e não sentiríamos uma quebra na narrativa.  

Apesar de ser um romance de leitura fácil, agradável, o livro não é capaz de prender o leitor a ponto de intrigá-lo, nem sequer envolvê-lo na história. Quando algo surpreendente é anunciado, em poucos parágrafos ou, no mais tardar, na página seguinte, a questão já está solucionada.  

“Aventuras de Tomé Pires”, sem muitas aventuras, se torna curioso quando descobrimos a história da autora na orelha do livro. Ela casou-se com um crítico literário nos anos 50. Nesta época, Norma já rabiscava histórias e contos no papel, até que seu marido disse: “Nesta casa, há lugar apenas para um escritor”. Assim sendo, ela guardou seus rascunhos em uma lata de biscoitos e só voltou a encontrá-los meio século depois. O marido já havia morrido e Norma não mais precisava ficar escondida, às sombras de um “numeral masculino”, como disse Charles Kiefer, escritor brasileiro que venceu três vezes do Prêmio Jabuti de Literatura. Mesmo com mais de 80 anos de idade, esta senhora escritora começou a freqüentar as oficinas literárias de Kiefer, voltou a escrever contos, até que em 2011 lançou seu primeiro romance – “Aventuras de Tomé Pires: naturalista, boticário e diplomata, no Reino de Cathay”.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Aventuras de Tomé Pires

Autor: Norma Ramos

Editora: Dublinense

Páginas: 255

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Aprendiz

Publicado por FlordaSerra

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