Uma nova história de um mundo perdido, em Ascensão e Queda dos Dinossauros

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Ao assistir a Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros de Steven Spielberg, em 1993, as cenas impactaram minhas escolhas futuras. Parecia bobeira, mas fui colecionando tudo que saía sobre dinossauros, figurinhas, recortes de jornais, revistas e livros, que a base para a minha formação superior era formada. Ao ler Ascensão e Queda dos Dinossauros – Uma nova história de um mundo perdido, as lembranças vieram a tona. Seu autor, Steve L. Brusatte, traz também suas lembranças, como seu interesse por aqueles animais ultrapassou o seu julgamento.

Uma nova história de um mundo perdido, em Ascensão e Queda dos Dinossauros | Literatura | Revista Ambrosia

Em 1999, Brusatte ainda estudante, ligou para Walter Alvarez, perguntando sobre a teoria da extinção dos dinossauros. Alvarez formulou a teoria de que um asteroide caiu na Terra há 65 milhões de anos causando a catástrofe. O livro dá a pista para concluir o porquê do cientista ter sido tão receptivo. Seu entusiasmo é contagiante, se fez quando jovem, agora mais velho, se diverte com os leitores.

Ascensão e Queda dos Dinossauros (Editora Record, 2019) é uma divertida obra que reúne as explicações científicas e o domínio literário do autor. Brusatte traz o conhecimento acumulado sobre os dinossauros até a atualidade intercalando com histórias de cada descoberta.

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Como no caso da A Guerra dos Ossos, causada pela rivalidade entre dois paleontólogos, Edward Cope e Othniel Marsh, famosos pelas descobertas de vários dinossauros famosos, como o alossauro ou o brontosauro. Ambos usaram de métodos desonestos, como o suborno, roubo ou destruição de ossos. O resultado: acabaram falidos.

Depois de um breve prólogo sobre o que é um paleontólogo no século 21, o autor nos apresenta um início aterrador da vida, violento e assustador. E de uma maneira cativante, divertida e fácil de ler, mesmo com a tecnicidade da ciência, nos leva a uma viagem de cerca de 250 milhões de anos no tempo, como também a um mapeamento sobre a pesquisa paleontológica. O interessante está na forma como Brusatte constrói a narrativa, é como uma crônica meio que autobiográfica, com os dinossauros sendo o elenco de personagens numa história bem afiada com protagonistas e antagonistas, permitindo uma narrativa da extinção dos dinossauros e da caça pelos fósseis, numa escrita científica fácil para qualquer leigo.

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O autor, que aposta na maneira literária para divulgar a ciência da paleontologia.

É surpreendente a história evolutiva dessas criaturas, dos tiranossauros, aos gigantescos gigantossáurios, sua extinção e como alguns enganaram a morte evoluindo para os pássaros. Outra característica importante do livro de Brusatte é sua reverência por seus colegas cientistas, pesquisadores de campo e entusiastas. Se mostra realmente humilde para alguém tão talentoso para dar crédito a outros onde o crédito é devido. Brusatte adora um bom quebra-cabeça, sempre deixando perguntas em cada capítulo apresentado e faz questão de salientar que nem todos os grandes mistérios dos dinossauros foram resolvidos ainda, e será a próxima geração a encontrá-los. Quem sabe, talvez alguns de seus leitores ocupem seu lugar um dia?

Assim como os livros de Robert T. Bakker foram essenciais para os entusiastas nos anos 1980, Ascensão e Queda dos Dinossauros, de Steve Brusatte, é leitura obrigatória para qualquer um, seja entusiasta ou não.

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