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Com "Vista Pro Mar", Silva faz de sua música um veraneio poético

Depois de Marcelo Jeneci e Cícero, agora é a vez do cantor Silva encarar o desafio da perenidade e imposição artística da personalidade musical em um segundo disco, principalmente após uma estreia tão incensada como foi o debut em Claridão, de 2012.
Vista pro Mar é definido pelo próprio como um álbum “para ouvir na beira da praia, da piscina, com um instrumental sem tanto drama”. A sonoridade expressa isso pela leveza. Silva já fazia músicas nessa linha, mas se antes eram marcadas pela melancolia, agora o viés solar é emoldurado com um trio de metais e uso oitentista de sintetizadores. Aliás, essa pegada retrô vem se disseminando muito na música pop-rock mundial com bons resultados como os últimos trabalhos do Phoenix e Foster The People. O próprio Silva, multi-instrumentista, assume piano, violino, baixo, também guitarra e violão. Em Vista Pro Mar funciona como um curioso contraponto à densidade das letras, escritas pelo próprio com a colaboração do irmão Lucas Silva. Outro destaque é a progressão qualitativa das músicas ao longo das faixas.
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Da abertura com a música homônima do CD que entoa o edificante refrão ‘Eu sou de remar, sou de insistir, mesmo que sozinho/só vai se afogar, quem não reagir, mesmo que sozinho’ com um belo entrosamento melódico entre letra e sonoridade indie; esboçando Solange Knowles na levada rítmica de “Janeiro”, passando pelo dueto delicioso com Fernanda Takai na singeleza de “Okinawa”.
Nas últimas canções, Silva extravasa sua passionalidade com discrição e a distinção que vai carregando no repertório até ali, com “Universo”, “Capuba” (de melodia sofisticada e viciante), “Maré” (que encerra o disco de forma lírica e empolgante numa mesma nota) e a mais bela, poética, dolorosa e um “Silva que conhecemos de seus EPs do início de carreira“, a tocante “Ainda”.
No fim, fica a certeza de que, para além de sua assumida referência musical, o cantor Guilherme Arantes, Silva conseguiu imprimir sua personalidade artística com mais um bom trabalho em que faz da poesia (sonora, escrita, evocada) um norte para seu talento de fazer músicas simples e intensas em seus significados emocionais. Como diz a letra da já citada “Maré”: “Quem quiser ir além mar, vai se deixar levar no mar, pro seu lugar“. O lugar dele já está conquistado, primeiro pela perspectiva da “Claridão“, agora com a lucidez e calmaria de “Vista Pro Mar“.
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Publicado por Renan de Andrade

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