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Novo CD de Beyoncé não ousa, nem compromete


É fato! Ela conseguiu. Beyoncé é hoje um dos cinco grandes nomes da música pop do planeta. E é inegável que isso não seja por merecimento. Ainda que envolta por uma plasticidade musical violenta, Beyoncé tem uma “presença de cena” empolgante, dança e sensualiza com uma naturalidade assombrosa, canta maravilhosamente bem e ainda é uma das mulheres mais bonitas do showbizz americano. Quer mais? Conjuga bem valiosas referências da música negra americana (como o soul, o hip hop e o gospel), é casada com um dos expoentes mais dinâmicos e sagazes da Black Music industrializada, Jay-Z, e, com isso e/ou por causa disso, sabe se vender muito bem.
Após o pretensioso e muitíssimo bem sucedido disco anterior, I Am… Sasha Fierce, a cantora de 29 anos, lança seu novo álbum, intitulado com o número de discos solo de estúdio que lançou até aqui: 4. Puxado pelo single Run The World (Girls), que em sua forma pretende absorver o legado do “hit da década” Single Ladies, do disco anterior, o novo trabalho vem apostando forte nas baladas, em detrimento de possíveis babas dançantes que são a marca de sua cantora.
4 começa com uma até melódica baladinha (1+1), mas de letra tão idiota que fica difícil engolir. E o romantismo vai se apossando do CD em poucos altos (como em I Care, I Was Here, Best Thing I Never Had) e muitos baixos (Start Over, Lay Up Under Me, Schoolin’ Life, Dance For You). O problema de Beyoncé é procurar sempre fazer a receita de bolo (o que, dada as devidas proporções, I Am… Sasha Fierce, parecia fugir. Daí sua aparente consistência dentro de suas pretensões). Em nenhum momento, vemos um diálogo com o novo; é tudo muito “zona de conforto”, como se o disco fosse apenas um exercício de auto-afirmação.

Apesar do primeiro single, Run The World (Girls), cansar já em seu segundo minuto pela levada repetitiva, é impossível não levarmos em conta que é em músicas-hits que a cantora demonstra todo o seu talento (e sua capacidade de se cercar com os melhore produtores musicais do mercado, assim como Madonna). Mesmo em músicas mais medianas como Party (com André 3000, do OutKast) percebe-se como Beyoncé parece mais à vontade “musicalmente”, tanto que a tão falada inspiração na obra de Fela é “sentida” em grooves de Afrobeat. End Of Time e Countdown já nascem hypadas nas pistas de dança mais democráticas por aí.
Entre essa polarização entre baladas cretininhas e músicas bem produzidas para requebrar o popozão, sobra a melhor música do disco, quiçá da carreira da cantora: Love On Top com ecos saudáveis na Motown e vocais entusiasmados. Daquele tipo de canção que repetimos 30 vezes no carro…
O novo álbum não vem para revolucionar nem o mundo pop, muito menos a carreira de Beyoncé, até porque esta já está mais do que estabelecida. Só que é sempre bom lembrar de casos como o de Christina Aguilera e Jennifer Lopez que deitaram na placidez de suas certezas e acabaram engolidas pela caricatura de suas redundâncias.
É, esse mundo pop pode ser tão cruel quanto uma sessão de análise… Se cuida, Beyoncé…

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