O violeiro, a eficiência das violas e as massas

Além de ser um competente “violeiro”, Almir Sater é muito mais do que um artista de música regional e tem bastante carisma, fato comprovado por este resenhista na noite desta quarta-feira, 17 de dezembro, num Theatro Net Rio quase lotado – ( o espaço tem 622 lugares).
O artista começou sua apresentação pontualmente às 21h, como ele mesmo disse, e com uma música “que não tem nome, a tradicional esquenta dedo”, como ele também disse ao final da execução da mesma. Já no início do show, Almir demonstrava a forte empatia que tem com o público carioca, arrancando risos e mesmo – já no decorrer da apresentação – alguns gritos de “lindo” das moças, os quais ele não ouviu ou, se ouviu, demonstrou discrição.
As performances ao violão eram também devidamente aplaudidas ao final mas para estas Almir sempre tinha um “tímido” mas recorrente “muito obrigado”. O artista está completando 30 anos de carreira e parece que foi ontem que ele recebeu o prêmio Sharp nos anos 90 com a música “Tocando em frente”,

A atmosfera criada por Almir Sater em seu show é algo bastante imagética. Entre uma música e outra, o artista vai contando “causos” ocorridos nas fazendas pantaneiras e transporta nós, do público carioca, diretamente para cidades como Corumbá, Aquidauana e mesmo a vizinha Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, lembrada na interpretação de Almir em um dos versos da “obrigatória”, como ele mesmo, diz “Trem do Pantanal”, de Paulo Simões e Geraldo Roca. Aliás, esta música foi o ponto alto do show, a mais aplaudida e ovacionada. “Que eu me lembre não deixei de tocar esta música em nenhum show”, disse.
A banda de Almir, formada pelos músicos Rodrigo Sater (violão), Marcelus Anderson (acordeon), Guilherme Cruz ( violão), Reginaldo Feliciano (baixo acústico) e Giselle Sater (back vocal) demonstrou eficiência e entrosamento e acrescentou mais fluidez ao show. Por ocasião da apresentação de Almir, fui a algumas lojas pesquisar sobre CDs do artista. Não achei muita coisa. Pelo release do show, soube desde 2007 Sater não grava novo disco. Pena, o público perde. E muito. Mas a despeito disso, Almir Sater e sua trupe continuam tocando em frente. Afinal, ele sabe que é disso que o povo gosta e conhece o sabor das massas e das maçãs. Canta sua aldeia e é universal. Se der tempo, super vale uma conferida no show repeteco de hoje, quinta, no Theatro Net Rio.

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