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A volta do Disco de Vinil

Lá estava eu nas minhas caminhadas pelo Centro do Rio de Janeiro, quando resolvo entrar em uma Saraiva Mega Store para conferir algumas novidades quando deparei com algo que não encontrava há muitos anos: um disco de vinil!

Isso mesmo, dentro da Saraiva Mega Store, no meio de tantos CDs lá estava o LP do novo álbum do Coldplay, Viva La Vida.

Desde o ano passado, a indústria fonográfica mundial assiste a uma movimentação curiosa. Dado por muita gente como morto, o disco de vinil começa a ensaiar uma possível ressurreição. Segundo a Nielsen SoundScan, em 2007 foram comprados quase 1 milhão de LPs nos Estados Unidos, no ano anterior o número era de 858 mil. De acordo com a Recording Industry Association of America, a produção de CD caiu 17,5% durante o mesmo período de 2006/2007. Em 2007, meio milhão de aparelhos de toca-discos foram vendidos apenas no território americano.

Bob Ludwig, engenheiro de masterização que já trabalhou com o Nirvana, explica que a desilusão com o som do CD e do mp3 surge como a razão da volta do vinil: “Com o vinil, a amplitude vai do preciso ao mais quente quando a idéia é reproduzir o material original. [O mp3] pega 90% da música e joga fora”.

Em nosso país, se as majors tentaram enterrar o vinil para sempre, os selos independentes não desistiram dele. A empresa goiana Monstro Discos se caracterizou pelos lançamentos de compactos coloridos de nomes como Autoramas e Júpiter Maçã. Lançado em 2001, Guerra Civil Canibal, do Ratos do Porão vendeu 3 mil cópias, conta o diretor artístico Léo Bigode.

Porém a produção de vinis em nosso país sofreu um golpe muito duro. A Polysom, única fábrica de LPs da América do Sul, situada em Belford Roxo (Rio de Janeiro), cerrou as portas no início do ano.

Artistas de renome como Caetano Veloso e Lenine estão investindo em LPs também. O álbum Cê de Caetano vendeu 400 cópias em LPs no ano de 2006, o próximo álbum de Lenine, programado para este mês via Universal, sai acompanhado de 500 peças em vinil, ou seja, não são somente os artistas americanos e europeus adotando a ressurreição do disco de vinil.

“Acredito que possa ser criado um novo público, se puder ser reproduzido um bom vinil ao lado do CD da mesma música”, entende João Augusto, presidente da Deckdisc que estuda a viabilização de uma nova fábrica no Brasil. Ele afirma ainda que a digitalização apenas tem tornado a música mais descartável. “Isso [o retorno do vinil] não é apenas para colecionadores e saudosistas. É para quem gosta de música.”

Então é hora de desenterrar a vitrola do vovô lá do sótão de casa.

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Publicado por V.H. Batista

Designer, Nerd, Colecionador. Apaixonado por praia, trilhas, ler, cinema, figuras de ação e animações.

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