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15 anos de The Division Bell do Pink Floyd

E sim, eu sei que The Wall completa 30 anos em novembro, mas como The Division Bell completa 15 anos em 30 de março, preferi falar dele primeiro, afinal de contas, antes do ano acabar, teremos um especial dedicado ao The Wall com podcast e tudo mais. Porém, antes, vamos ao último disco de estúdio do Pink Floyd.

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Como eu sei que nosso público é um tanto quanto heterogênico, eu vou supor que muitos que passaram seus olhos por este artigo sequer ouviram qualquer música do Pink Floyd que não “Wish You Were Here” e “Another Brick in the Wall (part 2)“. Bem, Pink Floyd foi uma banda que …, meu, sinceramente, se você que está lendo isso nunca ouviu um disco do Pink Floyd, se mata tá?! Não vou ficar aqui falando sobre a história da maior banda de rock de todos os tempos (Os Beatles eu considero que nem Pelé, nem entra na lista). O que você precisa saber é que Pink Floyd, graças a genialidade de Roger Waters e de seus companheiros de banda David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, galgou o lugar que está e sempre estará.

“The Divison Bell” é um álbum que tem a cara e os arranjos de David Gilmour pois Roger Waters há muitos anos havia saído da banda devido a desentendimentos e por achar que era um deus na Terra. O nome da banda, porém, ficou para Gilmour, Wright e Mason, que continuaram sem ele. Após alguns álbuns bem fracos (Final Cut, a despedida de Waters e A Momentary Lapse of Reason, uma porcaria comercial), os três lançaram, sem Waters, o belo “The Division Bell”, o verdadeiro primeiro disco do Pink Floyd sem Waters.

O disco marca a separação da banda do estilo de Waters e é aí que podemos ver o talento de Gilmour e Wright surgindo. O álbum, novamente tematizado ao estilo de Waters, fala sobre a comunicação ou melhor, a falta desta. O Division Bell é um sino que fica no parlamento inglês e é tocado toda vez que as discussões chegam em certo limite. Aqui o sino é o símbolo da separação que os homens vivem, isolando-se em seus mundinhos.

O álbum começa com “Cluster One”, uma música instrumental que dá enfase ao piano de Wright e um pouco de experimentação, nada demais entretanto. Ela é apenas um aperitivo ao que está por vir.

O disco realmente começa com “What Do You Want From Me?” em que Gilmour, Wright e a esposa de Gilmour, Polly Samson se comunicam com o fã, aquele ouvindo o disco, vendo os shows da banda e fazem a simples pergunta, o que você quer de mim? Conforme a música passa, vemos que todos temos a liberdade de escolher o que fazer, perder-se ou achar um caminho na vida, começa aqui uma jornada pelo âmago do ser humano.

“Poles Apart” é meio que uma tentativa de falar novamente com os antigos membros da banda que ficaram pelo caminho. Primeiro Syd Barret, o gênio que perdeu a luta para as drogas e sumiu do mundo e o segundo, Roger Waters, o gênio que abandonou a banda após uma longa briga de poderes com Gilmour. Aqui queremos voltar a nos comunicar com o passado, é quase um pedido de reconciliação, que tem uma enorme importância para a banda e os fãs, que sempre amaram Pink Floyd como um todo e não suas peças em separado.

“Marooned” é uma bela música instrumental em que a guitarra de Gilmour fala mais alto que qualquer coisa. Dói o coração ouvir aqueles acordes entristecidos, remetendo a pessoa presa, isolada em sua ilha deserta, cercada pelo mar das incertezas que a vida nos traz. Gilmour, um dos melhores guitarristas de todos os tempos, não podia perder essa chance de colocar um longo e bonito solo de guitarra no disco. Muitos anos depois, ele lançaria um disco solo intitulado “On an island” mostrando que ele ainda se sente preso naquela sua ilhota.

“A Great Day For Freedom” é uma bela homenagem àqueles homens e mulheres que foram separados pelo Muro de Berlim e viveram como “vizinhos”. Em verdade, por mais que se queira, a letra é literal demais para querer se falar que ela foi feita sobre Roger Waters e seu “The Wall”. A luta pela liberdade, nem que fosse a de expressar-se sempre foi a mais árdua das lutas travadas contra os governos opressores. A Queda do Muro foi um dos maiores marcos históricos para demonstrar que a vontade do povo sempre tende a passar por sobre os governos, mesmo que os anos passassem lentamente.

“Wearing The Inside Out” é uma música difícil de se explicar em razão de sua letra ser dúbia, enquanto Wright canta uma coisa, as cantoras do back vocal cantam outra, que acabam se misturando em uma só. Em se tratando da temática do disco, essa analogia fica clara. Os cantores não se entendem totalmente, cada um mantendo seu discurso, que apenas em alguns instantes se une em uníssono. A temática é clara, só não vem quem não quer.

“Take it Back” é uma mensagem clara à humanidade. Ou nós cuidamos de nosso planeta, ou ele irá tomar tudo de volta para si. A comunicação aqui ganha outro teor, nesse caso, a empatia entre homens e natureza, coisa que anda faltando ultimamente.

“Coming Back to Life” é David Gilmour aproveitando o momento para homenagear sua esposa e lavar um pouco de roupa suja a respeito do passado dos dois, que deve ficar para trás em razão de tentar-se trazer à vida seu relacionamento. Em verdade, é uma música romântica mostrando que o passado dos dois ficou para trás e que o que importa é o que virá daqui para frente.

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Os barulhinhos da era Waters voltam em “Keep Talking” com direito até a discurso do físico Stephen Hawking. A temática da comunicação também. E aqui vemos que Waters não fez tanta falta a Gilmour e cia quando se trata de fazer experimentações musicais.

“Lost for Words” é a mais silenciosa das músicas deste disco, e a que talvez fale mais abrangentemente, desde as relações entre os países até as relações inter pessoais, falando da raiva que cada um tem em si e dos fracassos pelos quais passamos na vida.

“High Hopes” foi a primeira música a ser feita para o disco e a última a ser gravada. Com certeza é uma das melhores músicas da banda em toda sua carreira. Desde o piano marcante de Wright ao solo de guitarra final de Gilmour, essa música é puro Pink Floyd, sendo elogiada até mesmo por Waters. A letra remete a infância de cada um de nós e o constante badalar do sino durante a música nos lembra constantemente que todos estamos ansiosos por falar, mas que temos de saber a hora certa de fazê-lo. A nostalgia que essa música traz em si é impossível de se deixar notar e em razão disso, sempre foi colocada entre as melhores músicas da banda.

Com isso, termina esta simples e breve análise do álbum “The Division Bell”, espero que os fãs tenham gostado e quem sabe, os que nunca ouviram a banda possam ter pelo menos a curiosidade de escutar um pouco desta banda fenomenal. Eu evitei ao máximo encher este post com vídeos ou clipes musicais para que ele fluísse melhor, porém, quem quiser, pode achar todas as músicas a partir daqui.

J.R. Dib

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6 Comentários

  1. Excelente matéria, li sobre todas as músicas, e é exatamente isto mesmo do que se trata o album. Me lembro que quando comecei a ouvir Pink Floyd, em 1997, foi justamente por causa do album Division Bell. Foi na casa de um amigo meu, fã da banda tb. Sem dúvida é um album fenomenal, fiquei fã do Pink Floyd por causa deste disco. Recomendo a quem não ouviu pink floyd ainda, que tenha este cd na sua coleção.

  2. Como fã da banda há quase 40 anos – incluindo a paixão adolescente que nunca curei, pelo David Gilmour rs – parabenizo o blog pela ótima resenha do Division Bell. Corresponde totalmenete ao meu sentimento e observação sobre o mesmo.
    Vale ressaltar que, como professora roqueira, tive ótimos feed-backs musicais com meus alunos: com eles, descobri muitas bandas boas, que adicionei ao meu universo musical …….. em troca, apresentei-lhes a ‘trilha sonora’ da minha vida rs …….. o Division Bell foi o disco que mais facilitou essa troca … E nem parece que já se vão tantos anos …. O Pink Floyd é eterno, através de seus fãs. Obrigada ^^