Literatura

Uma Princesa de Marte, de Edgar Rice Burroughs

Apesar de existirem tantos livros quanto estrelas, poucos são aqueles que, além encantar seus leitores, adentram o imaginário coletivo e influenciam toda uma cultura. “Uma Princesa de Marte“, primeiro livro da série “Barsoom”, felizmente figura entre estes raros exemplos. Escrito na segunda década do século XX por Edgar Rice Burroughs, também autor de Tarzan, este romance apresenta na era moderna – talvez pela primeira vez – o conceito de super-herói.

Na aventura do livro, John Carter, um capitão veterano da guerra civil americana, sucumbe à morte em uma caverna no Arizona após tentar resgatar um amigo que havia sido capturado por índios. Misteriosamente, acaba  sendo transportado para o planeta Marte onde, devido a gravidade e outros fatores, ganha “super-poderes”, como poder saltar grandes distâncias, aumento de agilidade e força descomunal em relação aos habitantes de lá. Reconheceu isso em algum lugar? Sim, é a mesma premissa do Superman nos seus primeiros anos de criação, quando o personagem ainda não tinha seus poderes tão radicalizados.

Um segundo para absorverem a informação…

“Uma Princesa de Marte” foi publicado completo em 1917 (em 1912 parte do romance foi lançado com o título “Under the Moons of Mars”), mais de 20 anos antes do Superman ser apresentado na revista Action Comics. John Carter, junto com Tarzan (1912) e Hugo Danner (1930), são considerados os primeiros personagens modernos com habilidades e desafios sobre-humanos, já que Zorro (1919) e Besouro Verde (1930) combatiam o crime sem poderes extraordinários, o que coloca John Carter como o primeiro super-herói em ordem de publicacão!

Mas além de toda importância cultural, “Uma Princesa de Marte” é um romance delicioso. Quando analisamos o trabalho de Burroughs, se torna importante entender o momento histórico, já que por pertencer ao gênero pulp (uma categoria menor da literatura do início do século XX), seus romances mantém um estilo simples de poucas pretensões acadêmicas. Algo que poderia ser visto como um demérito da obra nos romances do autor – principalmente não levando em consideração que Ulisses, de James Joyce, seria lançado em 1922 para revolucionar a literatura do século XX – acabam se tornando uma qualidade. A “inocência” transmitida ao ler a série Barsoom, seja na construção dos personagens ou descrição das ações, funciona como válvula de escape para romances mais densos, algo similar ao efeito de ver um filme de Chaplin após um festival de cinema independente. Vale registrar também que Burroughs buscou uma carreira militar, mas após ser dispensado e passar uma década fazendo bicos descobriu que ser escritor de revistas pulps era um trabalho remunerado, e resolveu se aventurar no mundo literário, obtendo fenomenal sucesso graças ao seu dom sobrenatural como escritor.

De volta a Marte, ou Barsoom como é conhecida por seus habitantes, o livro segue a trajetória de John Carter ao encontrar uma raça antropomórfica de aparência inseticídea que, mesmo mantendo conceitos modernos de dignidade, vive na barbárie se digladiando com outras raças similares. Devido a seus “super-poderes” e habilidade militar, John Carter logo se destaca entre os marcianos e passa a receber certo prestígio e liberdade enquanto aguarda uma grande reunião de tribos. Porém, tudo muda quando uma princesa de Marte cruza seu caminho. Tendo sido capturada ao cruzar inadvertidamente com os marcianos verdes, Dejah Thoris foi mantida em cativeiro enquanto os outros membros da sua tripulação foram exterminados sob os olhos do capitão Carter. Ao contrário dos grotescos marcianos, a princesa Dejah Thoris possui aparência similar a dos terráqueos e é extremamente bela, tão bela a ponto de fazer um homem querer morrer mil mortes para poder socorrê-la. John Carter, perdidamente apaixonado, promete salvar Dejah Thoris de sua terrível condição e retornar com ela para a bela cidade de Hélium, lar dos marcianos vermelhos. Mas sem conhecer os costumes da misteiorsa Barsoom e a dimensão do problema envolvido, a tarefa se mostra muito mais do que o ex-cavaleiro da Virgínia poderia esperar.

“Uma Princesa de Marte“, primeiro livro de uma série de onze volumes, apresenta ainda conspirações de poder, batalhas terrestres e aéreas, uma arena de gladiadores, amizades inusitadas, um desfecho irritante, e claro, uma história de amor digna dos sessenta milhões de quilômetros que separam o planeta azul do vermelho.

Como prometido, em breve teremos novos artigos sobre a série de Barsoom e seu criados, mas enquanto isso, não marque bobeira e concorra ao livro “Uma Princesa de Marte” aqui no Ambrosia, lançado no Brasil pela Editora Aleph!

Ilustração exclusiva deste artigo pelo Marcelo Pitel.

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