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Novo CD do Coldplay revela o quanto sua identidade é relativa

 

Chris Martin é um galhofeiro da pieguice. É importante começar uma observação do novo CD da banda Coldplay assim, até para valorizar ainda mais o estabelecimento artístico deles. O vocalista do grupo, vez por outra, aparece em jornais dando declarações banais, dizendo que a grupo vai acabar, reclamando que Beyoncé não aceitou uma música que fez para ela, fazendo coraçõezinhos no Rock in Rio… Enfim, fica ali na linha tênue da babaquice. Mas se olhar bem o resultado de seu “circo”, vemos que ele é muito mais interessante quando canta e cria canções do que quando quer dar vazão ao homem que existe por trás do ídolo.

Quem (como eu) acompanha o grupo desde o arrasador disco de estreia Parachutes (2000), sabe que as transformações sofridas ao longo dos 11 anos foi violenta. Mas ainda que tenham caído diversas vezes nas armadilhas do mainstream da pretensão do grandes estádios (!), e é importante dizer que isso não é nenhuma indignidade, existe muito do DNA passado que institui o que sobra de grandeza no som feito por eles, no presente.

Mylo Xyloto é o quinto CD e, para o bem e para o mal representa o que ou para onde eles evoluíram. Assim como o disco anterior, mantém os arranjos épicos e/ou dramáticos em faixas como a (vinheta?) da abertura homônima e M.M.I.X., que antecede o hit a la “Viva la Vida” Every Teardrop Is A Waterfall, que é ordinária, mas funciona que é uma beleza.

Mas é no bom e velho pop-rock inflamado pelo britpop costumeiro que as músicas sustentam a marca do grupo: das “parachuteanas” Us Against The Worls e U.F.O., passando pela imposição do piano de Chris na melódica Up In Flames e nos rabiscos de X&Y (2005) na característica Don’t Let It Break Your Heart. Vale ressaltar a competência de Paradise, o fiapo de grandeza e retórica (a eles mesmos) na vívida Up With The Birds e na melhor canção do cd, Major Minus, onde aliam a criatividade sonora que os restam, com as próprias necessidades radiofônicas.

Claro que há as porcarias e, contrariando o que diz o próprio vocalista (olha ele aí de novo!), a injustificada parceria com a cantora Rihanna em Princess of China nada acrescenta ao repertório do grupo; muito pelo contrário, já que o auto-tune assombra qualquer possibilidade orgânica do (preterido) hit. E as letras, de um modo geral, não saem do nada inspirado derivativo de autoajuda.

O produtor Brian Eno (preciso citar U2 aqui?), que também trabalhou no disco anterior, continua trilhando o grupo por caminhos “irlandeses” (!!!), e o saldo não passa do protocolar. E quanto ao esquisito nome do CD, Chris Martin explica que, apesar do conceito ser inspirado em grafiteiros da New York dos anos 70, não existe significado algum, apenas gostavam da sonoridade do nome!

Se Mylo Xyloto fosse, sei lá, o segundo ou terceiro trabalho dos caras, eu diria aqui que trata-se de um disco indeciso numa busca por identidade. Como é o quinto trabalho de um Coldplay, que já é uma das maiores bandas da cultura Pop dos anos 2000 (a performance vibrante e de total domínio do enorme público no Rock in Rio é uma prova máxima), só posso dizer que reflete o que a banda se tornou: um Coldplay que faz de sua falta de identidade a sua legítima identidade. Daí explica-se o blá blá blá de Chris Martin

[xrr rating=3.5/5]

3 opinaram!

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  1. Vou confessar que até agora meu medo venceu a curiosidade de escutar o novo cd… PASMEM! verdade!
    Também acompanho desde cedo o Coldplay…
    E essas parcerias, a e(in)volução pro “pop” me assustam…
    Um amigo fã de Lady Gagá, e outras porcarias do gênero que não me ocorrem agora, disse que escutou o cd e está maravilhoso, e começou justamente pela parceria com a RI-hanna!
    Medo! Obs: ele não conhecia coldplay além das músicas da novela!

    Certo! Enfim…

    Curto pouquíssimas bandas desse século e seria tão ruim ver o sonho morrer mais uma vez!

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