As influências que moldaram Michael Anthony

Michael Anthony pode não ter sido o integrante mais badalado do Van Halen, mas sua presença foi absolutamente essencial para a sonoridade marcante da banda — seja pelo seu baixo sólido e vibrante, seja por seus vocais de apoio poderosos. Em uma conversa reveladora com a Classic Rock (via Louder Sound), o músico contou quais…


Van Halen's Michael Anthony Backstage At The Metro Center

Michael Anthony pode não ter sido o integrante mais badalado do Van Halen, mas sua presença foi absolutamente essencial para a sonoridade marcante da banda — seja pelo seu baixo sólido e vibrante, seja por seus vocais de apoio poderosos. Em uma conversa reveladora com a Classic Rock (via Louder Sound), o músico contou quais artistas e momentos moldaram sua identidade musical — e não faltam histórias fascinantes sobre descobertas, persistência e paixão verdadeira pela música.

Anthony cresceu rodeado por instrumentos: seu pai era trompetista e o obrigou a seguir o mesmo caminho, como também fez com seus três irmãos. Mas foi a influência da irmã mais velha, envolvida com bandas como Blue Cheer e Arthur Lee & Love, que o levou a se apaixonar pelo rock pesado e pelos palcos cheios de amplificadores Marshall. A decisão de tocar baixo veio quase por exclusão: enquanto todos queriam ser guitarristas ou vocalistas, ele pegou um Fender Mustang, removeu duas cordas e começou a descobrir, aos trancos e barrancos, o mundo das linhas graves. Sem aulas formais, aprendeu observando músicos locais e ouvindo os grandes nomes da época.

Entre os baixistas que mais o influenciaram estão Harvey Brooks (The Electric Flag), Jack Bruce (Cream), John Entwistle (The Who) e, sobretudo, John Paul Jones (Led Zeppelin). O estilo de Jones, com linhas melódicas que nunca roubaram o protagonismo da guitarra de Jimmy Page, inspirou Anthony a seguir uma abordagem “sentida” e colaborativa. Sua poderosa voz também se destacou ao longo da carreira — muito antes do Van Halen, ele já era “escalado” para ser vocalista nas bandas por falta de voluntários. Mesmo após integrar um dos maiores grupos do rock, o baixista afirma nunca ter buscado o estrelato, mas sim o groove, a conexão com a bateria e a vibração coletiva no palco. E sobre seu lugar na história? Ele é modesto, mas assertivo: “Me vejo como um sólido oito em dez. E estou feliz com isso.”

A trajetória profissional de Michael Anthony decolou de vez no final dos anos 1970, quando se juntou ao Van Halen, ainda no início da formação clássica com David Lee Roth, Eddie e Alex Van Halen. Sua combinação de linhas de baixo precisas, timbre encorpado e vocais agudos e marcantes se tornou uma das assinaturas sonoras do grupo — especialmente em álbuns como “Van Halen” (1978), “1984” (1984) e “5150” (1986). Mesmo sem ocupar o centro do palco, Anthony sempre teve presença forte ao vivo, conhecido por seu carisma, energia contagiante e performances afiadas. Seu entrosamento com Alex Van Halen na seção rítmica era um dos pilares da banda, ainda que muitas vezes ofuscado pelo brilho de Eddie na guitarra.

Após ser afastado da formação oficial do Van Halen no início dos anos 2000, Michael Anthony se reinventou ao lado do vocalista, também ex-Van Halen, Sammy Hagar no supergrupo Chickenfoot, ao lado de Joe Satriani e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers). O projeto resgatou sua relevância no cenário do hard rock e mostrou que, mesmo com décadas de estrada, seu entusiasmo pelo palco e pela música permanecia intacto. Mais recentemente, ele também integrou o The Circle, banda com Hagar que revisita clássicos e apresenta material novo. Ao longo de toda a carreira, Anthony sempre valorizou o papel do baixista como elo de sustentação musical — uma postura firme, técnica e humilde que o consagrou como um dos grandes operários do rock.