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MB transforma dilemas modernos em música urbana no EP de estreia

Marcos Bruno, conhecido pela banda $ifrão, lança seu projeto solo

Um olhar moderno e plural das ruas da sua Maceió natal e que dialoga com os desafios vividos por outros tantos centros urbanos brasileiros marca o EP homônimo de MB, projeto do músico Marcos Bruno. O trabalho chega às plataformas de streaming e ganha um clipe, para o primeiro single, “Sobrevivo na Cidade”.

Conhecido por integrar a banda $ifrão, agora MB assume os vocais, composições, arranjos e participa da produção musical ao lado de Diogo Rezende. Unindo rock, hip hop e tons de reggae com uma perspectiva pop e acessível, Marcos parte de questionamentos sobre seu lugar na sociedade enquanto artista e cidadão, para oferecer reflexões sobre dilemas sociais.

“A $ifrão sempre foi a minha válvula de escape no mundo. Acontece que depois de 23 anos de banda, eu senti a necessidade de falar de outros assuntos, experimentar outras sonoridades, ‘dar a cara a tapa’ mais uma vez. Chego mais uma vez na cena como um artista estreante, trazendo o ‘MB’ intitulando o EP, registrando as minhas impressões de uma maneira mais madura, sóbria e, porque não dizer, perigosa?”, questiona.

Trazendo em sua sonoridade a referência de nomes como Black Alien, Curumin, Jorge Ben e Bob Marley, o cantor mescla inspirações para criar canções com sua própria personalidade, mas que refletem questões em sintonia com os tempos atuais. “Sobrevivo na Cidade”, uma canção que debate a padronização como forma de tolher o que há de mais único em nós, ganha forma no vídeo inédito, onde MB mostra a importância do diálogo com a comunidade à sua volta.

MB é Marcos Bruno, cantor e compositor de Maceió que faz sua primeira incursão solo se aventurando por sons que buscam resgatar elementos da cultura e história da sua cidade. Sua musicalidade é experimental, espiritual e percussiva, flertando com sotaques carregados e batidas eletrônicas. Dos passeios de bicicleta e corridas pelas ruas da capital alagoana – em especial no bairro do Pinheiro, que foi notícia por ser um dos territórios afundando devido à mineração do sal -, passando pelos trabalhos sociais e pelos palcos com a banda $ifrão, o artista traz suas múltiplas vivências para esse primeiro trabalho solo.

“Gosto dos detalhes, estou sempre escrevendo sobre eles. Converso bastante com os meus amigos artistas, dou longos passeios de bicicleta pela cidade e ultimamente tenho praticado a corrida pelas ruas abandonadas do bairro do Pinheiro. Acredito que essas coisas me ajudam na hora de compor”, revela.

MB vai do frescor das ruas da cidade à otimista “Tudo Bem”, parando no meio do caminho para versar sobre as paixões (“Vibrando amor”) e refletir sobre os dilemas urbanos atuais (“Hora de Zarpar”, “No Perrengue”), entregando uma coleção de canções inéditas povoada pela alma das ruas – por vezes dura, outras festiva, mas sempre real e verdadeira.

Faixa-a-faixa, por MB:

HORA DE ZARPAR: a música é um convite à ação. Ela fala da urgência de encontrar o “seu lugar no mundo” e o que realmente importa. Essa música tem a participação do Mestre Wilson Santos na percussão, trazendo algo mais visceral e timbres personalizados que se encaixam perfeitamente aos riffs pesados de guitarra.

VIBRANDO AMOR: fala sobre as atitudes positivas que precisamos tomar na vida, assim como o poder das palavras e do pensamento. Para essa música convidei o baterista Rudson França, que trouxe a pegada orgânica e necessária para a faixa, assim como os teclados “rocksteady” de Caê Mancini.

PERRENGUE: essa é a minha música preferida no EP. Além de repetir um feat com o GET (Diogo Rezende), ela traz uma participação especialíssima do guitarrista Eduardo Quintela (das bandas Bombalá e Living in the shit), que foi um dos grandes responsáveis pela minha formação musical e artística. Ainda no colégio, vi uma apresentação autoral da sua banda e aquilo me impregnou completamente. Meses depois eu estava com a $ifrão formada e ensaiando. A sua presença nesse EP foi muito importante, quando ele aceitou o convite eu tive a certeza que começaria esse novo momento da minha carreira com o pé direito.

TUDO BEM: falo aqui sobre a importância de saber diferenciar as coisas que temos controle e que dependem de nós, das que não dependem. E que apesar de tudo, o importante é continuar seguindo em frente, sonhando e confiante. Convidei para essa faixa o talentosíssimo Nyron Higor, que fez toda a diferença com as suas linhas de baixo.

SOBREVIVO NA CIDADE: A música faz uma crítica sobre determinados padrões que o mundo tenta nos vender e em como, maliciosamente, chegam até nós como a única via possível para se alcançar a felicidade, o trabalho dos sonhos, a estabilidade etc. Seja quem for, quando menos esperar, acaba sendo convidado a se adequar a alguma “fórmula do sucesso” para “não ficar para trás”. A música nos leva a refletir sobre o caminho que estamos seguindo e assim nos alerta sobre o quanto pode ser perigoso seguir a multidão. O “não se encaixar”, por ser subjetivo, nos leva a questionar se isso deveria nos deixar alegres ou tristes

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