Música

M.I.A. é /\/\ /\ Y /\

O interessante é o modo como a rapper M.I.A. transcorreu neste novo rumo usado para as suas letras incisivas, se usando de tantos utensílios musicais, ou exageros, sem perder a sua identidade e incluindo Maya nisto tudo. Ela se torna uma ativista da rede mundial de informação e da liberdade de se expressar. Uma cantora de muita inteligência, que mesmo misturando com os conhecidos instrumentos de estúdio – mistura ótima, diga-se – ela continua a mesma, equiparando como se fosse uma Lady Gaga criticamente mais vigorosa.

M.I.A. em seus alcances midiáticos balançou com o miami bass e o funk carioca, junto com seu então namorado na época, o produtor e apaixonado pelo ritmo da bunda music, Dj Diplo, com o álbum Arular, prometendo-ser a garota de 2005 e depois com Kala,  foi para o cenário cinematográfico se tornando famosa por Paper Planes, trilha de “Quem Quer Ser Um Milionario” . Agora ela vem mais madura, sintetizada e com novas mensagens.

Ela sempre foi vista como uma garota politizada e superficial por integrar conflitos internacionais e cenários sociais instáveis em suas composições e atitudes; ela é a visão da realidade por trás das cores, veiculando-se pela cultura de massas ou pela critica à este tipo de cultura, afinal, os dois modos são o mesmo.

Concordamos que a política da cantora de “10 Dollar” não acariciava certos setores, podendo aparentar hipocrisia, mas neste novo trabalho M.I.A. acerta com um teor equilibrado e definido, comum a todos com sua critica plausível da geração de redes sociais e da falsa liberdade incutida pelos meios.

Em MAYA, M.I.A. politiza a tecnologia de hoje e notadamente desta vez ela critica a falsa liberdade política e virtual, canta sobre reflexões da vida e do amor e “coisas sujas feitas e sendo realizadas”.

O nome do álbum é em referência ao verdadeiro nome registrado da garota perdida em Acton – bairro londrino – (Missing In Acton), Mathangi Maya Arulpragasam.

The Message abre o álbum como prelúdio a temática do álbum: a crítica a informação, o controle do fluxo de dados que chega a nós.

Isto continua com a dance e insinuante XXXO. A canção remete a uma estética aparentada com a de Jimmy do álbum Kala: Sonoridades culturais sintetizadas para evocar mantras, no caso, o relacionamento na era digital: “You want me be/ XXXo/You want me be/Somebody who Im really not”. Em síntese, o discurso de praxe das possibilidades das redes sociais nos relacionamentos, muito bem cantadas, principalmente com a jogada de XXXO – XX é sexo e XO beijos e abraços – sinceramente XXXO é uma das melhores do álbum.

O rap Steppin up e Teqkilla são as livres ilegalidades, canções de praxe de M.I.A. com sonoridades que conferem novas abordagens: Steppin up chega a ser a evocação de uma robotização e Teqkilla se torna mais suja ainda.

Lovalot fala de falta de liberdade e vingança. Cantada calmamente mostra determinação.

Story to Be Told aparenta ser sobre nada, mas traduz o desejo da rapper de sempre querer contar a sua história, a sua música, além de possuir uma carga psicodélica tão forte sonoramente quanto a em palavras de Space, a qual é mais leve nas batidas.

M.I.A.O teor de reflexões abertas estão na dupla It takes a muscle e It iz what it iz e em Tell me Why. Ela traz observações sobre a nossa humanidade e limites. Em Tell me Why podemos visualizar Maya meditando em quanto ecoa com a vida sobre o sistema, as pessoas e ela nisto tudo. Diga-se de passagem, possui o uso vocálico de M.I.A. mais pleno do disco. Lembremos que álbum surge em uma fase onde Maya se encontra como mãe, esposa e rapper. Tudo desenvolvido nesses anos e passado para M.I.A.

Um tanto inovadoras são Born Free e Meds and feds: possuem instrumentação pesada e feroz. Born Free destaca-se como o manifesto principal do disco, falando a respeito de liberdade e preconceitos, com em seu polêmico videoclipe – ao estilo curta de Michael Jackson e Lady Gaga.

Meds and Feds são abreviaturas para “Mestres em educação e agentes federais”. Na música Maya se preocupa com a educação, a tentativa de manifestar esta quando quem não a faz. É interessante saber sobre os vínculos da cantora com a construção de escola na Libéria e programas de desenvolvimento educacional a crianças, além de ações humanitárias.

Mashups e resíduos sintéticos dão ao trabalho total intensidade e protestos sonoros e com acordes brandos para reflexões. Arranjos eletrônicos sobre tradicionais críticas. Temos a incursão no rock como os riffs de Born Free e Meds and Feds. M.I.A. está eletrônica cantando, contando e gritando. Claro que há raps, mesmo sob a roupagem eletrônica como em Steppin up e Meds and Feds e perceptivamenteem XXXO.

A censura à Born Free é algo desnecessário, pois o seu videoclipe não é mias nocivo que os de Britney Spears, apenas incomodam com o “escancaro” em um primeiro momento.

A capa de /\/\/\Y/\ pode representar o poderio do YouTube hoje em dia, o maior referencial musical pratico, mas atente-se para uma prisão de cultura musical monopolizada pelo site de vídeos abertos.

O interessante é o modo como a rapper M.I.A. transcorreu neste novo rumo usado para as suas letras incisivas, se usando de tantos utensílios musicais, ou exageros, sem perder a sua identidade e incluindo Maya nisto tudo. Ela se torna uma ativista da rede mundial de informação e da liberdade de se expressar. Uma cantora de muita inteligência, que mesmo misturando com os conhecidos instrumentos de estúdio – mistura ótima, diga-se – ela continua a mesma, equiparando como se fosse uma Lady Gaga criticamente mais vigorosa.

  • Interessante ver que ela conseguiu amadurecer.
    Pretendo ouvir. Mas ainda tenho aquela impressão de alguém se metendo a engajada por pura polêmica.
    É uma impressão errada, mas ainda bate forte.

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