em

Como Amy Winehouse nos ensina o sentido da palavra ícone. Viva ou Morta…

O ano de 2011 tinha acabado de dar as caras e lá estava eu, num estranhamente distante 10 de janeiro, um tanto abafado, chegando na literalmente apoteótica Arena HSBC carioca cheio de expectativas, nada banais, para assistir pela primeira vez um show de Amy Winehouse. Há meses eu alardeava que assim como lamentava demais não ter visto Elis Regina, Cazuza, Nina Simone, Michael Jackson e até Cássia Eller vivos, teria de correr para assistir ao show da cantora inglesa antes que a morte a levasse Não era uma previsão pautada pela urgência ou pela originalidade. Assim como não acreditava (piamente) na fatalidade (achava esse clichê tão… anos 80), ao mesmo tempo esperava por aquilo com temeridade.

E o show? Ah, o show… Boa parte do público e toda a crítica especializada saíram descontentes. Bem, não foi o caso para mim. Completamente influenciado pela minha passional admiração pela voz, mise-en-scene e universo de Amy, achei tudo uma maravilha. Mesmo a duração enxuta do espetáculo. Tudo era lucro quando se tratava de uma diva inconstante. O Pacote não permitia um show comum, onde tudo correria bem. Tinha de ter atrasos, letras pela metade, voz embargada (!?), quedas, esquisitices e até uma tensão na co-relação público e mito. E teve tudo isso.

Havia um quê de degradação que era bem mais do que um simples verniz do marketing Pop, tão costumeiro na cena musical atual. A degradação era orgânica e isso era estranhamente bom. Amy era Amy pelas lágrimas que sangravam de sua legitimidade. Tudo era legítimo, verdadeiro e dolorido ali. E ela fez de suas dores, complexos e fraquezas a sua arte, e quando cantava, exalava vísceras que qualquer mortal rapidamente assimilaria. E como foi amplamente assimilado…

Só poucos privilegiados sabem o que é ouvir ao vivo as obras-primas Tears Dry Own Their Own, Love is a Losing Game, Back To Black e Me and Mr Jones. Só poucos privilegiados sabem o que foi sentir um misto de encantamento e constrangimento com sua entidade entre o brilho pueril e o fervor rebelde diante de um público sempre muito numeroso. Só poucos privilegiados levarão para eternidade a experiência de estar perto da forma mais torta daquilo que entendemos como ídolo.

Seis meses depois desse meu encontro, Amy se foi. E se tinha alguma coisa previsível no universo da cantora era a sua morte. E se cumpriu. E, por ironia do destino, o laudo oficial atestou que não fora por causa de drogas. Prova de que o inferno pessoal de Amy era muito mais complexo e (por que não?) fisiológico do que todos (inclusive sua família) imaginavam. Se era tão substancial como criatura, por que não seria relevante como criadora? Daí podemos ver que a dimensão plural de Amy Winehouse estava para além dos excessos que inundavam as manchetes, mas sim, residia no universo interno e paralelo que só ela tinha acesso.

Se a música pode transcender, mesmo indo cedo demais, Amy fez a sua parte.

alguém opinou!

Deixe sua opinião!
  1. Ai. Meu Deus. Fiquei viúvo de uma pretendente americana.

    Essa eu falo: Nunca vou dar um beijo na boca. O meu primeiro beijo ia ser na cantora Amy. QUE ISSO!!! Estou com medo de perder essa norte-americana. E perdi. Ela morta. CARAMBA! ERA O MEU SONHO FICAR DURANTE 120 MINUTOS DIRETO ABRAÇANDO COM AMY WINEHOUSE E MORREU ATÉ MAIS NOVA QUE EU. MORREU COM 27 ANOS E EU JÁ TENHO 32 ANOS.

    Um recado vai para a família dela e em inglês:

    – Friends, my gyrlfriend lets go to sky. The killed my first love. Yes!!! The ator of Rede Globo in the Brazil, surpreend to family’s Amy Winehouse. To here lets go to “goodbye” for my first love. To continue in the japanese Seiko Matsuda. I’m query to wedding is with Amy Winehouse.
    The Family Winehouse. Is a Amy to was liking. I’m craying for dear.

    I LIKE TO AMERICAN GYRLS TOO. ============== PLEASE DON’T GO NOW!!! TO AMY HOUSE. ——————— NOOOOOOOO!!!!!

Participe com sua opinião!

Ativista

Publicado por Renan de Andrade

VerificadoEscritorPromotor(a)CinéfiloMusicólogoFanáticos por SériesSuper-fãs

Detonando a nova Liga da Justiça

A prolixidade de Malick e a psicanálise de Lars Von Trier