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O Terno chega à maturidade artística com “Melhor do que Parece”

O Terno foi uma das gratas surpresas na cena musical dessa década. Na definição dos próprios, são um power-trio de canção pop-rock experimental. Apostando no rock psicodélico dos Beatles na fase Rubber Soul em diante, Mutantes e Kinks, se tornaram uma das referências da música independente brasileira, sendo uma das fundadoras do selo coletivo RISCO.

Formada por Tim Bernardes (guitarra, vocal e piano), Guilherme de Almeida, o Peixe (baixo) e Gabriel Basille (substituto de Victor Chaves na bateria), a banda chega ao terceiro trabalho, “Melhor do que Parece”, conseguido através de um edital, o Natural Musical. Aqui, o trio paulistano se mostra ainda mais afiado e deixa claro que atingiu a maturidade artística.

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O disco já agarra o ouvinte pelas orelhas na primeira faixa, a deliciosa ‘Culpa’. A música vem recheada de aliterações (fonéticas e instrumentais) entremeadas com uma engenhosa (e ao mesmo tempo simples) estrutura de arranjos. A faixa seguinte, ‘Nó’, explicita a verve psicodélica sessentista que é a característica da sonoridade do grupo. Remete à Beatles, e à música pop orquestrada dos anos 60, tão cara a bandas como Blur, Belle & Sebastian e Camera Obscura. ‘Não Espero Mais’ toma de assalto os ouvidos e se coaduna perfeitamente com o teor desesperado e exagerado da letra.

Irresistíveis também são as malemolente ‘Lua Cheia’ e ‘O Orgulho e o Perdão’. A última é um samba-canção de contornos psicodélicos cheio de melodrama e um bumbo assertivo ditando o tom. Algo que arrancaria um largo sorriso dos lábios dos Los Hermanos. O mote “mais coração do que razão”, defendido por eles ao explicar sobre o álbum, é comprovado. ‘Vamos Assumir’ é outro grande momento intenso da guitarra de. A épica faixa título fecha o disco em grande estilo, mantendo a aura do trabalho, endossando o passo à frente dado pela banda.

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É impossível não fazer coro com o que vem sendo dito sobre o disco no que tange à evolução musical. O Terno já surgiu com um diferencial em relação ao que se faz no rock mainstream nacional e em sintonia com a interessante leva da cena independentes e vanguarda que, apesar de não possuir a mídia que o gênero tinha nos anos 80 e 90, parece usar isso como motivação para realizar trabalhos ousados e criativos. O Terno mostrou eficiência em seu disco de estreia, em 2012, passou com louvor na prova de fogo do segundo disco em 2014, e agora se consolida de vez como a melhor banda de rock brasileira da atual safra.

Em “Melhor do que Parece”, eles promovem um lúdico exercício entre camadas e matizes sonoras, arranjos. Além da psicodelia gringa, também há forte influência de tropicália e de Jorge Ben em seu disco psicotrópico “Tábua de Esmeralda”. Mais ensolarado do que o disco anterior (embora tenha momentos mais cinzentos), reflete, segundo eles próprios, o bom ano que tiveram em 2015. E assim, de forma aparentemente descontraída, surgiu o melhor disco de pop/rock nacional de 2016, e, talvez, dessa década.

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