O Padrinho do Caos: Como Lemmy Kilmister Foi a Peça-Chave para o Surgimento do The Pretenders

Sem Lemmy Kilmister, o The Pretenders não existiria? Conheça a história de como o líder do Motörhead incentivou Chrissie Hynde e ajudou a montar sua banda.


Lemmy e Chrissie Hynde

Muito além do metal, o líder do Motörhead foi o mentor improvável que tirou Chrissie Hynde dos bastidores e a jogou no centro do palco

A história do rock é feita de encontros casuais, mas poucos são tão viscerais quanto o de Chrissie Hynde e Lemmy Kilmister. Em 1973, Hynde era apenas uma jovem de 21 anos recém-chegada a Londres, dividida entre escrever para a NME e trabalhar na famosa boutique SEX, de Vivienne Westwood. Ela via o punk nascer da primeira fila, mas, segundo a própria, se não fosse por Lemmy, ela teria continuado apenas como observadora.

“Sem ele, o The Pretenders não teria acontecido”, afirmou Hynde em sua biografia, Reckless. O primeiro encontro da dupla foi digno de um filme cult: sem dizer uma palavra, Lemmy aproximou-se dela em uma loja, ofereceu uma substância duvidosa através de um tubo de prata que carregava no pescoço e saiu. Chrissie ficou acordada por três dias e, naquele momento, soube que tinha encontrado alguém que entendia sua língua.

Além do Barulho: O Mentor Musical

Embora a imagem de Lemmy estivesse ligada à sujeira do rock pesado e aos motoclubes, Hynde descobriu um músico de conhecimento enciclopédico. Lemmy era um fã confesso de Beatles em uma era onde o punk tentava enterrar o passado, e foi essa visão ampla que o tornou o conselheiro perfeito.

Enquanto muitos músicos da época viam as mulheres apenas como acompanhantes, Lemmy incentivou Hynde a perseguir seus próprios sonhos de estrelato. Ele sabia que ela tinha o talento necessário para liderar, e não apenas para escrever sobre quem estava no palco. Quando o punk chegou e tentou descartar tudo o que veio antes, Lemmy permaneceu inabalável — ele era maior que o movimento, e Hynde sabia que podia confiar em seu instinto.

O Recrutamento Inusitado

O empurrão final veio quando Lemmy sugeriu que ela procurasse um baterista específico: um tal de Gas Wild, que, segundo ele, parecia uma versão do Jeff Beck e costumava circular por Ladbroke Grove.

A formação do que viria a ser o The Pretenders aconteceu de forma quase cinematográfica: da janela do apartamento onde morava de favor, Hynde avistou um sujeito com as características descritas por Lemmy caminhando pela Portobello Road. Sem nunca tê-lo visto antes, ela gritou da janela:

“Quer entrar em uma banda?”

“Sim, mas eu não tenho uma bateria”, respondeu o estranho.

“Eu consigo uma para você!”, rebateu Hynde, jogando as chaves do apartamento para o músico.

Aquele momento marcou o início embrionário de uma das bandas mais influentes dos anos 80. Entre motos, anfetaminas e uma paixão mútua pelo rock clássico, Lemmy Kilmister não deu apenas conselhos a Chrissie Hynde; ele deu a ela a confiança necessária para parar de observar a história e começar a escrevê-la com as próprias mãos.

Mais um motivo para a lenda do Motörhead ser reverenciada em todos os cantos do rock n’ roll.

Entre o Trovão e a New Wave

O Motörhead, fundado por Lemmy em 1975 após sua saída do Hawkwind, tornou-se uma força da natureza que redefiniu os limites do volume e da velocidade. Embora o baixista insistisse que tocavam apenas “rock n’ roll”, o trio britânico é amplamente considerado o precursor do thrash metal, unindo a agressividade do punk à precisão do heavy metal em hinos como “Ace of Spades”. Com uma estética fora-da-lei e um som visceral, a banda manteve uma integridade inabalável ao longo de quatro décadas, influenciando de Metallica a Dave Grohl.

Por outro lado, o The Pretenders, liderado pela voz magnética de Chrissie Hynde, surgiu no final da década de 70 como uma das pontes mais inteligentes entre o punk e o pop comercial. Enquanto muitos de seus contemporâneos se perdiam no niilismo, Hynde e sua banda entregavam composições sofisticadas e cheias de atitude, equilibrando a crueza das guitarras com melodias inesquecíveis em sucessos como “Brass in Pocket” e “Back on the Chain Gang”. O grupo não apenas sobreviveu à transição para a New Wave, mas consolidou Hynde como uma das líderes mais respeitadas e influentes da história do rock.

.Com informações via LouderSound