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Annie Haslam, a voz do Renaissance, fala à Ambrosia sobre mais uma visita ao Brasil

Uma história de amor com o Brasil. Esse poderia ser o resumo da história entre o Renaissance, uma das bandas mais populares do rock progressivo, e o Brasil.

Com várias visitas ao Brasil desde 1997, Annie Haslam, a voz e líder do Renaissance, demonstra que o amor do público pela música da banda é retribuído com admiração e muito carinho.

O caso de amor é tão forte que até uma canção foi escrita para o país (Brazilian Skies) e um álbum solo ao vivo foi gravado no Brasil (“Live Under Brazilian Skies”), lançado em 1998, além do sucesso (exclusivo) da canção “Let it Grow”.

Depois de apresentações em São Paulo e Belo Horizonte, o Renaissance, acompanhado pela também britânica Curved Air, fecha o giro brasileiro de 2022 (que deveria ter acontecido em 2020) com um show no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, neste domingo (5/6)

Em conversa com o Ambrosia, a vocalista e pintora, que vai completar 75 anos durante a passagem pelo Brasil, falou sobre a turnê, a pandemia e sobre como gosta do nosso país.

Você lembra algo sobre o Brasil de 1997, quando veio aqui pela primeira vez, e o país que visitou da última vez, poucos anos atrás?

— Nossa, isso faz tanto tempo! 1997. Eu já estive no Brasil várias vezes depois de 1997, Na verdade, quando fazemos uma turnê, normalmente não temos tempo para conhecer os lugares e as “pessoas de verdade”. Dessa vez eu pretendo ficar uns dez dias apenas conhecendo o Brasil. Dessa primeira visita eu lembro de ter tido dificuldades para encontrar um restaurante vegetariano. Hoje, isso não é mais problema (risos).

Como surgiu essa oportunidade de vir tocar no Brasil?

— Recebi um telefonema do promotor local perguntando se poderíamos tocar porque algum artista havia canelado a turnê. Bem, nós fomos e foi sensacional. Lembro de termos tocado em um lugar chamado Barra da Tijuca. Lembrei o nome certo? Era um lugar muito grande e bastante gente foi nos ver.

Você ficou surpresa em saber que era conhecida no Brasil?

— Sim, foi uma surpresa. Era uma época totalmente diferente, sem internet e sem essa facilidade de se conseguir informações ou ter acesso ao trabalho de um artista. Fizemos uma série de entrevistas e foi um choque, mas foi ótimo saber que éramos conhecidos. A nossa maior dificuldade foi realmente com o idioma. Ficamos alguns dias no país depois da turnê acabar, mas a barreira do idioma foi algo difícil de contornar. Até para mandar um cartão postal era complicado porque não encontrávamos ninguém nas agências dos Correios que falasse inglês (risos). Por causa disso ficamos apenas dois dias e voltamos para a Inglaterra.

O Renaissance tem mais de 50 anos de carreira e é um dos mais populares nomes do rock progressivo. A que fator você atribui esse sucesso com o público?

— Isso aconteceu, acredito, por conta da utilização de orquestras, diferente do que faziam bandas como o Emerson, Lake and Palmer ou Genesis. Na verdade, acho que nossa música deveria ser chamada de rock sinfônico e não rock progressivo.

E como está sendo essa volta aos palcos?

— Estou ansiosa. Tínhamos alguns shows programados para o Brasil em 2020 e tivemos que adiar. Imagino que ainda existam pessoas com receio de ir a shows, mas espero que venham nos ver. Em 2020 eu recebi a informação de que a turnê havia sido cancelada em uma sexta-feira 13, que deveria ser um dia de sorte. Tivemos que cancelar porque nós também estávamos com receio de ir para qualquer lugar, inclusive o Brasil. Ficamos com medo de nunca mais voltarmos!

E como foi a sua vida nesses últimos anos?

— Foi um tempo difícil, com a doença se espalhando e pessoas morrendo por todo o planeta. Eu chorava todos os dias pensando nas pessoas que morriam. Eu corava pelo mundo. Cheguei a pensar que jamais cantaria novamente. Perder dois anos e meio na minha idade é algo muito difícil. Turnês podem ser cansativas. Além disso, teve a questão financeira, já que ficamos dois anos e meio sem nenhum ganho. Também pintei um pouco, mas bem pouco.

Nenhuma gravação nova?

— Gravei uma canção em homenagem a John Hawken (tecladista do Renaissance) que é linda, mas ainda não foi lançada. Foi a única gravação que fiz nesse período.

Alguma chance de termos um novo álbum de inéditas?

— De verdade, não sei.

O Renaissance e Elton John são alguns dos artistas que têm canções que só são/foram sucesso no Brasil. Como foi descobrir que “Let it Grow”, do álbum Ashes Are Burning (1973) era um hit no Brasil e que precisava ser incluída no setlist dos shows? (A canção só é tocada nas apresentações feitas no Brasil).

— Não tinha ideia de que essa canção era famosa no Brasil. As pessoas cantam junto desde a primeira turnê. É maravilhoso!

O que você espera desse reencontro com o público brasileiro?

— Acho que vai ser muito emocional, muito emocionante. Da última vez já foi assim Tocamos em lugares onde conseguia ver os rostos das pessoas. Isso é diferente de tocar em lugares grandes. A música é uma coisa muito poderosa. É como uma conexão espiritual e é por isso que eu faço isso por tanto tempo. Num concerto do Renaissance eu espero que as pessoas apreciem a música, mas que também encontrem um pouco de paz, principalmente nos dias de hoje, quando as pessoas precisam saber que elas não estão sozinhas. A música, assim como a minha pintura, vem de algum lugar e eu sou apenas o instrumento para a sua materialização.

Alguma lembrança da última passagem por aqui?

— Lembro de ter tocado no Teatro Municipal de Niterói, um lugar belíssimo. Lembro que durante a passagem de som podíamos ouvir uma manifestação do lado de fora do teatro e que, no fim do show, caíram pétalas de flores sobre nós. A última vez que tinha acontecido isso, ter pétalas sobre a minha cabeça, havia sido na década de 1970. Foi emocionante e bonito demais!

Alguma mensagem para os fãs?

— Estamos muito ansiosos de voltar ao Brasil. Espero fazer todos ficarem felizes e que venham nos ver e que não tenham medo. Fizemos uma longa viagem de avião para estar com vocês. Então, não tenham medo de ir ao show. Usem máscaras!

O Renaissance é formado hoje por Annie Haslam (vocal) e Michael Dunford (guitarra), além de John Tout (teclado), Jon Camp (baixo) e Terry Sullivan (bateria).

Serviço

Renaissance no Rio de Janeiro

Data: domingo, 5 de junho
Horário: 20 horas
Local:  Vivo Rio — Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo (www.vivorio.com.br)
Preços: entre R$ 280 e R$ 400

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