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Meghan Trainor e o pop com sabor retrô em “Title”

Meghan Trainor não é apenas mais uma diva pop no pedaço. Em seu segundo álbum, chamado “Title” (Epic/2015), a americana de 21 anos traz um sabor diferente ao que têm sido feito no pop contemporâneo. Sua sonoridade traz uma forte influência do doo-wop e da música popular americana em geral feita ali pelo início dos anos sessenta, época em que as big bands ainda eram bastante requisitadas nas gravações. Meghan tocava trompete na banda de jazz da escola quando estava na high school, daí a referência de uma música com mais estofo, apesar de simples e leve.

O cartão de visitas da cantora é o hit ‘All About That Bass’, segunda faixa do disco, que fala sobre a autoestima que toda mulher acima do peso deve ter, e de não se render ao padrão Barbie imposto pela moda e predominante entre suas colegas na cena musical. Legal, mas se formos olhar com atenção para Meghan, veremos que ela está mais para aquelas modelos ‘plus size’ do que para uma autêntica gordinha. Seria uma “falsa gorda” digamos.

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Na terceira faixa, ‘Dear Future Husband’, ela pega emprestada a base de ‘Runaround Sue’, sucesso de 1961 de Dion. O resultado é bem divertido. E é esse o tom do álbum no decorrer das suas 11 faixas (15 na versão deluxe): diversão. E não espere letras densas e amarguradas como as da igualmente retrô Amy Winehouse. As letras de Meghan são tolinhas, mas são amparadas por arranjos inspirados e boas melodias. Há até um aceno à música negra da Motown na faixa ‘Lips Are Movin’, a melhor do álbum.

titleAlém de um time de colaboradores que dividem com ela a autoria nas composições, há a participação especial do arroz de festa John Legend em ‘Like I’m Gonna Lose You’, na verdade a faixa mais fraquinha do disco, junto com ‘3 A.M’. ‘Bang Dem Sticks’ traz um bom balanço, mas apesar de dialogar com as influências retro, parece buscar uma inserção na cena pop atual, como uma concessão aos consumidores do gênero que podem não captar as referências de da cantora ou um pedido de desculpas àqueles que esperavam um pop mais convencional.

Por fim, “Title” é um álbum bem produzido, que não vai entrar para a História, mas tem tudo para emplacar mais hits, e provavelmente Meghan Trainor não cairá na sina dos one hit wonders. Ela tem potencial para ir ainda mais longe no próximo trabalho, se não lhe faltar audácia.

 

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