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Oitavo álbum de Rihanna, ANTI, quer ir além da farofa Pop

Rihanna sempre foi aquela hitmaker certeira que fez seu nome em cima de canções bem produzidas e competentes na seara da música Pop mainstream norte americana. Tanto que fazia, praticamente, um disco por ano, e sempre recheados de inúmeros hits. Mas Rihanna parece querer mudar (um pouco) o rumo da sua carreira. Não se trata necessariamente de um amadurecimento, mas sim uma rota mais consistente de seu trabalho.

ANTI, seu novo álbum, é basicamente isso. Sua feitura foi demorada e cheia de controvérsia. Talvez a mais evidente seja uma espécie de experimentação prévia de singles, que acabou tirar do novo trabalho, músicas ótimas que lançou ao longo do ano como “FourFiveSeconds“, com ninguém menos que Paul McCartney e Kanye West, “American Oxygen” e a pulsante (e com ótimo clipe) “Bitch Better Have My Money“.

Três anos após o último disco de inéditas, Rihanna apresenta um disco menos farofa e mais difuso, deixando claro a ingerência de seus vários e diferentes produtores. Isso o deixa vasto musicalmente, mas esvazia um pouco a essência Rihanna. Não que isso seja de todo ruim. Ela quer se reinventar.

t-rihanna-cover-art-roy-nachumAs últimas canções de ANTI expõem isso de forma mais explícita, com letras confessionais e românticas, carregadas no Soul e/ou nos termos mais intensos de uma balada pop. Ali, a cantora se joga nos maneirismos de sua voz, que não é necessariamente extensiva, mas com sua rouquidão característica um tanto sedutora. Dito isso, repare em “Higher“.

Os hits funcionam, e “Work” (parceria com o onipresente rapper Drake) sobressai a boa e velha Rihanna de sempre. Já a interessante “Woo” se situa exatamente na linha tênue entre o que ela é e o que esse trabalho anseia que ela seja. Mas entre um e outro vislumbram-se lampejos de pretensão (bem vindos) como “Desperado“, experimentações indies como “Same Ol’Mistakes” (cover de Tame Impala) e caminhos interessantes para sua própria persona, como na delicinha “James Joint“.

ANTI é propositalmente estranho e paradoxalmente próximo do maneirismo Rihanna de ser. Essa esquizofrenia, apesar de tudo, é muito boa para a cantora. E principalmente para sua personalidade tão própria na música Pop.

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