em ,

Tristes Camelos

Tristes Camelos | Ambrosia | Revista Ambrosia

O nome é Tristes Camelos, mas poderia ser Poesia na Virilha, Olhos Cinzas ou Quarenta Andares. Se você leu esses possíveis títulos e imediatamente imaginou essas coisas, é provável que goste do livro de Daniel Corrêa. Um grande mérito seu é a capacidade de gerar imagens na cabeça das pessoas. Tristes Camelos é um romance descritivo. É um emaranhado de cenas, um amálgama imagético. Por isso mesmo, parece que foi escrito em um brainstorming, cheio de sentimento, cheio de coisas que podem ter diversos significados ou significado algum – depende do leitor. É como uma música de Tom Zé, e por isso mesmo, longe de ser unanimidade.

O mote do livro é o amor do narrador por Gabriela, ao mesmo tempo que também conta sobre outra ex-namorada especial, Luíza, com quem conversa sobre a primeira num bar durante boa parte da história. Esta é, inclusive, a cena que permeia o livro – vide a capa. Há descrições que tocam qualquer um que já tenha perdido um grande amor, justamente pelo modo apaixonado como é escrito. Inevitavelmente, nos faz refletir um pouco.

A leitura é rápida não só porque o livro é curto – 140 páginas de bolso, com fonte Calibri 12 – mas também porque ela flui com facilidade. Uma característica de Corrêa é a escrita ágil. Conforme vai chegando ao fim, o vínculo entre os personagens e a ordem com a qual as coisas acontecem é mais bem compreendida e a leitura flui ainda mais rapidamente. Algumas coisas, porém, não ficaram claras para mim em momento algum e isso sempre frustra um pouco.

Este é o primeiro romance de Daniel Corrêa – tem também um livro de contos e um cordel publicado. É uma boa forma de se iniciar no ramo, mas também um modo muito pessoal – segundo ele, 90% biográfico. No documentário Caro Francis, de Nelson Hoineff, o jornalista Daniel Piza diz que Paulo Francis não conseguiu ser um bom romancista porque nós o enxergávamos dentro de sua escrita, ele não conseguia se distanciar. Partindo do pressuposto de Piza, Corrêa perde, mas, eu, particularmente, aprecio a escrita a partir das próprias entranhas. Muitos poemas primorosos, por exemplo, vêm desse modo de escrever.

Para saber mais sobre onde comprar Tristes Camelos, visite http://tristescamelos.tumblr.com/ ou http://www.editorafaces.com.br/tristes-camelos/.

Aliás, como Corrêa gosta de lembrar, o livro não tem nada a ver com camelos.

[xrr rating=3/5]

Participe com sua opinião!