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Mundo Inverso explora intimidades e ansiedades em indie folk no EP “Oscilação Interna”

Projeto de músico paulistano vem acompanhado do clipe da faixa “Caminho Cego”

Expondo suas intimidades para o mundo e olhando com sutileza para os grandes assuntos, o cantor, compositor e produtor musical Rafael Negrini cria um paralelo oposto às ansiedades modernas no projeto Mundo Inverso. O alter-ego do artista disponibiliza o EP “Oscilação Interna” nas plataformas de música digital. O lançamento vem acompanhado do clipe da faixa de abertura, “Caminho Cego”.

Unindo um indie folk com texturas de sintetizadores e tons de rock, desde o processo de concepções, gravações e esmeros, o trabalho levou dois anos para ser produzido. A temática das canções dialoga com as inquietações contemporâneas, porém buscando na música um caminho de calma para lidar com os anseios e inquietações.
“Esse projeto dá voz e liberta tudo que eu queria falar e não conseguia, mas que na música eu encontrei um modo para externar os sentimentos, seja em forma de letras ou melodias. Terminar esse EP simboliza uma fase de persistência e me mostra novos caminhos para seguir”, analisa.
Mundo Inverso explora intimidades e ansiedades em indie folk no EP “Oscilação Interna” | Lançamentos | Revista Ambrosia
Rafael Negrini assina todos os instrumentos de cordas e teclados, além dos vocais, e Gabriel Jensen é responsável pelas baterias. Negrini também foi cuidou do trabalho visual do projeto, que foi masterizado por Matheus Maia.
“Esse foi um disco gravado em casa, entrando apenas no estúdio para a gravação dos violões. É um projeto intimista e com letras reflexivas sobre o dia-a-dia, mente, sentimentos e saúde de cada um”, reflete o artista.

“Oscilação Interna” está disponível em todos os serviços de streaming.

Ficha técnica:
Produzido por Rafael Negrini.
Gravado entre Janeiro e Setembro de 2018.
Violões captados por André Pinho no Solana Records.
Vozes produzidas e captadas por Iuri Griga.
Instrumentos com cordas, vozes e teclados gravados por Rafael Negrini.
Baterias gravadas por Gabriel Jensen.
Edição e mixagem: Rafael Negrini.
Masterização: Matheus Maia.
Projeto gráfico e direção de arte por Rafael Negrini.
Fotografia: Rogério Passini.
Faixa-a-faixa:
Caminho Cego
Caminho Cego fala sobre ansiedades e inseguranças que encontramos pelo caminho que percorremos. Dos sentimentos que nos apegam e nos cegam. De oportunidades que temos medo de encarar mas que não queremos deixar passar. Incertezas que passamos nas fases de escolhas. Foi a primeira faixa do EP que escrevi, a princípio se chamaria Caminho Certo, mas fui perceber mais para frente que de certo não tinha nada e que era muito incerto. Porém “incerto” não soaria bem no meio da melodia, então mudei para Caminho Cego. Ela possui uma melodia misteriosa muito por conta das guitarras e seus slides que fazem uma ambiência meio ”misteriosa”. Se fosse definir um gênero para essa música, diria que é o root rock (que é uma vertente do folk), por conta dos slides presentes na música e dos efeitos do teclado Hammond, que dão um ar misterioso para todo o conjunto.
Janela dos Sonhos
Talvez a música mais dream pop do EP, muito por conta dos sintetizadores com efeitos flutuantes e a voz viajante. Foram explorados muitos sintetizadores e timbres diferentes nessa música. Essa música a princípio não tinha nenhum sintetizador era para ser algo bem cru, apenas guitarra, baixo e bateria meio post-rock. Mas na época eu voltei a escutar muito Smashing Pumpkins e a música 1979 me influenciou muito na criação das guitarras e para a ambiência da música. Bandas como Wild Nothing, Mogwai e Wry me inspiraram muito. Sempre tenho uma curiosidade em saber quais são as metas, os sonhos e onde cada pessoa quer chegar. E se ela transformou em algo real o seu ideal. O sonho de muitas pessoas apenas vive na cabeça delas e em algumas vezes eles acabam não se tornando real, por conta de fatores que os fazem ficar em segundo plano, tipo trabalho, insegurança, vergonha e medo de falhar. E isso é uma frustração muito grande, frustração de não ver aquilo se concretizar e o pior de tudo é se conformar com a situação. Pessoas vivendo no automático sem perspectiva alguma de mudança. Me vi algumas vezes nessa situação de conformidade, parecia que tudo estava parado e sem vontade. E que só na minha cabeça aquilo que eu queria muito ia acontecer.
Plano para Escapar
Todas as músicas do EP, surgiram no violão e voz, algumas acabaram deixando de lado um pouco o violão para entrar efeitos e guitarra. Mas em Plano para Escapar, quis deixar a melodia do violão bem para frente na música. Diria que é o encontro do folk com o indie rock. Sou uma pessoa muito ansiosa e diversas vezes me vejo em lugares que sinto que estou perdendo meu tempo em estar ali, mas são lugares que preciso estar, a rotina nos obriga a isso. Usamos nossa energia para a conclusão de tarefas em prol de outra pessoa, usamos nossa capacidade criativa para satisfazer a necessidade de terceiros, sempre deixando nossas vontades em segundo plano. Gastamos boa parte do nosso dia sentado em uma cadeira, olhando para uma tela e trabalhando para os outros. A rotina nos pega e nos afasta das nossas vontades, fazendo muito para os outros e pouco para si mesmo. Enquanto isso, a vida vai passando e os momentos que passa investindo nos seus planos e em você mesmo é muito menor que o tempo que passa no lugar em que o cronograma não pode atrasar. Todos temos um lugar que não queremos estar e tentamos sempre escapar. A música fala sobre a necessidade de tentar escapar desses lugares.
Inverso
Pode ser o interlúdio, o divisor de águas do EP. Ela faz a ponte com a parte final intimista e reflexiva do EP. Foi montada em cima de um arpejo, ela vai nos levando até o final. Inverso é ir contra os padrões, sair do comum. Tentar achar seu espaço e não ser só mais um.
Vale Azul
É a música que fecha o EP, mas é o começo do Mundo Inverso. Foi a partir dela que comecei a entender que o que estava fazendo no começo de 2016 iria ser algo bem mais complexo do que apenas fazer algo por hobby. Foi nela que entendi que se quisesse fazer bem feito, eu não iria acertar de primeira e nem de segunda. Regravei ela inúmeras vezes, perdi a conta de quantas vezes entrei e saí do estúdio desanimado porque não conseguia chegar no resultado que queria. Treinei muito meu senso crítico de não querer fazer por fazer e sim fazer algo de qualidade para as pessoas escutarem. Vale Azul é o lugar onde queria chegar, lugar que achava que fosse o ideal. Mas nem sempre o ideal faz bem, nem sempre o ideal é o melhor. Essa música foi um paralelo entre o Mundo Inverso e sentimentos pessoais. De ir e vir, de fazer e refazer, se sentir inseguro, querer desistir, ir longe, voltar e querer terminar.

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