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Crítica: Foo Fighter faz o mais do mesmo, mas ainda assim acerta em Sonic Highways

Sobre os ombros de Dave Grohl recaiu a pesada herança do Nirvana, a banda que é considerada por muitos como a última realmente relevante para a história do rock. Após o suicídio de Kurt Cobain que chocou a todos e deu fim à banda, o baixista Krist Novoselic se aposentou, mas Dave, depois de pensar em abandonar a música, quis começar do zero, como Paul McCartney após o fim dos Beatles. Para isso convocou guitarrista Pat Smear, que atuou como músico na última turnê do Nirvana, o baixista Nate Mendel e William Goldsmith, posteriormente substituído pelo atual Taylor Hawkins.
Foo Fighters Sonic HIghwaysAgora às vésperas de completar 20 anos de carreira, chega ao mercado “Sonic Highways” (Roswell/RCA, 2014), o oitavo álbum de estúdio da banda. Nada de novo no front: são oito faixas somando um total de 42 minutos de audição que trazem o som característico da banda, ou seja, guitarras aceleradas, acompanhadas por uma bateria vigorosa e os berros de Dave Grohl liderando a balbúrdia.
O Foo Fighters tem como característica a mesma linha estrutural das músicas do Nirvana (que por sua vez herdara do Pixies e do Husker Dü): a alternância de momento mais quieto com explosões. A diferença é que a banda de Grohl se esmera nas melodias. E aqui eles se mantêm fiéis à fórmula. A canção que abre o disco, ‘Something For Nothing’, primeira música de trabalho é uma típica composição do Foo Fighters, fácil de identificar nos primeiros acordes, assim como a terceira faixa, chamada ‘Congregation’, e a seguinte, ‘What Did I Do/Good As My Witness’, feita no molde duas em uma, muito visto em composições de bandas dos anos 70.
A coisa só desanda um pouco no final, as duas últimas faixas ‘Subterrean’ e ‘I Am A River’, com 6:08 e 7:09 respectivamente não precisavam ser tão longas, principalmente a última que abusa da redundância. Sobrou pretensão, mas faltou inspiração para preencher. Provavelmente foi uma tentativa de mostrar amadurecimento tentando fazer algo aparentemente mais rebuscado, mas, como egresso de uma banda diretamente influenciada pelo punk, Dave Grohl devia saber que menos é mais.
foo fighters
O que chamou a atenção para o álbum foi a sua concepção. Cada música foi gravada em uma cidade diferente: Austin, Chicago, Los Angeles, Nashville, Nova Orleans, Nova Iorque, Seattle e Washington, DC, se inserindo no projeto de Grohl de percorrer estúdios musicais por toda a América, que inclusive rendeu um documentário para a HBO. As prensagens em vinil serão embaladas em nove capas diferentes, representando cada uma das oito cidades (pelo menos lá fora). Apesar de não apresentar nenhuma novidade em sua sonoridade, a banda se mostra competente, amparada pela batuta do produtor Butch Vig, que produziu o Nevermind do Nirvana.
E é a reboque de “Sonic Highways” que o Foo Fighters vem ao Brasil em janeiro, em seu primeiro show em solo brasileiro desvinculado de festivais (nas duas vezes anteriores tocaram no Rock In Rio em 2001 e Lollapalooza em 2012) e certamente não fará feio em meio aos hits já consagrados. O Foo Fighters é como os Ramones, não ousa alterar sua fórmula, e é justamente isso que o público espera deles.
 

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