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Led Zeppelin: retrato definitivo da banda por Nigel Williamson

Para iniciar esta resenha, peço licença aos leitores para confessar que desde tenra idade ouvi os mais variados gêneros musicais, algumas pérolas e outras nem tanto, por sinal. Artistas e gêneros dos mais diversos, de clássicos eruditos a coleção disquinho, mas em meio havia a coleção especial de um tio já falecido: Elvis, Beatles, Stones, Pink Floyd, Queen e, como não podia esquecer, o Led Zeppelin.

Portanto, com o lançamento dos guias da série inglesa Rough Guides da Penguim Books, por aqui pela Editora Aleph, e como o primeiro volume seria sobre a banda de Jimmy Page e Robert Plant, minhas expectativas atingiram níveis imensuráveis. Sensação meio que exagerada, eu sei, ou mesmo arriscada, visto que, ao idealizar demais poderia me arrepender. Neste caso, me enganei. A edição caprichada da editora paulista conta com uma boa tradução do roteirista Henrique Szolnoky e segue o formato original do guia, como se fosse uma capa de um velho long play (LP).

O guia foi publicado em 2007 e traz o jornalista Nigel Williamson como autor. O inglês de 58 anos foi editor dos jornais Tribune e The Times e é reconhecido como um importante escritor e jornalista do rock. Não somente é um especialista que entrevistou a turma da ‘máquina voadora’ várias vezes, escreveu artigos e mais artigos sobre os caras, mas que conviveu na adolescência com flyers da banda em suas apresentações pela Londres undeground e se arrependeu de perder um dos primeiros shows de uma das maiores bandas de todos os tempos, como o próprio relata na introdução de aficionado.  E conta histórias e outras minúcias dos quatro britânicos que com sua personalidade e estilo musical marcantes revolucionara o rock n’roll.

Capa do Guia

Deixando de lado a tietagem, o livro dividido em dois lados, é daqueles trabalhos que precisam ser apreciado aos poucos, a cada página virada. Cada lado, o A e o B, respectivamente traz o perfil e experiências prévias dos jovens que formariam a tripulação do zepelim de chumbo; a história completa da banda: do vôo inaugural até seu pouso forçado; detalhes dos tripulantes sobreviventes (Lado A); A discografia completa da banda e de seus membros, incluindo detalhada análise das faixas; as 50 canções mais influentes e a história por trás de cada uma; e fatos curiosos ocorridos pela tribulação (Lado B). Um deleite para fãs e não fãs desse outro quarteto musical que conquistou o mundo nos anos 1970 e 1980, e até hoje, continuam conquistando seguidores. Embora seja qualificado como uma banda de rock, o Led Zepellin experimentou caminhos pelo beat, blues, folk, entre outros, trilhando acordes dos mais diversos.

Jimmy Page na guitarra, John Bonham na batera, John Paul Jones no baixo e teclado e Robert Plant no vocal iniciaram sua carreira quando o rock vivia seu melhor momento: o ano era o de 1968, os Beatles tinham acabado de lançar o Álbum Branco e o Rolling Stones havia retornado triunfante com Beggar’s Banquet. Jimi Hendrix atingia sua apoteose, The Who estava prestes a lançar o álbum Tommy, e Cream era o grupo mais pauleira do momento.

Capa do vinil

Logo, um novo grupo chamado Led Zeppelim, liderado por um cantor que ninguém nunca tinha ouvido falar não chamaria a atenção naquele momento. Na verdade, mesmo que não soubessem na época, alea jacta est. Em dois anos, os garotos de Liverpool tinham se separado, Jagger e companhia se exilaram, Hendrix morreria, o Cream desapareceria e The Who penava, pois Townshend desejava criar algo maior que a revolucionária turnê de ópera-rock. O Zeppelin ocupou esse espaço e foi a banda mais poderosa do planeta até 1980, quando Bonham falecera.

Williamson costura em ordem cronológica a vida dos seus quatro membros, amparada numa pesquisa ímpar, com imagens raras, recortes de jornais, parece que estamos vendo um documentário, pela forma que o autor descreve os fatos.

Na escalada ao sucesso o grupo, o livro acompanha tudo que ele passou, trazendo entrevistas e depoimentos de quem viveu o Led Zeppelin, os membros da tribulação sobreviventes, outros jornalistas, produtores e empresários

O guia nos traz momentos inesquecíveis, como o primeiro encontro de Plant e Page, as influências místicas de O Senhor dos Anéis, a época de The Yardbirds, a gravação de Led Zeppelin com Good Times Bad Times; os momentos de improvisação entre outros que caracterizaram esses músicos.

Focando bem no trabalho do grupo, Williamson analisa o domínio perfeito de cada instrumento, os arranjos estruturados com harmonia impecável, a voz incomum de Plant, as letras, a presença de palco, enfim, a meu ver, um grupo único, de uma qualidade que irá sempre ultrapassar o tempo.

Nas palavras finais do autor: “Ao fazer um dos rocks mais viscerais já ouvidos, tanto em estúdio quanto ao vivo, o Led Zeppelin atingiu status de mito – no sentido mais literal da palavra. Em uma história de mais de 30 anos, tornou-se impossível distinguir quais das histórias ultrajantes sobre a banda são verdadeiras, quais cresceram conforme foram contadas e quais são totalmente fictícias. Este livro pretende separar os mitos da verdade. Pretende, também, analisar a música da banda e oferecer um guia sobre as carreiras solo de seus membros remanescentes. É uma história que – assim como a inesquecível música de Zeppelin – tem de tudo. Nunca veremos algo como eles novamente.”

Leiam ouvindo Bron-y-aur Stomp ou Babe I’m gonna leave you. Recomendo para todos os amantes da boa música.

[xrr rating=5/5]

E deixo duas músicas, amparadas pelo imaginário tolkieniano, para vocês:

The Battle of Evermore

Stairway to Heaven

O Guia do Led Zeppelin, Nigel Williamson

  • ALEPH, 2011
  • ISBN: 8576571188
  • Edição: 1ª Edição – 2011
  • 264 páginas
  • R$ 57,00
  • Formato: 19,50 x 19,50 cm.

3 opinaram!

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  1. Minha banda de Rock favorita! Assim como você também já ouvi de tudo e tenho uma formação muito eclética, mas Led Zeppelin supera.

    Não há e nem nunca haverá substituto!

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Ativista

Publicado por Cadorno Teles

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