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Jack White faz rock do bom em “Blunderbuss”

Jack White faz rock do bom em "Blunderbuss" | Música | Revista Ambrosia

Todos sabiam que o silêncio de Jack White não iria durar muito. E ele quebrou esse silêncio com muito barulho. Em seu primeiro trabalho solo, Jack faz aquilo que todos sabem que ele faz muito bem: rock do bom!

“Blunderbuss” (Third Man Records/2012), antes de mais nada, é música de alta qualidade. São treze faixas que têm como argamassa o rock, o folk, o blues, o soul, e claras influências de Led Zeppelin, Allman Brothers, Faces e outros expoentes dos bons sons do inicio dos anos setenta.

Na verdade o que temos no disco é o que Jack fazia no White Stripes, com uma certa limitação, devido ao minimalismo imposto por ele próprio, que colocou sua ex-mulher Meg na bateria para tocar como uma criança de 5 anos de idade. E aquilo funcionou!

Em seu projeto paralelo ao Stripes, o Rancounteurs, Jack já pode alçar voos maiores, uma vez que tinha o amparo de uma “banda de verdade”. Com esse projeto, Jack encantou público e crítica, mas ainda queria mais.

O disco abre com o blues/rock “Missing Pieces”, com todos os elementos que tornam a sonoridade de Jack White reconhecível a distancia. “Sixteen Saltines”, o primeiro single é um rockão explosivo e vigoroso, mais uma prova do poder de fogo do cantor e guitarrista para criar hits. A quarta faixa, “Love Interruption”, mais parece uma sobra de estúdio de led Zeppelin III, e é também uma das mais inspiradas.

A faixa título mantém o clima eletroacústico, juntamente com “Hypocritical Kiss”. Há também a “T Rexiana I’m Shaking”, misturando boogie woogie, soul, guitarras de peso e floreios de backing, e é sem dúvida um dos momentos mais divertidos do disco e boa pedida para meio de playlist se você está se aventurando como DJ em alguma festa.

Outro bom momento é “Hip (Eponymous) Poor Boy”, mais uma que evoca as influências de Jack de maneira eficientemente condensada.

Blunderbuss é um disco que mantém o ritmo aceso até a última faixa. Treze músicas é um número que em muitos casos pode trazer problema, já que o ideal costuma ser algo entre 10 e 11. No caso deste, o número é redondo; não há gorduras nem encheção de lingüiça, todas as faixas realmente deveriam estar ali. O resultado da primeira aventura (assumidamente) solo de Jack White é uma audição prazerosa, onde somos convidados a embarcar nos acordes e harmonias como um verdadeiro passeio bucólico. Para quem achava que nada de bom seria produzido na atual cena rock, aqui está uma grata surpresa. E é possível afirmar que muitos sequer sentirão necessidade de uma volta do White Stripes; seria um retrocesso.

[xrr rating=4/5]

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Publicação Cesar Monteiro