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Queen Ao Vivo em Budapeste é um registro de quando os gigantes caminhavam sobre a Terra

A industria fonográfica chora há dez anos a queda na arrecadação das vendas de discos, tida pelos executivos do ramo como catastrófica. Não que discos não vendam mais, como muito se diz, mas os lucros exorbitantes das décadas de setenta, oitenta e noventa de fato minguaram. A década de setenta especificamente foi de arrecadação vultosa sem precedentes na indústria. E isso se refletia na postura e na megalomania das bandas e artistas. Uma vez que havia toda uma estrutura disposta a patrociná-los no que quer que fosse, por que não esbanjar? Era a época que os gigantes caminhavam sobre a Terra. Sim, gigantes literalmente falando. Estou falando do Led Zeppelin, do The Faces, dos Rolling Stones sem a sombra dos Beatles, e estou falando do Queen. A banda já começa grandiosa em seu nome. Tinha três músicos talentosíssimos, além de um vocalista ícone, que, além de um poderio vocal impressionante, ainda possuía um carisma que hipnotizava a platéia desde o gargarejo até o lugar mais alto da arquibancada. É do senso comum afirmar que a rainha que dava nome à banda era o próprio Freddie Mercury. Infelizmente sua morte pré-matura, em decorrência do vírus HIV em 1991, nos tirou a oportunidade de conferir sua performance por mais alguns anos. Daí, temos que nos consolar com os lançamentos em DVD de shows que o Queen fez em sua fase áurea. O último lançamento que chega ao mercado é Hungarian Rhapsody.

Exibido em cinemas selecionados em todo o mundo entre setembro e novembro deste ano (inclusive aqui no Brasil), trata-se do registro da passagem da banda pela capital húngara, Budapeste, em 1986, dentro da turnê Magic Tour. Na época o Queen estava em seu auge, com músicas na trilha sonora do filme Highlander que logo despontaram para o topo das paradas de sucesso. Embora com uma pegada bem mais pop em relação à sonoridade original dos anos setenta, a qualidade musical do Queen se manteve graças à alta habilidade técnica dos integrantes

Olhando hoje, fica incontestável que o Queen no palco era bonito de se ver. Performance vigorosa, hits poderosos e numerosos e a mitológica presença de palco de Freddie Mercury que parece maior do que a megaestrutura que a banda usava naquela turnê. Como aquele cara conseguia correr de um canto ao outro do palco, e chegar ao fim do concerto com o mesmo alcance vocal do inicio? Como ele consegue literalmente reger aquela multidão em vários momentos? E seus companheiros Brian May, John Deacon e Roger Taylor que além de excelentes músicos ainda fazem belos e afinados backing vocals. O repertório, bom, é covardia se falar de setlist em se tratando de Queen. Lá estão clássicos como Bohemian Rhapsody, Tie Your Mother Down, Love of My Life, Now I’m Here misturadas a hoje clássicos, mas à época hits como A Kind of Magic, Who Wants to Live Forever, Radio Gaga e I Want to Break Free. Ainda há espaço para a tradicional canção húngara Tavaszi szél vizet áraszt que Freddie canta magistralmente com sua voz de tenor, levando o público local ao delírio.

Depois dessa turnê o Queen não se apresentou mais ao vivo. O quarteto ainda lançou dois discos, mas Freddie, já debilitado imunologicamente, não tinha mais condições de rodar o mundo se apresentando. É um show obrigatório para a coleção de quem não tem o Live At Wembley, que anda meio difícil de se encontrar, o repertório é o mesmo. O único porém é que assistindo a essa performance, lamentamos ainda mais os planos da banda de voltar à atividade com outro vocalista. A turnê com Paul Roger era mais um tributo a Freddie Mercury com um só artista nos vocais, ao invés de vários se revezando; tanto que eles assinavam como Queen+ Paul Roger, deixando claro que se tratava apenas de um convidado especial. Agora, parece que vem mesmo um substituto de Freddie. A menos que desistam desta idéia absurda (dedos cruzados), a comparação será inevitável.

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  1. Eu acho uma falta de respeito o QUEEN prosseguir a banda colocando outro no lugar do Freddie, embora nenhum cheguem aos pés dele. Eu não aceito a Banda ter prosseguido sem ele. Se quisessem, que escolhesse em outro reportório. Por isso admiro o John Deacon ter abandonado o grupo. Foi o único membro decente do Queen que teve consideração em memória Freddie Mercury. Para mim o Queen morreu também, quando FREDDIE Mercury morreu

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