O bom e velho Massive Attack

Após seis anos sem aportar no Brasil, o duo de trip-hop Massive Attack chegou com toda sua força em um show que levou ao delírio um HSBC Brasil lotado até as tampas na noite de garoa de terça-feira, em São Paulo. No palco, a formação original com Daddy G e 3D comandando o show que…


Após seis anos sem aportar no Brasil, o duo de trip-hop Massive Attack chegou com toda sua força em um show que levou ao delírio um HSBC Brasil lotado até as tampas na noite de garoa de terça-feira, em São Paulo. No palco, a formação original com Daddy G e 3D comandando o show que ainda tinha as participações mais do que especiais dos vocalistas Martina Topley-Bird, Deborah Miller e Horace Andy, dois bateristas, baixista, guitarrista e tecladista, totalizando dez membros.

Antes do show principal, Martina Topley-Bird fez uma apresentação solo misturando dub e vocais remixados para criar uma fantástica prévia do que estava por vir. As músicas que ela entoou são de seus dois últimos discos, The Blue God (2008) e do recente Some Place Simple. A cantora ainda irá se apresentar em São Paulo no dia 22 em um bar da Augusta, que eu não consegui identificar o nome.

Com pouco menos de uma hora de atraso, a banda entrou no palco e começou uma viagem por diversos discos da banda, entre eles, Blue Lines (1991), Protection (1994), Mezzanine (1998), o EP False flags (2006) e o atualíssimo Heligoland, revezando os cantores conforme prosseguiam as músicas. No fundo, uma espécie de tela usando leds mandava mensagens e criava imagens de cunho social, político e até de esportes. A setlist completa foi igual à tocada em Belo Horizonte:

01. United Snakes
02. Babel (com Martina Topley-Bird)
03. Risingson
04. Girl I Love You (com Horace Andy)
05. Future Proof
06. Psyche Play (com Martina Topley-Bird)
07. Mezzanine
08. Teardrop (com Martina Topley-Bird)
09. Angel (com Horace Andy)
10. Inertia Creeps
11. Safe From Harm (com Deborah Miller)

Bis 1
12. As You Were Leaving (Cheyenne) (com Horace Andy)
13. Splitting The Atom
14. Unfinished Sympathy (com Deborah Miller)
15. Atlas Air

Bis 2
16. Karmacoma

Horace Andy, colaborador da banda há anos, foi um dos mais aplaudidos quando pisou no palco, e sua voz ao cantar Angel foi acompanhada por um coral que dava inveja às platéias de eventos de grande público. O mesmo comn a versão mais sossegada, por assim dizer, de Teardrop, cantada por Martina. Ela parece não ter o tom ideal para a música, mas sua versão criou um ambiente quase intimista entre o público e ela, dando uma enorme força ao coral da platéia.

Uma das poucas reclamações do show em si foi o volume dos vocais usados por Horace Andy e 3D comparado com o da guitarra, que muitas vezes passava por cima deles. Mas era algo de se esperar, tendo-se em vista a tendência da banda a usar mais guitarras em suas composições. Contudo, a mesa de som deveria ter notado isso e dado a devida atenção aos vocais.

Foto por J.R. Dib

Porém, este que vos escreve ficou embasbacado mesmo com a presença de Martina em meio ao público da área VIP ao final da apresentação com um acompanhante, enquanto os fãs que a viram ali no meio davam respeitosamente a devida distância para ela se divertir com o show. Obviamente, houve quem tentasse chamar sua atenção, mas a mera imagem dela ali dançando em meio ao público e encostada na grade que divide as duas sessões criou uma espécie de situação que eu nunca havia visto em qualquer evento deste tipo. Ela estava há menos de 10 cm de mim e do público, e não houve quem a importunasse pedindo fotos. No máximo vinham gritos de elogios e uma fã que falou com ela ao final do show. Isso sem contar que, no fim, ela ficou autografando seus CDs que eram vendidos no próprio HSBC.

Provavelmente alguns vídeos estarão disponíveis na internet com partes dos shows, mas como não temos autorização para postá-los, fica aqui a constatação de todos que foram nos outros shows da banda no país: “Este foi o melhor e mais longo show deles por aqui”. É o bom e velho trip-hop mostrando que ainda tem público cativo para lotar qualquer casa de espetáculos neste brasilzão.

Fotos por Bel Lepkison no blog Barcelona Está Longe.


8 respostas para “O bom e velho Massive Attack”

  1. Genial!
    Eu só conheci a banda recentemente, mas gostei muito do que ouvi!
    E imagino o quando vc não curtiu, hein?! hehehe

    Adorei o relato! 🙂

  2. Como eu queria ter ido… uma pena que aconteceu ao mesmo tempo da Rio Comicon.

  3. Ahhhhhhhhhhhhhhhhh como queria ter visto eles =/
    Mas faltou Paradise Circus

  4. Cara, vou te ser sincero, eu achei o set perfeito. Uma música a mais talvez cansasse o público que teve uma versão fudida de Karmacoma para levar para o resto da vida na memória.

  5. Nem me fale, é minha músca preferida do MA

  6. Avatar de Carlos Borges
    Carlos Borges

    Perfeito!!!!
    O melhor show da minha vida!!!!
    Set list genial, mas, como fã, que nunca fica satisfeito, gostaria muito que tivessem tocado Man Next Door (melhor do Horace Andy na minha opinião), Butterfly Caught, Special Cases e encerrassem com Dissolved Girl!!!!
    Apesar de criticarem muito o 100th Window, acho ele fantástico, meu preferido depois de Mezzanine!

  7. Olá, obrigada por indicar o crédito das minhas fotos, isso faz com que o intercâmbio de informações na rede seja ético e que a Internet cumpra sua função maior: diminuir distâncias. Mas, como elas foram originalmente publicadas en um post meu onde falo sobre o mesmo show em Barcelona (onde fiz essas fotos), acredito que o mais correto seria que você indicasse também o meu link, não acha?

    Por cierto: showzaço do Massive Atack!

    um abraço,

    Bel Lepikson

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